O presidente da Câmara de Comércio Portugal-Bahia, José Castelo Branco, visitou ontem (30/03) a Associação Bahiana de Imprensa, em Salvador, com o objetivo de fortalecer o diálogo e ampliar a cooperação entre as duas instituições.
Durante a visita, ele percorreu as instalações da ABI, com a presidente da entidade, Suely Temporal, e conheceu o Museu de Imprensa, onde teve contato com parte importante da história do jornalismo na Bahia. A apresentação foi conduzida pelo historiador Pablo Sousa, assistente do museu, que destacou a evolução dos veículos de comunicação no estado e a relevância do acervo preservado pela ABI.
José Castelo Branco também visitou o laboratório de restauração, espaço dedicado à recuperação e conservação de jornais e documentos históricos, além de conhecer o auditório e o arquivo que abriga materiais relacionados a Ruy Barbosa, uma das figuras mais importantes da história intelectual brasileira.
Ao final da visita, o presidente da Câmara apresentou algumas das iniciativas em andamento e ressaltou o interesse em intensificar a relação entre Bahia e Portugal. Entre os projetos destacados, está a proposta de realização de um calendário de eventos bimensais e uma missão empresarial da Bahia para Portugal, com o objetivo de aproximar empresários, estimular parcerias institucionais e abrir novas oportunidades de negócios entre os dois territórios. Também solicitou o apoio da ABI na divulgação das atividades da associação.
“Essa visita reforça o papel da ABI como espaço de preservação da memória da imprensa e também como ponto de articulação para iniciativas que promovam intercâmbio cultural, institucional e econômico”, destacou a presidente Suely Temporal.
A Associação Bahiana de Imprensa lamenta a morte do jornalista José Cerqueira Filho (78), neste sábado (28/03), em Salvador, após enfrentar o tratamento contra um tumor no fígado e um edema pulmonar agudo. Ele deixa a esposa Malu e a filha Júlia. O velório começa às 10 horas deste domingo (29), no Jardim da Saudade. A cerimônia de cremação acontece às 14h.
Formado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA), José Cerqueira trabalhou no jornal A Tarde, onde atuou como colunista de música. Na Telebahia, integrou a equipe de comunicação liderada por Fernando Vita. Foi diretor de Comunicação da Companhia Petroquímica do Nordeste (Braskem). Em Brasília, deixou sua marca na cobertura política.
Amigos e colegas de profissão foram às redes sociais expressar profundo pesar. No meio cultural, o clima é de tristeza, com depoimentos que ressaltam sua ética e compromisso com a profissão. José Cerqueira Filho prestou destacada contribuição ao setor, incentivando ao longo de sua trajetória importantes iniciativas – principalmente quando atuou na Copene -, como o Troféu Caymmi, uma premiação de destaque da música baiana, criada para homenagear o compositor Dorival Caymmi.
Cerqueirinha, como era chamado pelos colegas, era presença certa nas noites de Série Lunar, projeto da ABI em parceria com a Escola de Música da UFBA (Emus), e chegou a contribuir com ideias para captação de patrocínio, ao lado do ex-presidente Ernesto Marques e da jornalista Amália Casal, ex-diretora da ABI que coordenava o evento musical. Ele também participava ativamente das reuniões e demais atos da Associação, como na doação do acervo do periódico A Província (foto).
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) também lamentou a partida de José Cerqueira, exaltando sua passagem marcante pela imprensa e cultura baianas.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia está com inscrições abertas para o seminário de nivelamento que antecede a concessão do registro profissional para repórteres fotográficos e cinematográficos. A atividade será presencial, na sede do Sindicato, com atividades no dia 17 de abril, às 9h, para repórteres cinematográficos, e no dia 24 de abril, também às 9h, para repórteres fotográficos. A carga horária de 4 horas e o investimento de R$ 200,00 para aqueles que forem previamente selecionados.
O nivelamento e a avaliação de capacidade técnica fazem parte de um processo obrigatório anterior ao pedido de registro profissional, seguindo exigências formais do Ministério do Trabalho. Além disso, a iniciativa reforça a preocupação do Sinjorba em indicar para o registro apenas candidatos que comprovem o exercício profissional estabelecido, bem como as condições técnicas necessárias para o desempenho da função.
Para participar, os interessados devem, no ato da inscrição, apresentar cinco trabalhos jornalísticos em veículos de comunicação ou em atividade de assessoria de comunicação, com a devida comprovação. Esse material será analisado pela comissão organizadora do seminário, responsável por avaliar a experiência e a qualidade técnica dos candidatos. Somente após essa etapa os selecionados serão convocados para o nivelamento e a aula prática.
A proposta do seminário é garantir um processo criterioso e qualificado, contribuindo para a valorização dos profissionais da área e para a qualidade do trabalho jornalístico produzido. O nivelamento não qualifica os candidatos para o exercício profissional. Visa oportunizar a quem já exerce a atividade a regularização profissional.
Clique aqui e faça sua inscrição, anexando em espaço próprio a documentação exigida.
“Qual a reportagem que mais lhe deu medo fazer?”. Esta é uma pergunta recorrente em rodas de conversa sobre a profissão, principalmente quando há jovens jornalistas ou estudantes de jornalismo. Ou em entrevistas como a que concedi, dias atrás, para o programa Sala de Imprensa, da TV Câmara. Posso dizer sem hesitar que nunca senti medo de fazer uma matéria. Eu já senti medo depois, confessei à colega Isabela Garrido, a jovem entrevistadora. E o trabalho que mais me causou apreensão foi a cobertura da morte do advogado, professor universitário e filósofo Auto José de Castro,78 anos, assassinado a tiros pelo filho, o professor universitário e médico psiquiatra Breno Mário Mascarenhas de Castro, então com 43 anos.
O crime aconteceu no início da noite de 22 de abril de 2002, uma segunda-feira. Breno morava sozinho em um apartamento do Edifício Catarina Paraguaçu, bairro da Graça. Estava separado da mulher, há um ano. Auto fora ao local tentar convencer o filho a buscar atendimento psiquiátrico, uma vez que ele apresentava sinais de depressão e costumava andar armado. Estava acompanhado do mecânico Diógenes Santos Lopes, amigo da família. Ambos foram recebidos a tiros: Auto foi alvejado cinco vezes no peito e não resistiu. Baleado no abdômen, Diógenes conseguiu sair do local e avisou a polícia. Breno foi preso em flagrante.
O medo que eu sentia não era físico, já que o autor estava preso. Era terror psicológico. Breno conseguiu o telefone do jornal e ligava pra mim do presídio seguidamente. No início, foi bom. O contato me rendeu uma entrevista exclusiva, num momento em que toda a mídia queria falar com ele. Mas o preço a pagar, foi alto. Ele passou a fazer exigências como a de que eu entregasse cartas a uma pessoa com quem ele fantasiava ter uma relação, era agressivo ao telefone e eu não sabia como me desvencilhar.
Às vezes, impossibilitada de atender as ligações por estar envolvida com algum trabalho, eu pedia para dizerem que não estava. Ele não desistia: telefonava seguidas vezes, até que eu atendesse. E começava já em tom de ameaça: “A senhora mentiu para mim, eu não admito mentiras”. Foi tenso. Até que ele foi privado de usar o telefone e eu recuperei minha paz.
Ainda hoje, 20 anos depois, tenho dificuldade em lidar com o assunto. Remexendo meus arquivos, encontrei a entrevista exclusiva que fiz com Breno Mário de Castro, à época recolhido a uma cela especial do Presídio de Salvador, no Complexo Penitenciário, bairro da Mata Escura. A matéria foi publicada em 12 de maio de 2002, um domingo. O título “Estão querendo arguir minha inimputabilidade” dava o tom à conversa que mantivemos durante aproximadamente duas horas, na sala da diretoria da instituição penal. Ele insistia em esclarecer que matou o pai de forma consciente e rechaçava a condição de paciente psiquiátrico.
Em momento algum Breno tentou eximir-se de responsabilidade. Não manifestou arrependimento ou remorso por ter matado o pai. À minha primeira pergunta, sobre como estava se sentindo, respondeu que estava bem, apesar das acomodações desconfortáveis: “(…) até essa rápida adaptação confirma o meu atual estado de tranquilidade: tenho dormido sem medicação (…). Quanto à alimentação, posso dizer que é melhor que a do Hospital Juliano Moreira, na época em que trabalhei lá”.
Ao longo da entrevista, embora acusasse várias pessoas de tê-lo magoado, não chegava a demonstrar sentimentos como mágoa ou rancor. Parecia sempre falar de outra pessoa e não de si. Até mesmo ao mencionar o crime não demonstrou emoções. Justificou o ato como a única forma de se livrar do jugo paterno e disse lamentar ter ferido outra pessoa – o mecânico Diógenes dos Santos Lopes, atingido acidentalmente por um dos tiros disparados por Breno contra o pai. A entrevista alcançou uma grande repercussão, mas não valeu o preço que paguei: ganhei uma matéria e perdi a paz por um longo tempo.
*Jaciara Santos é jornalista, 1ª secretária da Associação Bahiana de Imprensa e repórter especializada na cobertura da área de segurança.
Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)