A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) manifesta seu mais veemente repúdio aos atos de violência, intimidação e desrespeito ocorridos nesta quinta-feira, 20 de agosto, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom-UFBA), envolvendo o deputado estadual Diego Castro e integrantes de sua equipe.
A ABI considera inaceitável que o ambiente universitário, espaço por excelência do conhecimento, do pensamento crítico, do debate e da livre circulação de ideias, seja palco de atitudes de intimidação ou violência, sobretudo contra estudantes, professores e servidores no exercício de suas atividades.
Manifestamos nossa solidariedade aos estudantes da Faculdade de Comunicação, em especial ao presidente do Centro Acadêmico, Tobias Muniz, que, segundo relato da UFBA, foi agredido e ficou ferido, bem como ao diretor da Facom, professor Washington Souza Filho, que teria sido desrespeitado e ameaçado ao cumprir sua responsabilidade institucional de preservar a segurança e o funcionamento da unidade.
Para a Associação Bahiana de Imprensa, causa especial preocupação que episódios dessa natureza ocorram justamente em uma Faculdade de Comunicação, espaço dedicado à formação de futuros jornalistas e comunicadores. O jornalismo tem entre seus fundamentos a liberdade de expressão, o respeito às diferenças, o direito à informação e a convivência democrática — valores que precisam ser defendidos dentro e fora das universidades.
A ABI reafirma que divergências políticas e ideológicas são legítimas e próprias de uma sociedade democrática. A violência, a intimidação e a tentativa de transformar o confronto em instrumento de ação política, não.
Ao mesmo tempo em que se solidariza com a comunidade da Facom e com a Universidade Federal da Bahia, a ABI defende a apuração rigorosa dos fatos e a adoção das providências cabíveis pelas instituições competentes.
A universidade pública deve permanecer como território do conhecimento, da pluralidade, da liberdade e do diálogo. Nenhuma divergência justifica a violência.
Associação Bahiana de Imprensa – ABI Salvador, 20 de agosto de 2026
Ao completar 96 anos de existência, a Associação Bahiana de Imprensa atravessou períodos democráticos, momentos de autoritarismo, crises políticas, econômicas, profundas transformações sociais e tecnológicas. Em diferentes momentos, a ABI assumiu a responsabilidade de defender a liberdade de imprensa e o direito à informação, que são pilares fundamentais de qualquer sociedade democrática. Quando a liberdade de imprensa é ameaçada, é a sociedade que perde o direito de conhecer, questionar e fiscalizar aqueles que exercem o poder.
Em quase 10 décadas, a maior contribuição que a ABI tem dado ao longo de sua história seja justamente o fato de manter sua posição de independência e vigilância. A instituição tem o dever de defender a imprensa, mas também de lembrar que a liberdade vem acompanhada de responsabilidade e ética.
Mesmo sendo uma entidade quase centenária, a missão histórica da ABI permanece absolutamente atual, mas os desafios mudaram. Hoje, além de defender a liberdade de expressão e de imprensa, precisamos enfrentar um ambiente de comunicação marcado pela velocidade, pelas redes sociais, pela desinformação e pela circulação massiva de conteúdos sem apuração.
A resposta da ABI não pode ser a censura e nem a tentativa de controlar opiniões. Ao contrário: precisamos de mais liberdade, mais jornalismo profissional, mais educação para a informação e mais responsabilidade na produção e no compartilhamento de conteúdos. Também considero fundamental separar divergência de ataque. O jornalismo precisa ser livre para investigar, questionar e criticar governos, empresas, instituições e qualquer pessoa que exerça uma função pública. Ao mesmo tempo, jornalistas precisam exercer sua atividade com rigor, ética, responsabilidade e compromisso com a verdade dos fatos.
Em um ambiente de polarização tão intensa, a ABI tem sido um espaço de diálogo. Não precisamos pensar todos da mesma maneira para defender princípios comuns. A liberdade de imprensa não pertence à esquerda, à direita ou ao centro. Ela pertence à democracia. E o compromisso com o interesse público está no coração do jornalismo. Uma imprensa forte é aquela que ajuda o cidadão a compreender a realidade, fiscaliza as instituições, dá visibilidade a problemas, pessoas e situações que muitas vezes permanecem invisíveis e amplia o espaço para diferentes vozes da sociedade. A ABI contribui para isso à medida em que possibilita e oportuniza o debate, a denúncia e a crítica para que o jornalismo seja exercido com liberdade, segurança, qualidade e responsabilidade.
A longevidade da ABI está relacionada à sua capacidade de compreender que preservar seus valores e de não permanecer imóvel. A imprensa hoje não é mais aquela de 1930. É muito diferente. Mas, os princípios fundamentais continuam os mesmos: liberdade de imprensa, liberdade de expressão, defesa da democracia, valorização do jornalismo e preservação da cultura e da memória da imprensa baiana. O que muda são os instrumentos, as linguagens e os desafios de cada época.
A ABI tem acompanhado essas transformações da comunicação sem perder sua identidade. É essa combinação entre tradição e capacidade de renovação que faz com que ela se mantenha viva. Temos uma história que precisa ser respeitada, mas o nosso compromisso maior é com o futuro. Por isso temos buscado ser uma entidade cada vez mais plural e diversa. Exatamente como a comunicação é hoje.
Ser a primeira mulher a presidir a Associação Bahiana de Imprensa, depois de 95 anos de história, é uma honra, mas também uma responsabilidade que ultrapassa a dimensão pessoal. A presença de uma mulher na presidência da ABI representa o reconhecimento de uma trajetória construída por muitas jornalistas que vieram antes e que ajudaram a fortalecer a imprensa baiana. Não cheguei sozinha a esse lugar. Há uma história de mulheres que trabalharam e ainda trabalham, muitas vezes enfrentando obstáculos adicionais (apenas por serem mulheres), para conquistar seu espaço no jornalismo.
Espero que essa presença também sirva como estímulo para as novas gerações. Que meninas e jovens jornalistas possam olhar para a presidência da ABI e compreender que os espaços de liderança também lhes pertencem. Acredito ainda que diferentes experiências e perspectivas enriquecem uma instituição. Uma gestão conduzida por uma mulher não precisa ser definida apenas pelo gênero, mas certamente pode trazer novos olhares para temas como inclusão, diversidade, participação, renovação geracional e, porque não, alguma leveza.
Até o centenário que ocorrerá em agosto de 2030, temos um caminho importante a percorrer. Entre nossas prioridades estão a aproximação com as novas gerações de jornalistas, o fortalecimento do diálogo com universidades e instituições de ensino, a valorização dos profissionais que atuam em diferentes plataformas e a ampliação dos espaços de debate sobre os desafios contemporâneos da comunicação.
Também queremos fortalecer a programação cultural e institucional da ABI ampliando iniciativas como a Série Lunar – uma parceria com a Escola de Música da Ufba – aproximar cada vez mais a sociedade do nosso patrimônio histórico e ampliar a visibilidade do acervo que esta instituição preserva. A ideia é que a ABI seja, cada vez mais, uma casa aberta: aberta aos jornalistas, profissionais da comunicação, aos estudantes, aos pesquisadores, às diferentes gerações e à sociedade. Uma instituição com 96 anos de história deve olhar para trás com respeito, mas também precisa olhar para frente com coragem.
Encaro como minha a tarefa preparar a entidade para que ela consiga chegar lá e celebrar dignamente esse marco tão importante. Para isso, o principal desafio é a sustentabilidade financeira. Temos avançado nas negociações com a prefeitura que é inquilina do nosso edifício sede, quanto ao reajuste do aluguel que está congelado há 11 anos. Por outro lado, temos atuado no aumento da base de associados. Também temos as cotas de patrocínio do nosso site e a nossa revista Memória da Imprensa, cujo projeto pretendo retomar no próximo ano.
Outros desafios importantes são a reabertura do Museu da Imprensa Baiana, a restauração e reabertura do Museu Casa de Rui Barbosa, implantando da Casa da Palavra Rui Barbosa, projeto gestado pelo meu antecessor e colega Ernesto Marques. Também esse edifício, Ranulfo Oliveira é uma jóia que precisa de atenção. Como se não bastasse abrigar a nossa sede, ele abriga a biblioteca Jorge Calmon, especializada em jornalismo e comunicação, o laboratório de restauro de documentos, livros e periódicos e uma curiosidade: no sexto e sétimo andares, que conta com pé direito duplo, funcionou o plenário da Assembleia Legislativa antes de ir para o Centro Administrativo da Bahia. Nesse mesmo andar, na parte externa, contamos com um painel de Mário Cravo Jr.
Uma entidade com essa história e esse patrimônio precisa encontrar formas de garantir sua manutenção e, ao mesmo tempo, ampliar sua capacidade de atuação. Por isso temos buscado também apoio no setor privado pois temos ainda uma responsabilidade enorme com a memória. A ABI guarda parte importante da história da imprensa baiana e, consequentemente, da própria história da Bahia. Preservar, organizar, digitalizar e democratizar esse patrimônio é uma missão que está entre nossas prioridades. Quero que cheguemos ao centenário não apenas celebrando 100 anos de existência, mas apresentando uma instituição fortalecida e preparada para os próximos 100. O centenário não deve ser apenas um ponto de chegada. Deve ser o ponto de partida para um novo ciclo da ABI.
Texto originalmente publicado no site Notícia Capital, em 16 de agosto de 2026
*Suely Temporalé Presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), jornalista especializada em Marketing e Propaganda e em Convergência Midiática, sócia-diretora da AT – Comunicação Corporativa.
Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
A noite de lua cheia do dia 26 de agosto será acompanhada pelos sons do Quarteto de Flautas da Bahia. Próxima atração da Série Lunar, o grupo se apresenta às 19h, no Auditório Samuel Celestino, na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), no Centro Histórico de Salvador. Formado por músicos vinculados à Universidade Federal da Bahia (UFBA) e à Universidade Federal de Sergipe (UFS), o quarteto leva ao público um repertório que percorre diferentes universos da música, aproximando tradição erudita, produção brasileira e arranjos especialmente concebidos para quatro flautas.
Entre a sonoridade das flautas e a paisagem do Centro Histórico, a Série Lunar mantém sua proposta de fazer da sede da ABI um lugar de encontro, escuta e valorização da cultura. A proposta é oferecer aos alunos a oportunidade de apresentar seus trabalhos ao público, fortalecendo a experiência artística e o desenvolvimento profissional por meio da prática de palco e da troca com a audiência. A apresentação do Quarteto de Flautas da Bahia é gratuita e aberta ao público.
Integram o quarteto os flautistas Lucas Robatto, João Liberato, Leandro Oliveira e Rafael Dias. O conjunto foi criado com o propósito de contribuir para o fortalecimento da cultura da flauta transversal e reúne diferentes experiências de formação, ensino e atuação profissional. Em sua trajetória, o grupo vem se dedicando à divulgação da música brasileira e à criação de novas possibilidades para a formação camerística.
O repertório do Quarteto de Flautas da Bahia é marcado pela diversidade e inclui peças do universo erudito e popular, além de composições e arranjos escritos especialmente para o conjunto. Entre os trabalhos mais recentes estão dois EPs lançados nas principais plataformas digitais, com gravações inéditas de obras de compositores importantes da música brasileira, como Paulo Costa Lima, Ernst Widmer, Alfredo Moura e Fernando Cerqueira.
Professor da Escola de Música da UFBA e flautista principal da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), Lucas Robatto possui formação pela Escola Superior de Música de Karlsruhe, na Alemanha, e doutorado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos. João Liberato é professor do Departamento de Graduação em Música da Universidade Federal de Sergipe e doutor em Música pela UFBA e pela Lund University/Malmö Academy of Music, na Suécia. Leandro Oliveira é formado pelo Conservatório Dramático e Musical de Tatuí e pela Unesp, tendo atuado como flautista principal da Sinfônica Heliópolis e colaborado com importantes orquestras brasileiras. Rafael Dias é graduado e mestre em Flauta Transversal pela UFBA e atualmente doutorando em Performance Musical pela instituição. Também integrou o NEOJIBA e atua como performer e compositor.
Música, universidade e memória
A apresentação integra a programação da Série Lunar, projeto que nasceu da parceria entre a ABI e a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (Emus/UFBA). Desde 2019, a iniciativa promove concertos com professores, servidores técnico-administrativos e estudantes ligados à instituição, transformando o Auditório Samuel Celestino em espaço de encontro entre a produção acadêmica, a cena musical e o público de Salvador.
Realizada tradicionalmente nas noites de lua cheia, a Série Lunar também se consolidou como uma iniciativa de ocupação cultural do Centro Histórico. Ao longo dos anos, o projeto recebeu diferentes formações e artistas da Emus, criando uma programação regular dedicada à música e aproximando a universidade da sociedade.
A continuidade da iniciativa ganhou um importante reforço a partir de 2024, quando a Série Lunar passou a contar com o apoio de empresas e instituições comprometidas com a cultura e a educação. Em 2026, projeto tem o apoio da Associação Cultural Brasil–Estados Unidos (ACBEU), parceira que tem contribuído para a manutenção da programação.
Reconhecida pela Embaixada e pelos Consulados dos Estados Unidos no Brasil como American Space na Bahia, na categoria de centro binacional, a ACBEU atua há décadas nas áreas de educação, ensino de idiomas e difusão cultural. O apoio à Série Lunar integra esse compromisso com iniciativas que ampliam o acesso à cultura e fortalecem espaços de formação e convivência em Salvador.
SERVIÇO
Série Lunar 2026 – Quarteto de Flautas da Bahia Dia: 26 de agosto | 19h Local: Auditório Samuel Celestino – 8° andar do Edifício Ranulfo Oliveira, Rua Guedes de Brito, 1 – Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador Entrada gratuita
Salvador volta a sediar o Festival FALA!, um dos principais encontros dedicados ao jornalismo de causas e à comunicação comprometida com o interesse público no Brasil. Em sua sétima edição, que acontece entre os dias 20 e 22 de agosto, o festival homenageará o geógrafo Milton Santos e a educadora Ana Célia da Silva, terá uma programação inspirada na obra “Imaginários Emergentes e Mulheres Negras”, da pesquisadora Rosane Borges, e reunirá nomes como a estilista Mônica Anjos, além de jornalistas, pesquisadores, comunicadores populares, artistas, estudantes, coletivos e organizações de diversas regiões do país. As inscrições são gratuitas e já estão abertas.
Com o tema “Comunicação que atravessa o tempo e as telas”, a edição propõe uma reflexão sobre quem produz informação, como as mídias independentes têm se reinventado diante das transformações tecnológicas e de que forma memória, afeto e comunidade permanecem centrais na construção de narrativas conectadas aos territórios e às causas sociais.
Mais do que um festival de jornalismo, o FALA! consolidou-se como um espaço de encontro entre comunicação, arte, cultura e mobilização social. A proposta é promover um diálogo em equidade entre jornalistas, comunicadores populares, artistas, pesquisadores e representantes de diferentes territórios, reconhecendo saberes diversos e ampliando o espaço para vozes historicamente invisibilizadas pela mídia tradicional. Ao reunir diferentes perspectivas em uma mesma programação, o festival fortalece formas mais plurais, democráticas e representativas de produzir e compartilhar informação.
Após passar por cidades como Belém, Recife e Brasília, o evento retorna à capital baiana reafirmando seu compromisso com territórios marcados pela diversidade cultural, pela força dos movimentos sociais e pelo protagonismo das populações negras e periféricas.
“Salvador teve um papel fundamental na construção da identidade do Festival FALA!. Por ser uma cidade diversa e multicultural, ela dialoga diretamente com a proposta do evento. Foi na primeira edição, realizada na capital baiana, que consolidamos o entendimento do que queríamos construir como um festival de comunicação, culturas e jornalismo de causas. A experiência em Salvador ajudou a moldar o FALA! e, depois dela, seguimos para Recife, Belém e Brasília. Voltar agora para Salvador representa um retorno ao nosso ponto de partida e às origens dessa trajetória”, destaca Antônio Junião, diretor do Instituto FALA!.
Nesta edição, o Festival FALA! prestará homenagem ao intelectual Milton Santos e à educadora Ana Célia da Silva, referência nacional na educação antirracista e uma das principais responsáveis por impulsionar mudanças que contribuíram para a criação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas.
Realizado pelo Instituto FALA!, organização sem fins lucrativos criada por Alma Preta Jornalismo, Marco Zero Conteúdo e Ponte Jornalismo, o festival reúne organizações que são referência nacional na produção de jornalismo de causas e na defesa do direito à informação.
Serviço
Festival FALA! 2026 – 7ª edição Data: 20 a 22 de agosto de 2026 Local: Salvador (BA) Ascom: (71) 99283-8259 – Bruna Rocha