A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) sediou, nesta quinta-feira (5), a cerimônia de posse da nova diretoria da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) na Bahia. O encontro, voltado a associados e convidados, marcou a chegada de Cristina Barude à diretoria regional da entidade, sucedendo Monique Melo, que esteve à frente da Abracom Bahia nos últimos quatro anos. O evento foi encerrado com a palestra “Reputação em Tempos de Inteligência Artificial”, ministrada pelo presidente da Abracom e CEO da CDN Comunicação, Fábio Santos.
A solenidade reuniu no Auditório Samuel Celestino, 8º andar da ABI, representantes do poder público, dirigentes de entidades da comunicação e empresários do setor. Entre os presentes estavam Daniel Maciel Ribeiro, coordenador Geral de Mídias Digitais da Secretaria de Comunicação Social (Secom), representando o secretário de comunicação do Governo da Bahia, Luciano Suedde; Lília Lopes, diretora de Publicidade da Prefeitura de Salvador, representando o prefeito Bruno Reis e a secretária municipal de Comunicação, Renata Vidal; Marcelo Sacramento, vice-presidente do jornal Tribuna da Bahia; e Fernanda Gama, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba).

A presidente da ABI, Suely Temporal, conduziu a cerimônia e deu as boas-vindas aos participantes, destacando a relação de proximidade entre as duas instituições e as perspectivas para a nova gestão. “É um prazer poder sediar a posse da nova diretoria regional da Abracom. Somos entidades irmãs. Parabenizamos Monique pelas realizações e desejamos que Cristina, uma profissional conhecida e respeitada no meio, faça uma excelente gestão, aproximando cada vez mais as duas entidades”, afirmou Suely.
Após quatro anos à frente da Abracom Bahia, a jornalista Monique Melo transmitiu a diretoria a Cristina Barude. Ao fazer um balanço de sua gestão, Monique ressaltou o crescimento da participação feminina na entidade, o fortalecimento do associativismo e as iniciativas de capacitação e diálogo com instituições de ensino e o poder público.

“É uma felicidade incrível uma mulher passando para outra mulher. Crescemos em 30% o número de associadas, nos unimos muito e mostramos a força da Bahia para o Brasil. Também fizemos capacitação, tivemos muito diálogo e relacionamento, não só com a Universidade Federal da Bahia, como também com o governo do estado, para fortalecer o nosso mercado”, destacou.
Monique também ressaltou que a nova diretora dará continuidade a um trabalho pautado pela valorização de uma comunicação ética e de qualidade. “Cristina vai ser a continuidade de um trabalho que reforçou a comunicação ética, de qualidade, de excelência e de empatia, que é o que a Bahia sabe fazer de melhor”, afirmou.

Ao assumir a diretoria regional, Cristina Barude agradeceu à antecessora pelos ensinamentos e pela parceria durante o processo de transição. A nova dirigente também reconheceu a confiança das associadas que indicaram seu nome e se comprometeu a honrar a responsabilidade assumida.
“Agradeço a Monique Melo, que muito me ensinou nesse período em que esteve à frente da regional Bahia. Conseguimos construir uma dupla muito boa, organizar este evento, esta transição e as outras etapas que vivemos juntas, com a divulgação e a aproximação maior com o nosso mercado”, declarou a nova diretora estadual. Cristina também agradeceu às associadas pela indicação e confiança, além dos convidados que prestigiaram a cerimônia.
Inteligência artificial amplia o papel estratégico da imprensa
Na palestra “Reputação em Tempos de Inteligência Artificial”, Fábio Santos abordou as transformações provocadas pelas ferramentas de IA na circulação de informações e na formação da opinião pública. Para o dirigente, a expansão dos mecanismos de busca e das plataformas de inteligência artificial torna a reputação digital um ativo ainda mais estratégico para empresas e instituições, e recoloca o jornalismo profissional em posição de destaque na construção da credibilidade.
Segundo Santos, as ferramentas de IA não produzem apuração jornalística própria: elas consultam, selecionam e sintetizam conteúdos disponíveis na internet, atribuindo diferentes níveis de credibilidade às fontes utilizadas. O palestrante citou uma pesquisa da BBC segundo a qual 45% das respostas produzidas por inteligências artificiais ao resumir notícias do dia apresentaram informações incorretas. O dado, segundo ele, evidencia a necessidade de atenção à qualidade e à confiabilidade das fontes que alimentam esses sistemas.
A imprensa profissional ganha, segundo ele, relevância por características como independência, apuração, responsabilidade editorial, identificação dos autores e histórico de credibilidade. Santos também destacou que veículos jornalísticos já aparecem em grande parte das respostas fornecidas pelas plataformas de IA. De acordo com os dados apresentados durante a palestra, em 84% das respostas analisadas havia pelo menos uma referência a um veículo de comunicação.

“O papel da imprensa é reforçado”, observou. Para ele, a credibilidade construída pelo jornalismo não pode ser substituída por estratégias de visibilidade artificial ou pela simples contratação de publicidade. O conteúdo pago, explicou, tende a ter menor influência nas respostas das ferramentas, que procuram fontes capazes de sustentar informações consideradas legítimas. “Legitimidade não se compra, se conquista”, sintetizou.
O palestrante chamou atenção também para a importância dos canais próprios das organizações, como sites e redes sociais. Para que sejam reconhecidos e utilizados pelas ferramentas de IA, esses espaços precisam oferecer informações claras, acessíveis e organizadas, especialmente conteúdos que respondam às dúvidas do público. Uma das recomendações foi identificar as perguntas mais frequentes de clientes e consumidores a partir do atendimento, das redes sociais, das demandas da imprensa e das buscas na internet, transformando essas informações em respostas objetivas.
Outro ponto abordado foi a coerência da comunicação. Santos ressaltou que as mensagens divulgadas no site institucional, nas redes sociais, em entrevistas e nas manifestações dos porta-vozes precisam estar alinhadas. Contradições entre diferentes canais podem gerar incertezas tanto para o público quanto para os sistemas de inteligência artificial. Além da imprensa, especialistas, formadores de opinião e manifestações dos próprios usuários também participam da construção da percepção sobre uma marca.
Ao tratar das tentativas de manipular os resultados das plataformas por meio de redes artificiais de sites e conteúdos que simulam veículos jornalísticos, o presidente da Abracom alertou para os riscos dessas práticas. Além de não oferecerem garantias de resultado, estratégias baseadas em fontes falsas comprometem a própria credibilidade que pretendem construir. Para ele, o caminho legítimo passa pela produção de conteúdo verdadeiro, relevante e compreensível tanto para as pessoas quanto para as máquinas.
Santos observou, ainda, que o monitoramento da reputação nas ferramentas de IA é uma atividade em desenvolvimento. Como as respostas podem variar de acordo com a pergunta e o contexto, não há garantia de resultados fixos ou de controle sobre o que será apresentado ao usuário. Por isso, recomendou acompanhar as respostas e tendências, sem tratar os levantamentos como métricas absolutas.
Tecnologia e responsabilidade humana
A palestra também abordou os impactos da inteligência artificial nas rotinas das agências de comunicação. Na avaliação de Fábio Santos, a tecnologia já proporciona ganhos de eficiência em tarefas como análise de notícias, organização de dados, produção de relatórios e identificação de tendências. Ele relatou que atividades que antes demandavam cerca de meia hora de trabalho podem ser realizadas em aproximadamente dez minutos com o apoio da IA, desde que haja revisão profissional.
Apesar dos avanços, o dirigente apontou competências humanas que considera fundamentais e que devem orientar a formação dos profissionais: julgamento editorial e ético, capacidade crítica, relacionamento interpessoal, construção de estratégias e responsabilidade pelo conteúdo divulgado.
A tecnologia pode organizar grandes volumes de informações e oferecer análises preliminares, mas não substitui a compreensão das circunstâncias específicas de cada organização, a sensibilidade nas relações humanas ou a avaliação necessária para orientar decisões. “Se foi você que passou para frente, a responsabilidade é sua”, enfatizou, ao defender que profissionais e empresas não podem transferir à ferramenta a responsabilidade por erros ou decisões.
Na perspectiva do mercado, Santos também apontou a necessidade de rever modelos de contratação e remuneração dos serviços de comunicação, com maior valorização de estratégias, entregas e resultados, em vez da simples contabilização de horas de trabalho. Ao mesmo tempo, reconheceu os impactos da automação sobre determinadas funções, especialmente as atividades repetitivas, e destacou a abertura de oportunidades para novos serviços, produtos e formas de atuação.
O presidente da Abracom reforçou que a inovação tecnológica não elimina os fundamentos da comunicação. Para empresas e instituições, continuam essenciais a presença constante, a coerência nos diferentes pontos de contato e a disponibilidade para o diálogo. A inteligência artificial modifica os instrumentos e os processos, mas a construção da reputação permanece vinculada à credibilidade, à transparência e à qualidade das relações.







