ABI BAHIANA

ABI manifesta apoio à candidatura de Geraldo Leite ao Prêmio Nobel da Paz 2027

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) manifesta seu apoio à candidatura do médico, professor e educador Geraldo Leite ao Prêmio Nobel da Paz de 2027. A decisão foi deliberada pela Diretoria da entidade durante reunião realizada no dia 12 de agosto, em reconhecimento à trajetória do médico e à sua contribuição para a medicina, a educação, a ciência, a cultura e a formação de instituições na Bahia.

A candidatura foi apresentada pelo presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Joaci Góes, durante homenagem realizada no dia 11 de agosto, na sede do Instituto, em Salvador, em celebração ao centenário de Geraldo Leite. A iniciativa vem reunindo manifestações de apoio de instituições científicas, acadêmicas e culturais da Bahia e de outros estados.

Para a ABI, o reconhecimento da trajetória de Geraldo Leite representa também a valorização de uma vida dedicada à construção e ao fortalecimento de instituições voltadas ao conhecimento, à educação e à promoção do bem-estar social. Ao longo de décadas de atuação, o médico esteve ligado à formação de profissionais, à gestão acadêmica, à pesquisa e à preservação da memória da medicina.

Aos 100 anos, completados em abril deste ano, Geraldo Leite reúne uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação e a saúde pública. Natural de Aracaju (SE), formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1950, e construiu na Bahia a maior parte de sua vida profissional.

Um dos principais marcos de sua carreira foi a atuação como primeiro reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em um período fundamental para a implantação e consolidação da instituição. Também presidiu a Associação Bahiana de Medicina e dirigiu a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública por dois mandatos.

Sua atuação se estendeu ainda à preservação da história da medicina. Geraldo Leite fundou o Instituto Bahiano de História da Medicina e é membro emérito da Academia de Medicina da Bahia. É também autor de livros e participou de iniciativas relacionadas à memória, à pesquisa e à formação médica.

A candidatura ao Nobel da Paz acrescenta uma dimensão internacional a uma trajetória construída sobretudo nos campos da medicina, da educação, da ciência e da cultura.

publicidade
publicidade
ABI BAHIANA

Quarteto de Flautas da Bahia homenageia ícones do chorinho na Série Lunar

Na noite de lua cheia desta quarta-feira (26), o Auditório Samuel Celestino, na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), ganhou uma sonoridade particular. Quatro flautas se encontraram para percorrer os caminhos do choro brasileiro durante mais uma edição da Série Lunar, projeto realizado pela ABI em parceria com a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (Emus/UFBA).

Formado por Lucas Robatto, João Liberato, Leandro Oliveira e Rafael Dias, o Quarteto de Flautas da Bahia apresentou um repertório que aproximou tradição e contemporaneidade, música de concerto e cultura popular. Ao longo da noite, os músicos também compartilharam histórias, referências e curiosidades sobre as obras, transformando o concerto em uma experiência de escuta e descoberta.

Com sete anos de trajetória, o grupo vem desenvolvendo uma pesquisa voltada à ampliação das possibilidades da flauta transversal na música de câmara. A formação, segundo João Liberato, é pouco comum no cenário internacional. Se os quartetos de cordas constituem uma tradição consolidada na música de concerto, a formação exclusivamente dedicada às flautas ainda ocupa um espaço pouco explorado.

“Por exemplo, o quarteto de cordas é uma formação muito explorada. Grandes compositores do mundo há séculos escrevem para quarteto de cordas, mas para flauta isso não é comum”, explicou João durante a apresentação.

A busca do grupo é justamente ocupar esse território. Para isso, os músicos têm trabalhado na criação e adaptação de repertório para a formação, incluindo peças especialmente escritas para o quarteto. O conjunto também já desenvolveu trabalhos com compositores brasileiros e mantém uma produção disponível em plataformas digitais, com dois EPs lançados e um terceiro em preparação.

A formação reúne músicos ligados a importantes instituições de ensino e produção musical. Lucas Robatto é professor da Escola de Música da UFBA e flautista principal da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA). João Liberato integra o Departamento de Graduação em Música da Universidade Federal de Sergipe. Leandro Oliveira possui passagem por importantes orquestras brasileiras, enquanto Rafael Dias atua como performer e compositor e é doutorando em Performance Musical pela UFBA.

A escolha do repertório para a apresentação nasceu, segundo Lucas Robatto, de uma composição específica: “Chorinho Atormentado”, de Wellington Gomes. A partir dela, o grupo decidiu construir um programa dedicado ao choro, reunindo diferentes maneiras de compreender o gênero.

A abertura veio com Heitor Villa-Lobos, compositor que levou o choro para o universo da música de concerto e produziu uma extensa série de obras intituladas “Choros”. A peça apresentada integra a Suíte Popular Brasileira, escrita na década de 1920.

Na sequência, o quarteto mergulhou na obra de Ernesto Nazareth, um dos grandes nomes da música brasileira do início do século XX. “Fon-Fon”, apresentada na noite, foi composta por Nazareth por volta de 1903, período em que o compositor classificava suas obras como “tangos brasileiros”.

Lucas explicou que o título remete ao som da buzina dos automóveis e também à revista satírica “Fon-Fon”, importante publicação do Rio de Janeiro. A composição, assim, traduz musicalmente uma cidade que começava a experimentar as transformações de uma metrópole moderna.

A presença de Nazareth no repertório também abriu espaço para uma homenagem a um dos grandes pesquisadores e intérpretes do choro: Jacó do Bandolim. Durante o concerto, Leandro Oliveira destacou a importância do músico para a preservação da memória musical brasileira e para a descoberta de obras pouco conhecidas de Nazareth.

A pesquisa e o trabalho de Jacó ajudaram a recuperar peças que poderiam ter permanecido esquecidas, contribuindo para que a obra de Nazareth continuasse circulando entre novas gerações de músicos.

O choro, como lembrou João, possui ainda uma relação histórica profunda com a própria flauta. Joaquim Antônio da Silva Calado é considerado uma figura fundamental para a consolidação do gênero e tinha a flauta como instrumento de destaque. A formação tradicional dos grupos de choro incorporou justamente instrumentos como flauta, violão e bandolim.

Para o Quarteto de Flautas da Bahia, revisitar esse repertório significa também olhar para essa história a partir de uma nova configuração sonora.

Uma estreia na lua cheia

Um dos momentos especiais da noite foi a apresentação inédita de “Chorinho Atormentado”, composição de Wellington Gomes. A obra foi justamente o ponto de partida para a construção do repertório apresentado pelo quarteto.

A peça sintetizou a proposta do concerto: partir de uma tradição profundamente brasileira e experimentar novas possibilidades de interpretação. Entre Villa-Lobos, Nazareth e compositores contemporâneos, o grupo construiu uma leitura própria do choro, sem abandonar suas raízes.

“É uma leitura contemporânea do choro”, explicou Lucas, ao falar sobre a concepção do programa.

A experiência também reforçou uma das características da Série Lunar, que é aproximar artistas e público em um ambiente de escuta, conversa e compartilhamento de conhecimento. Criada em 2019 a partir da parceria entre a ABI e a Emus/UFBA, a iniciativa transforma o Auditório Samuel Celestino em espaço de encontro entre produção acadêmica, cena musical e sociedade.

Ao final da apresentação, Yara Vasku, diretora de Cultura da ABI e coordenadora da Série Lunar, resumiu a experiência diante do público. “Além de uma bela lição de música, essa apresentação foi uma aula”. Ela também reforçou o agradecimento à Associação Cultural Brasil–Estados Unidos (ACBEU), parceira que tem contribuído para a manutenção da programação ao longo de 2026. A próxima edição acontece no dia 23/09.

Fotos: Marina Silva

publicidade
publicidade
ABI BAHIANA

Assembleia Geral Ordinária da ABI aprova contas do exercício 2025/2026

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) realizou, nesta quarta-feira (26), a Assembleia Geral Ordinária 2026. A sessão apresentou o Relatório Anual de Atividades e aprovou por unanimidade as contas da entidade relativas ao exercício 2025/2026.

A presidente da ABI, Suely Temporal, apresentou o relatório de atividades, reunindo as principais iniciativas desenvolvidas pela entidade ao longo do período. O documento registra ações nos campos institucional, cultural, patrimonial e de comunicação, além de iniciativas voltadas à preservação da memória da imprensa e ao fortalecimento das relações da ABI com instituições públicas, empresas e organizações da sociedade civil.

Entre os destaques apresentados estão a realização do ciclo ABI 95+5, com debates sobre temas estratégicos para o desenvolvimento da Bahia; a realização de eventos e parcerias institucionais; a participação em iniciativas relacionadas à comunicação antirracista; e a realização de atividades culturais, como a Série Lunar. O período também foi marcado pela eleição de uma nova diretoria da ABI, em setembro.

No campo da cultura e da preservação da memória, o relatório aponta ações de manutenção e tratamento dos acervos do Museu de Imprensa e da Biblioteca de Comunicação Jorge Calmon. No Museu, foram higienizados mais de mil documentos, 229 livros passaram por restauro e 170 documentos do acervo fotográfico foram catalogados no sistema PHL. Também foi destaque uma oficina de conservação e restauro, com 12 participantes. Houve o trabalho de preservação de fotografias do acervo de Walter da Silveira, o lançamento da segunda etapa do site dedicado ao crítico baiano, além da organização de documentos doados pelo diretor de Cultura da ABI, Nelson Cadena.

A área de comunicação manteve atividades de cobertura de eventos, produção de conteúdo, atualização do site e das redes sociais, relacionamento com a imprensa, o gerenciamento de publicidade do site institucional, entre outras atividades. O relatório destaca que o alcance das plataformas digitais da ABI demonstra o interesse do público pelas iniciativas promovidas pela entidade.

O relatório apresentado pela presidente Suely Temporal aponta, como perspectivas para o próximo exercício, o enfrentamento da escassez de recursos financeiros, a otimização dos recursos humanos e a necessidade de elaboração de um organograma que estabeleça hierarquias, fluxos e funções dos cargos.

Prestação de contas

A prestação de contas ocorreu em um contexto de restrições financeiras enfrentadas pela instituição. De acordo com o relatório, a ABI manteve um plano de contingenciamento, com redução de despesas, enquanto o Museu de Imprensa e a Biblioteca Jorge Calmon seguiram com funcionamento reduzido e por demanda. Algumas iniciativas também foram suspensas, como a reestruturação do Museu Casa de Ruy Barbosa, ao mesmo tempo em que a Série Lunar passou a contar com patrocínio.

Após a apresentação do relatório, o presidente da Assembleia Geral da ABI, Walter Pinheiro, realizou a leitura do parecer do Conselho Fiscal sobre as contas do exercício. O documento, conforme apresentado na sessão, registra que, após o exame da documentação, das peças contábeis e dos respectivos comprovantes, os conselheiros consideraram os registros devidamente discriminados e regulares, recomendando a aprovação das contas pela Assembleia Geral.

Submetidos à apreciação dos associados presentes, o relatório de atividades, as contas e o parecer do Conselho Fiscal foram aprovados pela Assembleia Geral Ordinária.

Ao final da votação, Walter Pinheiro parabenizou a gestão da ABI e ressaltou o trabalho desenvolvido em um período marcado por dificuldades financeiras. Ele destacou a transparência na apresentação das informações e a disponibilidade das contas para consulta dos associados ao longo do exercício.

Na avaliação da gestão, o período também consolidou avanços institucionais, com ampliação das relações da ABI e novas colaborações com empresas, governos e organizações do terceiro setor. O relatório destaca ainda a atualização do Protocolo Antifeminicídio, que será lançado em breve, e aponta a preparação da entidade para o seu centenário.

publicidade
publicidade
ABI BAHIANA

ABI participa de homenagem da ALB ao centenário do jornalista Ariovaldo Matos

A Associação Bahiana de Imprensa, participou ontem (24/07), na Academia de Letras da Bahia, da abertura das celebrações dos 100 anos de nascimento do jornalista e escritor Ariovaldo Magalhães Matos. Baiano de Salvador, nascido em 24 de agosto de 1926, Ariovaldo foi preso pela ditadura militar em 1964, condenado, em 1970, pela Lei de Segurança Nacional e faleceu aos 62 anos, em 8 de julho de 1988 deixando como legado uma grande obra não apenas no jornalismo mas também na literatura e na dramaturgia.

Ariovaldo foi redator e chefe de reportagem do jornal O Momento, fundado em 1945, e que era o porta-voz oficial do Partido Comunista. Fundou os semanários Folha da Bahia e Sete Dias; e o Jornal IC, em sociedade com José Gorender e Maurício Naiberg — autor de “Dez Dias que Abalaram a Imprensa da Bahia”. Exerceu a crônica política na Rádio Cultura e foi responsável pela formação de uma excepcional geração de jornalistas ao dirigir, também em parceria com Gorender, a “Escolinha de Jornalismo”, que foi o núcleo fundacional do Jornal da Bahia, em 1959. Entre esses pioneiros discípulos de Ariovaldo, destacam-se Guido Guerra, Otto Jambeiro, Glauber Rocha, entre outros.

Em sua palestra, a filóloga e professora Mabel Mota destacou a resistência do jornalista Ariolvaldo Matos. “Crítico permanente das mazelas sociais e em defesa da liberdade, contra a censura, durante a ditadura militar instaurada no Brasil a partir de 1964, Ariovaldo colocava muitos palavrões nos seus textos teatrais para que a censura se ativesse somente às questões dos costumes, mantendo a ação política do jornalista,  escritor e empresário de comunicação, mas sempre militante político”, apontou Mabel, cuja palestra teve um sugestivo título: Ariovaldo Matos, o arquivo de um hóspede da tempestade.

Em sua palestra “Ariovaldo Matos: memórias revisitadas”, a professora Edilene Matos, sobrinha do homenageado, comparou o jornalista a um Dom Quixote. “Era um lutador contra os moinhos de vento. Filho do jornalista e boêmio Artur Matos, era um irreverente. Jorge Amado lhe deu de presente uma máquina de escrever. Texto forte, que aponta, inquieta, denuncia no jornalismo, na literatura, nos roteiros de dramaturgia e de cinema”, descreveu a professora.

A presidente da ABI, Suely Temporal agradeceu à Academia de Letras da Bahia pelo convite e destacou a importância de Ariovaldo Matos para o jornalismo baiano e reforçou a parceria entre a ABI e ALB em prol da preservação da cultura e da memória em nosso estado.

Escritor e dramaturgo

Como escritor, Ariovaldo publicou “Corta-Braço” (1955), “A Dura Lei dos Homens” (1960), “Últimos Sinos da Infância” (1965), Os Dias do Medo (1968, mas só publicado em 1979) e “Colagem Desvairada em Manhã de Carnaval” (1981). Para o teatro, escreveu: “A Escolha ou O Desembestado”, “A Engrenagem”, “Irani ou As Interrogações”, “E Todos Foram Heróis, Cada Qual ao Seu Modo” e “O Ringue” – peça proibida pela censura da ditadura militar. Através de seu amigo, o escritor Guido Guerra, postumamente foram  publicadas “A Ostra Azul” (1998); “Anjos Caiados” (2006); e “Cinco Peças e Uma História” (2018).  Além das palestras, a Academia de Letras da Bahia apresenta, na galeria Juarez Paraíso, uma exposição sobre a vida de Ariovaldo Matos.

Fotos: Tetê Marques

publicidade
publicidade