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ABI participa do lançamento do Prêmio Erival Guimarães

A Associação Bahiana de Imprensa participou, na manhã desta quinta-feira, do lançamento do Prêmio Erival Guimarães, iniciativa da Polícia Civil da Bahia que passa a reconhecer, de forma institucional, a atuação de jornalistas na cobertura de segurança pública. O encontro, realizado no Complexo da Polícia Civil, em Itapuã, reuniu profissionais de diferentes veículos em um ambiente que combinou caráter institucional e homenagem a um dos principais nomes da área no estado.

Representando a ABI, a primeira-secretária Jaciara Santos esteve presente a convite da presidente Suely Temporal e destacou a relevância da iniciativa, ao observar que a criação do prêmio reconhece valores cada vez mais necessários ao exercício do jornalismo, enquanto reforça a importância de que os profissionais agraciados estejam à altura do legado que dá nome à premiação.

Foto: Jaciara Santos

“É uma honra para a Associação Bahiana de Imprensa participar, de forma institucional, dessa iniciativa da Polícia Civil da Bahia. Mais do que justa, a criação do Prêmio Erival Guimarães reconhece um profissional que reunia qualidades cada vez mais necessárias no jornalismo: ética, integridade, coragem, respeito, profissionalismo e dignidade. Parabenizo a Polícia Civil pela iniciativa e espero que os profissionais que forem agraciados façam jus ao legado do patrono dessa honraria.”

Com previsão de premiação no segundo semestre, a iniciativa será concedida anualmente em referência ao Dia do Jornalista, celebrado no dia 7 de abril, e pretende valorizar práticas profissionais pautadas no rigor técnico, na responsabilidade social e no compromisso com o interesse público. A proposta também busca incentivar a produção de conteúdo qualificado em uma editoria marcada por alta complexidade, ao estabelecer critérios objetivos que incluem precisão técnica e jurídica, respeito à presunção de inocência e tratamento adequado de informações sensíveis.

A avaliação será conduzida por uma comissão formada por representantes das instituições de segurança pública, do meio acadêmico e de entidades de classe, enquanto os veículos de comunicação poderão indicar profissionais de diferentes funções e plataformas, abrangendo televisão, rádio, impresso e web.

A homenagem consagra a trajetória de Erival Guimarães, que ao longo de mais de três décadas de atuação se consolidou como referência na cobertura policial na Bahia, sendo reconhecido pelo rigor na apuração, pela credibilidade e pela contribuição na formação de gerações de jornalistas. Ao longo da carreira, teve papel fundamental na formação de repórteres, orientando gerações de profissionais que passaram a atuar na cobertura de segurança pública. Ficou conhecido como o “editor dos editores”. Erival Guimarães faleceu em 10 de janeiro de 2020, aos 61 anos, deixando uma contribuição duradoura para o jornalismo baiano e para a qualificação da cobertura policial no estado.

O lançamento contou ainda com a presença do delegado-geral André Viana e de Tatyana Guimarães, filha do homenageado, que ressaltou a importância de que a premiação mantenha critérios justos e coerentes com os valores que marcaram a trajetória do pai.

A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da relação institucional com a imprensa, a exemplo do 1º Workshop “De olho na segurança – O papel da mídia na cobertura segura das ações de Segurança Pública”, realizado nos dias 26 e 27 de fevereiro, em Salvador.

*Com informações da Ascom-PCBA

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Sem querer, provoquei a censura

Por Antônio Matos*

Embora não fosse militante político e confesso, por um breve tempo, até acreditasse no milagre econômico brasileiro, tinha conhecidos, colegas e amigos marxistas, alguns filiados ao Partido Comunista e outros integrantes de organizações de esquerda mais radicais, como a Ação Popular (AP), Aliança Libertadora Nacional (ALN) e a Política Operária (Polop).

Como quase todo jovem que viveu no final dos anos 60 e nas décadas de 70 e 80, não aceitava a quebra do regime democrático e a implantação de um governo militar em 1964, mas me limitava a votar – assim que pude – no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), um partido de oposição criado, pelo próprio Governo Federal, para dar a impressão de que ainda existia liberdade política.

Como precisei trabalhar muito cedo – e também por não ser de meu perfil – nem tempo tive para participar de manifestações nem de passeatas estudantis. Para não mentir, fui a dois eventos políticos, promovidos por diretórios acadêmicos, em 1966: um à noite, na Residência Universitária, na Vitória, e o outro, pela manhã, no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, então situada no Terreiro de Jesus.

No primeiro, lembro-me bem, sai logo após um discurso contundente, apesar de bem humorado, do político e dirigente esportivo Osório Villas-Boas, candidato a deputado estadual pelo MDB e cassado mais tarde pelo Ato Institucional número 5, em 1969. No dia seguinte, soube que, mal deixara o local, o comício fora encerrado por bem armadas guarnições da Polícia Militar.

Recordo que, na segunda manifestação, o destaque era um inflamado aluno do Central, com um pequeno sinal no rosto, de nome Zoroastro Santana, que clamava a ‘união de todos’ para ‘derrubar a ditadura’. Zoró viria, anos depois, a ser meu colega no início das atividades da Tribuna da Bahia, sob a batuta do extraordinário jornalista Quintino de Carvalho.

Esta contextualização ou ‘nariz de cera’, como nós jornalistas costumamos chamar estas não muito aceitas introduções ao texto, é para dizer como a censura me alcançou durante o regime militar ou como eu, sem a menor intenção, só com o propósito de ser repórter, provoquei o regime.

Com 22 anos e editor de Esportes da Tribuna desde a sua inauguração, seguia rigidamente as diretrizes redacionais traçadas pelo jornal, que exigiam textos leves, frases curtas e desprezo aos chavões. Tinha a liberdade – e o estímulo do redator-chefe Quintino – para ser criativo também nos títulos.

Creio que, com o intuito de se blindar das perseguições políticas, que anos antes tinham lhe tirado o mandato de deputado estadual e recomendado a não voltar à presidência do Bahia, o sagaz Osório Villas-Boas indicou, em 1971, o coronel do Exército Aurélio Gonçalves, um gaúcho transferido para Salvador, para assumir a diretoria de futebol do Bahia.

De saída, para mostrar serviço e com livre trânsito no Grêmio e no futebol do sul, trouxe três bons jogadores para antiga ‘Fazendinha’: os gremistas Adílson, meia direita, e Bebeto, o ‘Canhão da Serra’, centroavante, além de Toninho, ponta direita do Guarany, de Bagé.

Destemperado, boquirroto e usando a farda e a patente, numa época que o Exército dava as cartas, atemorizava os juízes de futebol, com entrevistas virulentas após os jogos, onde via, pelo menos, uns três pênaltis não marcados a favor do Bahia.

Cansado de ouvir tanta baboseira, designei o setorista do Bahia, o repórter Wellington Cerqueira – hoje conceituado advogado – para ouvir Aurélio Gonçalves, questionando as polêmicas e absurdas acusações aos árbitros. Matéria pronta, dei-lhe um título quintiniano, bem apimentado, colocando o entrevistado na parede: ‘Isto é verdade, coronel ?’

Imagine isso no início dos anos 70, com o país presidido pelo general Garrastazu Médici, no auge da ditadura militar ? Como a matéria fora assinada, o pobre do Wellington foi intimado (o termo é este mesmo) para se explicar no Quartel-general do Exército, na Mouraria.

Felizmente, não deu em nada e nem eu, como editor de esportes e autor do ousado título, fui chamado para depor. Ficaram, entretanto, registrados o constrangimento e a intimidação.

Em 1974, já delegado de Polícia, plantonista da antiga Delegacia de Furtos, Roubos e Defraudações, localizada na Piedade, mas sem perder o espírito de repórter, conheci um estelionatário custodiado provisoriamente no xadrez daquela unidade policial.

Tido como um preso pouco perigoso, era recrutado para fazer pequenos serviços na delegacia, como ajudar na faxina, lavar viaturas e até veículos dos policiais. Com cerca de 50 anos, branco, forte, bem alto e tagarela como todo bom vigarista, era conhecido como Gaúcho, por causa do estado onde nascera, ou Coroa, em razão da idade.

Num plantão pouco movimentado, comecei a ouvi-lo informalmente sobre seus golpes. Instruído e com forte sotaque de quem é natural do sul do país, falava com entusiasmo e ressaltava que as vítimas, que ‘caiam na sua conversa’, além de ‘metidas a espertas’, eram ‘desonestas e usurárias’.

“Doutor, já vistes alguém vender um bilhete de loteria premiado, que vale 100 mil, por 5 mil cruzeiros ?”, perguntava, demonstrando sabedoria e como quem procurasse justificar os crimes cometidos.

Detalhava o que fazia para convencer as pessoas que procurava envolver. “Tchê, se estava em Minas Gerais, empregava os termos utilizados pelo mineiro da roça, já em São Paulo, era o próprio Mazzaropi (um dos maiores nomes do cinema brasileiro, imortalizado por interpretar o caipira Jeca Tatu), matuto nos trajes e na maneira de falar”, gabava-se.

O delegado, já travestido de jornalista, deu corda ao falante 171, que me revelou mais duas coisas antes de ser chamado para retornar ao xadrez: “dei um golpe tão grande em Goiás, que aluguei um avião bimotor para voltar para ao Rio Grande do Sul. É verdade”, afirmou, diante do meu olhar de incredulidade.

“Tu também não vais acreditar, mas eu fui noivo da Edna Lott – filha do marechal Teixeira Lott – deputada estadual pelo Estado da Guanabara e que morreu há uns três anos, assassinada na casa de veraneio em Lambari, Minas Gerais, enquanto dormia, por um ex-assessor parlamentar”.

Senha dada, pauta definida e título da matéria já pronta: ‘Preso na Bahia ex-noivo da filha de Lott”. Na hora não dei conta do tamanho do vespeiro: Edna Lott, nacionalista de esquerda, defensora da soberania nacional, cassada e sem direitos políticos desde o final de 1969, quando exercia o segundo mandato como deputada estadual pelo MDB da Guanabara, viúva do major Oscar de Moraes Costa e mãe de Nelson Lott, pertencente à Aliança Libertadora Nacional, preso e torturado pelo regime.

Isto sem falar no respeitável marechal Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra (antiga nomenclatura do atual Ministério do Exército) do governo Juscelino Kubitschek, candidato derrotado à presidência da República em 1960 e muito querido pelo Exército. Este tóxico caldo era tudo que as autoridades brasileiras da época gostariam de esquecer.

Acabara de trocar a Tribuna pelo Diário de Notícias, mas ainda muito ligado a TB, conversei com o repórter policial Paulo Tavares, o Bunda Podre, que cobria a Furtos e Roubos para aquele jornal, sobre o meu achado.
Ele comprou a ideia de fazer a matéria e como Gaúcho estava na delegacia mais solto do que preso não foi difícil entrevistá-lo.

Como era de se esperar, o furo de reportagem e, notadamente, o seu conteúdo provocaram muita confusão. Certamente pressionado pela VI Região Militar, o então secretário da Segurança Pública, coronel Joalbo Figueiredo – oficial do Exército procedente do Serviço de Informações – exigiu explicações para o fato de a imprensa ter acesso a um preso, que teoricamente deveria estar encarcerado na delegacia, enquanto ali se encontrasse custodiado. Acho até que rendeu um processo administrativo.

Não lembro, mas creio também que a Tribuna da Bahia tenha sido convocada para dar esclarecimentos. Paulinho Bunda Podre morreu há uns seis anos e, em razão disso, não pode avivar a minha memória.

Meses depois, deixei o plantão da Furtos e Roubos, para assumir uma chefia na recém-criada Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes e nunca mais soube de Gaúcho, que, no mínimo, deve ter perdido o privilégio de andar livremente pela delegacia. Além de desagradar o sistema vigente, ele quase dá um Prêmio Esso de Jornalismo à Tribuna.

Foto: Jorge Cordeiro

*Antônio Matos, jornalista e delegado de Polícia aposentado, é vice-diretor de Finanças da ABI

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
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Ato solene na ALBA homenageia os 81 anos do Sinjorba

Na manhã desta quarta-feira (29), a Assembleia Legislativa da Bahia realizou um ato solene em homenagem aos 81 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia, completados no dia 14 de abril. O ato também celebrou o Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril. A atividade aconteceu no Plenarinho da Casa.

A sessão proposta pelo deputado Robinson Almeida relembrou a trajetória do Sinjorba, fundado em 1945, e sua participação histórica na defesa da liberdade de imprensa, da valorização profissional e do direito à informação. A presidente da entidade, Fernanda Gama, salienta o caráter político da homenagem. Segundo ela, o espaço no Parlamento reforça a necessidade de políticas públicas e marcos legais que garantam condições dignas de trabalho e proteção ao exercício do jornalismo.

Jaciara Santos | Foto: Joana D’arck

Representando a Associação Bahiana de Imprensa, a primeira secretária Jaciara Santos transmitiu saudação da presidente Suely Temporal e destacou a importância da parceria entre as organizações. “São mais de oito décadas de uma atuação firme, muitas vezes na linha de frente dos momentos decisivos da categoria. A ABI reconhece essa trajetória e reafirma a importância de seguirmos juntos, atentos, mobilizados e comprometidos com o presente e o futuro da nossa profissão. Celebrar os 81 anos do Sinjorba é reafirmar essa união”, afirmou. Ela integra a diretoria do Sindicato, assim como a jornalista Isabel Santos, membro do Conselho Fiscal da ABI, também presente no evento.

A mesa foi composta por Moacy Neves, vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e ex-presidente do Sinjorba, reconhecido por uma gestão de seis anos, que mobilizou a categoria em momentos decisivos, reformou a sede, fortaleceu a comunicação, promoveu cursos de formação e ampliou o número de filiados.

Foto: Cid Vaz/Sinjorba

O ato integrou a programação do Mês do Jornalista, promovido pelo Sinjorba em união com a Fenaj. Ao longo de abril, a agenda reuniu atividades políticas, formativas e comemorativas, incluindo mobilizações em Brasília, cursos de capacitação, apresentações para registro profissional e premiações voltadas ao fortalecimento do debate público.

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ABI BAHIANA

Roda de choro abre temporada 2026 da Série Lunar na ABI

A Série Lunar recebe uma apresentação especial do Núcleo de Choro da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (Emus/UFBA), na próxima quarta, 06 de maio, às 19h. O grupo formado por estudantes e professores da instituição abre a temporada 2026 do projeto tocado pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em parceria com a Emus. A apresentação, que acontece no Auditório Samuel Celestino, na Praça da Sé, integra as homenagens ao Dia Nacional do Choro e traz ao público uma roda marcada pela interação entre os músicos e pela definição do repertório no momento da execução. 

A Série Lunar une música, cultura e memória no Centro Histórico de Salvador. O projeto proporciona desde 2019 concertos com professores, servidores do corpo técnico-administrativo e alunos vinculados à Emus. Desde 2024, a iniciativa conta com o apoio de empresas e instituições comprometidas com cultura e educação.

Esta edição é apoiada pelo Sistema Faeb/Senar, que trabalha para fortalecer o setor agropecuário baiano, defendendo os interesses e direitos dos produtores rurais do nosso estado, além de capacitar e profissionalizar a mão de obra rural. Saiba mais: https://sistemafaeb.org.br/senar/

Segundo o coordenador do Núcleo de Choro, Tadeu Maciel, a proposta preserva a essência do gênero, com espaço para a improvisação e o diálogo musical. O repertório deve incluir obras de nomes como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Chiquinha Gonzaga, entre outros compositores. A iniciativa teve início em 2019, a partir da proposta do professor Joel Barbosa, com encontros no pátio da escola. Após a interrupção durante a pandemia, as atividades foram retomadas em 2022, com ampliação do grupo e fortalecimento de sua atuação em Salvador.

Ao longo dos anos, o projeto também originou ações voltadas à difusão e ao ensino do choro, como o “Emus no Choro”, com encontros semanais realizados em 2023, o “Nas Bandas do Choro”, em parceria com a Filarmônica da UFBA, além de iniciativas formativas como a Roda Didática, o Encontro de Choro da UFBA, a Oficina de Choro e a Mostra de Composições.

O grupo reúne músicos com trajetórias acadêmicas e artísticas consolidadas, com atuação tanto na pesquisa quanto na performance da música brasileira. Entre os integrantes estão instrumentistas com formação pela UFBA e outras instituições, experiência em orquestras, grupos de choro e projetos autorais, além de atuação em ensino, composição e circulação musical no Brasil e no exterior.

Atualmente, participam das atividades os estudantes Caio Brandão (violão sete cordas), Gabriela Machado (flauta transversal), Jarder Ryan (clarineta), Leandro Tigrão (flauta transversal), Tadeu Maciel (pandeiro) e Washington Oliveira (cavaquinho), além dos professores Joel Barbosa e Celso Benedito.

SERVIÇO

Série Lunar 2026 – Núcleo de Choro da UFBA
📅 Data: 6 de maio (quarta-feira)
🕖 Horário: 19h
📍 Local: Auditório Samuel Celestino – 8º andar da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador
🎟 Entrada gratuita

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