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Lançamento da MIDIACOM Bahia marca novo momento da comunicação no estado

A comunicação baiana passou a contar oficialmente, nesta terça-feira (30), com uma nova entidade de representação empresarial. Lançada durante cerimônia realizada no Restaurante Silva Cozinha, na Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador, a MIDIACOM Bahia – Associação das Emissoras de Rádio e TV no Estado da Bahia nasce com a missão de fortalecer a atuação institucional das empresas de comunicação do estado diante dos desafios tecnológicos, regulatórios e econômicos que transformam o setor.

A associação sucede o SERTEB-BA (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado da Bahia), ampliando seu escopo de atuação e alinhando-se ao movimento nacional liderado pela MIDIACOM Brasil, que busca integrar empresas de mídia em torno de pautas estratégicas, como inovação, sustentabilidade, modernização e fortalecimento da comunicação profissional.

À frente da entidade está Augusto Correia, diretor geral da Band Bahia, que assume a presidência da associação. A diretoria executiva conta ainda com Kátia Rebouças, diretora-executiva da Band FM Vitória da Conquista, como vice-presidente de Rádio, e Guilherme Lopes, diretor de Gestão e Relações Institucionais da Rede Bahia, como vice-presidente de Televisão. A composição busca reunir representantes da capital e do interior do estado, fortalecendo a integração entre as emissoras baianas.

O lançamento reuniu empresários da comunicação, dirigentes de emissoras de rádio e televisão, representantes de veículos de imprensa, agências de publicidade e autoridades. Entre os presentes estiveram o secretário estadual de Comunicação, Marcus Di Flora; o prefeito de Salvador, Bruno Reis; o presidente da ABERT, Cristiano Lobato Flores; representantes da Abratel; parlamentares, dirigentes do setor e lideranças da comunicação baiana, além da presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal.

Durante a cerimônia, Augusto Correia destacou que a criação da MIDIACOM Bahia representa uma nova etapa para a representação institucional do segmento, reforçando o diálogo entre as empresas de comunicação, o mercado e o poder público. Segundo ele, a entidade atuará na defesa dos interesses do setor, oferecendo suporte técnico, jurídico e regulatório às associadas, além de ampliar a interlocução da comunicação baiana com as discussões nacionais conduzidas pela ABERT e demais organizações representativas.

Em sua participação, o secretário estadual de Comunicação, Marcus Di Flora, ressaltou a importância da nova associação para o fortalecimento da comunicação na Bahia e para a construção de um ambiente permanente de diálogo entre o setor produtivo, os veículos de comunicação e o poder público, em um cenário marcado pela rápida transformação tecnológica e pela diversificação das plataformas de mídia.

A nova entidade inicia suas atividades reunindo mais de 30 emissoras de rádio e televisão da capital e do interior do estado, com a perspectiva de ampliar futuramente sua atuação para outros segmentos da comunicação. Entre as prioridades anunciadas estão o fortalecimento institucional da mídia baiana, a defesa da liberdade de comunicação, o incentivo à inovação e à transformação digital, além da continuidade das negociações sindicais e patronais conduzidas anteriormente pelo SERTEB-BA.

A criação da MIDIACOM Bahia acompanha um movimento nacional de reorganização das entidades representativas do setor, buscando oferecer uma estrutura mais ampla para enfrentar os desafios da convergência tecnológica, da sustentabilidade econômica das empresas de comunicação e da valorização da produção jornalística e audiovisual profissional.

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Violência contra mulheres exige mudança de narrativas, educação e compromisso dos homens, defendem especialistas no Welcome Women Forum

A violência contra mulheres não é um problema restrito às mulheres. Ela nasce de uma estrutura social que precisa ser transformada por meio da educação, da responsabilização masculina e da construção de novas narrativas. Esse foi o consenso entre os participantes da mesa “Quando a violência silencia futuros”, realizada na tarde de segunda-feira (29), durante o Welcome Women Forum, no Palacete Tirachapéu, em Salvador.

Sob o tema “Futuros que estamos construindo”, o Welcome Women Forum (WWF) acontece na capital baiana nos dias 29 e 30 de junho, e reúne mais de 80 nomes de destaque das áreas de liderança, sustentabilidade, política, ciência, cultura, comunicação e empreendedorismo, divididos entre painéis, oficinas e debates voltados ao fortalecimento da presença feminina em espaços de liderança e tomada de decisão.

Mediado pela presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, o útimo painel desta segunda-feira reuniu a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude de Salvador, Fernanda Lordêlo; o jornalista e escritor Klester Cavalcanti, autor do livro Matou uma, matou todas; a diretora da Legal Global Chile, Soledad Torres; e o jornalista e diretor do Instituto Papo de Homem, Zé Ricardo Ferreira.

Na abertura do debate, Suely destacou que a violência contra mulheres também impõe uma responsabilidade à imprensa, que durante décadas ajudou a consolidar uma narrativa que invisibiliza os agressores e revitimiza as vítimas.

“Durante muitos anos, a imprensa ajudou a perpetuar uma narrativa em que a mulher era protagonista da violência, quando, na verdade, o protagonista é o homem que mata”, afirmou. Como exemplo, comparou duas formas de noticiar um feminicídio: “Mulher morre após discussão com o marido” e “Marido mata mulher após discussão”. “Parece uma diferença pequena, mas ela muda completamente a compreensão sobre quem é o responsável pela violência.”

A presidente da ABI lembrou ainda que a entidade lançou, em 2024, o Protocolo Antifeminicídio, guia de boas práticas voltado aos profissionais da comunicação para qualificar a cobertura jornalística sobre violência de gênero e evitar abordagens sensacionalistas ou que culpabilizem as vítimas.

Educação como principal estratégia

Ao longo de toda a conversa, a educação apareceu como principal caminho para romper o ciclo da violência.

Autor do livro Matou uma, matou todas, Klester Cavalcanti contou que a pesquisa para escrever a obra o levou a reconhecer aspectos do machismo presentes na própria formação masculina. “Eu percebi que sou machista. Não porque quis ser. Sou porque fui educado numa sociedade machista. A família, a escola, a igreja, a televisão, a música… tudo nos educa para isso.”

Segundo ele, esse processo também revelou comportamentos controladores que reproduziu ao longo da vida sem perceber. “Muitas vezes tive atitudes machistas sem entender que eram violência. Dizer para uma mulher que ela não pode sair com determinada roupa, por exemplo, parece algo natural para muitos homens. Mas isso também faz parte dessa estrutura.”

Para o jornalista, combater o feminicídio passa necessariamente por formar novas gerações. “O único caminho que temos para enfrentar o feminicídio é a educação. Precisamos ensinar desde cedo que homem não tem poder sobre mulher.”

Klester também defendeu que homens ocupem esse debate com responsabilidade. “Quando um homem fala sobre machismo para outros homens, muitas vezes eles escutam de uma forma diferente. Precisamos usar esse privilégio para transformar outros homens.”

Papel dos homens

Essa perspectiva foi aprofundada por Zé Ricardo Ferreira, diretor do Instituto Papo de Homem, organização que desenvolve pesquisas e projetos voltados às masculinidades.

Segundo ele, as estatísticas deixam claro quem são os principais autores da violência e, por isso, os homens precisam assumir protagonismo na transformação dessa realidade. “Os principais causadores da violência somos nós, homens. Então precisamos ser também os principais personagens no combate a ela.”

Ele apresentou dados de uma pesquisa realizada com adolescentes, mostrando que cinco em cada dez meninos afirmam querer aprender a paquerar sem praticar assédio. “Existe uma geração que quer fazer diferente. O desafio é entender por que outra parcela continua reproduzindo violência.”

Para Zé Ricardo, além da educação, é fundamental que homens utilizem seus espaços de influência para interromper situações de violência. “Precisamos dizer para outro homem: ‘Isso que você está fazendo é violência’. Se não conseguimos intervir diretamente, devemos encontrar outras formas de agir. O silêncio também fortalece a violência.”

Durante o debate, ele discordou respeitosamente da ideia de que as mulheres devam levar mais homens para esses espaços. “A mulher já está na ponta sofrendo a violência e há décadas faz sua parte. Somos nós, homens, que precisamos convidar outros homens para essa conversa.”

Políticas públicas em rede

Representando a Prefeitura de Salvador, Fernanda Lordêlo, secretária municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude, apresentou dados sobre as políticas de enfrentamento à violência de gênero e destacou a importância da atuação integrada entre diferentes instituições.

Segundo a secretária, Salvador reduziu em cerca de 50% os casos de feminicídio nos últimos três anos, resultado de um trabalho articulado entre a rede de proteção, o sistema de Justiça, o Governo do Estado e iniciativas como o Núcleo de Enfrentamento ao Feminicídio (NEF).

Ela explicou que o núcleo realiza grupos reflexivos com homens autores de violência, conforme prevê a Lei Maria da Penha. “Precisamos tratar a causa para evitar a consequência.”

Fernanda também chamou atenção para um aspecto ainda pouco conhecido pelas próprias mulheres: o reconhecimento das diferentes formas de violência. “Muitas mulheres acreditam que violência é apenas a agressão física. Mas violência patrimonial, psicológica, moral e sexual também precisam ser reconhecidas.”

A secretária fez ainda uma reflexão sobre o papel da comunicação. “Quando a imprensa expõe uma mulher vítima de violência sem os devidos cuidados, pode colocá-la novamente em risco. Precisamos abandonar a espetacularização da violência e compreender que comunicação também é política pública.”

Fenômeno global

Diretora da Legal Global Chile, a diplomata Soledad Torres trouxe uma perspectiva internacional ao debate e afirmou que a violência de gênero atravessa fronteiras. “Esse não é um problema do Brasil. Acontece em todos os países.”

Ela compartilhou experiências como advogada de mulheres vítimas de violência e criticou a tendência de relativizar a responsabilidade dos agressores em nome de suas carreiras ou posições sociais. “Aqui não é uma questão de dinheiro. É uma questão de dignidade.”

Para Soledad, a educação também precisa começar dentro de casa. “Temos responsabilidade sobre a forma como educamos nossos filhos e filhas. Precisamos ensinar que mulheres e homens têm as mesmas oportunidades e merecem o mesmo respeito.”

Comunicação transforma

Ao encerrar o painel, Suely Temporal destacou que o debate evidenciou a importância de ampliar o diálogo com os homens e reafirmou o compromisso da ABI com uma cobertura jornalística ética e responsável sobre a violência contra mulheres.

“Foi a primeira vez que participei de um debate sobre violência contra a mulher com uma presença tão significativa de homens. Saio muito feliz e esperançosa. Precisamos transformar a forma como contamos essas histórias para também transformar a sociedade.”

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ABI BAHIANA

FACOM e ABI discutem parceria para formação de estudantes de Jornalismo

O diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (FACOM/UFBA), Washington José de Souza Filho, visitou a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) nesta segunda-feira (29). O encontro teve como objetivo fortalecer o diálogo entre as instituições e discutir novas possibilidades de cooperação.

Durante a visita, a presidente da ABI, Suely Temporal, apresentou o Protocolo Antifeminicídio, iniciativa da instituição voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher por meio da comunicação, da conscientização e da divulgação de informações responsáveis sobre o tema.

Na conversa, Suely destacou o interesse em estreitar a parceria entre a ABI e a FACOM, criando um canal permanente para incentivar a participação dos estudantes de Comunicação nas atividades da instituição. “Eu considero muito importante essa aproximação da FACOM com a ABI, para que a entidade possa contribuir com a formação dos futuros jornalistas”, afirmou a dirigente.

Washington José de Souza Filho também sugeriu a realização de aulas de campo na sede da ABI, como forma de aproximar os estudantes da prática jornalística, da história da imprensa baiana e das atividades desenvolvidas pela instituição. A proposta reforça uma iniciativa que já integra a relação entre a Faculdade e a ABI. O professor Fernando Conceição realiza visitas com alunos do primeiro semestre da FACOM, por meio da disciplina História do Jornalismo, proporcionando aos estudantes uma experiência de aproximação com a trajetória da imprensa baiana e o trabalho desenvolvido pela entidade.

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Mapeamento de Veículos de Bairro aborda comunicação comunitária e enfrentamento à desinformação

A quarta edição do Mapeamento de Veículos de Bairro acontece na próxima quinta-feira (1º), das 14h às 18h, no Auditório do Sesc Casa do Comércio, em Salvador. O encontro reunirá comunicadores, representantes de mídias comunitárias, pesquisadores e profissionais da área para discutir os desafios da comunicação nos territórios e sua contribuição para o desenvolvimento local.

O mapeamento realizado pela agência Comunicativa, em parceria com a Embasa, com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), da Rede de Mídias Comunitárias de Salvador (Rede Midicom) e da Agência Criativa Conteúdo tem como objetivo identificar, mapear e dar visibilidade aos veículos de comunicação que produzem conteúdo voltado para os bairros da capital baiana, valorizando iniciativas que informam, mobilizam e fortalecem as comunidades. 

Entre os convidados está o jornalista Paulo Almeida Filho, diretor de Defesa da Liberdade de Informação e Direitos Humanos da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), que ministrará a palestra Comunicação Comunitária e o enfrentamento às Fake News

Durante a palestra, Paulo Almeida Filho vai discutir a importância da comunicação comunitária no combate às fake news e na divulgação de informações confiáveis. O objetivo é mostrar como veículos de bairro, coletivos de comunicação e comunicadores populares ajudam a levar informação de qualidade à população e a fortalecer a participação cidadã nas comunidades. 

Especialista em Comunicação Comunitária, Paulo possui uma trajetória marcada pela atuação em iniciativas voltadas à democratização da comunicação e à defesa dos direitos humanos. Mestre em Gestão da Educação, Tecnologias e Redes Sociais pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), é pesquisador em Comunicação e Direitos Humanos no Centro de Referência e Desenvolvimento em Humanidades (CRDH/UNEB).

Ao longo da carreira, atuou como consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Atualmente, além de integrar a diretoria da ABI, participa de redes, coletivos e projetos dedicados ao fortalecimento das mídias comunitárias e à proteção de jornalistas e comunicadores.

O Mapeamento de Veículos de Bairro posiciona a comunicação local como instrumento de mobilização social que possibilita a participação cidadã e o desenvolvimento dos territórios. A quarta edição do projeto amplia o debate sobre o papel dessas iniciativas na construção de uma sociedade mais informada e preparada para enfrentar os desafios da desinformação.

Serviço
4º Mapeamento de Veículos de Bairro
Data: 1º de julho (quarta-feira)
Horário: 14h às 18h
Local: Auditório do Sesc Casa do Comércio – Salvador

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