Blog das vidas

Radialista Jean Rêgo morre em Petrolina após complicações da Covid-19

Um dos mais competentes profissionais de comunicação do Vale do São Francisco faleceu na noite de ontem (20), aos 47 anos, após uma parada cardíaca causada por complicações da Covid-19. O radialista Jean Rêgo havia sido transferido na terça (18) para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital HGU, em Petrolina (PE), onde foi intubado. Com quadro de obesidade e hipertensão arterial, Jean Rêgo estava no grupo de risco por apresentar comorbidades. Infelizmente, Jean teve a sua voz calada pelo vírus, assim como outros comunicadores que partiram vitimados pela Covid-19. Ele deixa esposa e um filho, mãe, irmãos, amigos e admiradores do seu trabalho.

Talentoso, criativo, versátil e bem humorado, Jean Rego despertou bem jovem para a comunicação, com passagens pelas Rádio Cidade AM, a extinta Independência AM e Emissora Rural AM, atual Rural FM, mas marcou época e fez história na Rádio Juazeiro AM Estéreo 1190 KHz, onde trabalhava há cerca de 20 anos e atualmente apresentava os programas Alvorada Nordestina, Giro Policial e Forró da RJ.

O velório e o sepultamento ocorrerão nesta sexta-feira (21), seguindo os protocolos de segurança sanitária em razão da pandemia.

Comoção – A prefeita de Juazeiro (BA) Suzana Ramos, o vice Leonardo Bandeira e a secretária de Comunicação Fernanda Barros lamentam a morte do radialista. “Perdemos um profissional que, apesar de jovem, ajudou a escrever a história de Juazeiro através das ondas do rádio. Neste momento de tristeza, gostaria de lembrar a família sobre a grandeza de seu legado, que permanecerá vivo entre aqueles que amam o rádio”, destacou Suzana.

Leonardo Bandeira lembrou a trajetória de Jean e agradeceu pelos serviços que prestou à sociedade juazeirense. “A comunicação radiofônica da região está de luto diante da perda desse grande profissional da comunicação que prestou relevantes serviços ao rádio juazeirense. Me solidarizo com os familiares e amigos nesse momento e envio condolências a todos“, disse Leonardo Bandeira.

Já a secretária de Comunicação, Fernanda Barros, falou de Jean como um profissional dedicado, que implantou sua marca através do rádio sanfranciscano. “Era um profissional dedicado, com ampla experiência e que implantou como sua marca uma comunicação aguerrida, para bem comunicar com a população do Vale do São Francisco e de toda a Bahia“, afirmou.

Luta pela vacinação

Enquanto comunicadores aguardam o início da vacinação dos profissionais que informam a população em meio à crise sanitária, um profissional do setor morre por dia no Brasil. Esse alerta foi feito na manhã de hoje (21) pelo Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba). Juntamente com a Associação Bahiana de Imprensa e com o Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade do Estado da Bahia, a entidade tem levado aos gestores estadual e municipal da Saúde dados que evidenciam a necessidade de vacinação urgente da categoria.

Ontem (20), a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) publicou no Diário Oficial da Bahia a decisão tomada na reunião de terça-feira (18) que inclui jornalistas de redação e assessorias, radialistas, fotojornalistas, cinegrafistas, radialistas e profissionais de blogs e portais informativos entre os grupos prioritários para a imunização. Ainda na quarta (18), os Ministérios Públicos Estadual e Federal oficiaram a CIB, recomendando que não aprovasse e as secretarias de saúde não executassem vacinação de grupos não previstos no PNO, alegando uma possível violação ao princípio de equidade. De acordo com o Sinjorba, isso gerou insegurança jurídica entre os gestores municipais e provocou um atraso na operacionalização da categoria considerada essencial na pandemia pelo decreto 10.288/2020, publicado em março do ano passado.

*Com informações do Blog Preto no Branco, Blog do Didi Galvão e do jornalista Carlos Brito.

Artigos

Roberto Santos, um homem exemplar

Por Sérgio Gomes*

A vida física, infelizmente, tem prazo de validade. Isso vale para todos, mas deveria ser diferente para alguns, aqueles que contribuem para um mundo melhor, com ética, respeito ao próximo, e honestidade de propósitos. Mas, alguns, verdadeiramente, ficam para sempre, como Roberto Figueira Santos.

Permanecerá pelo legado de retidão e caráter tão difícil de encontrar em homens públicos. Dono de um currículo impressionante, Roberto Santos foi um político diferenciado para o padrão brasileiro. Ouvi uma vez, de importante comentarista nacional, o falecido Carlos Castelo Branco, que o Dr. Roberto deveria ser político na Suécia ou na Suíça. Comparava Roberto ao paulista Herbert Levy, também um homem público diferenciado.

A Bahia foi premiada por haver tido esse homem notável, e preparado, como governador. Realizou a melhor e mais profícua administração pública estadual, sem qualquer mácula de desonestidade na sua primorosa gestão. Tratava o emprego dos recursos públicos com probidade, ciência e exatidão.

Dirigiu o estado sem as arrogâncias e os arroubos que estiveram tão em voga, por um tempo, na vida pública baiana. Jamais perseguiu quem quer que fosse, por mais provocado que tenha sido. Tinha sempre uma postura altaneira, corajosa e firme. Nas escadarias do Palácio da Aclamação manteve o presidente Figueiredo, por longos momentos, dois degraus abaixo, com o braço firme que denotava o seu descontentamento com o general.

Em entrevista ao jornal O Globo teve a independência de afirmar que o regime militar se esgotara e que já estava na hora da mudança, antecipando, de certa forma, o futuro movimento das Diretas Já. Fora do poder, aliou-se às forças que perseguiam a redemocratização do país, como Waldir Pires, Rômulo Almeida, Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, gestores da Nova República.

Sua maior e importante obra, no Governo da Bahia, foi a implantação do Polo Petroquímico, em Camaçari, empreendimento que, por si só, coroaria toda uma gestão. Outra obra muito importante foi o Complexo de Pedra do Cavalo, no rio Paraguaçu, que garantiu, por essas últimas e, pelas próximas décadas, o abastecimento de água na Região Metropolitana de Salvador.

Antenado com a preservação ambiental, Roberto Santos criou o Parque Metropolitano de Pituaçú, sem dobrar-se à imensa pressão realizada pela indústria imobiliária que preferiria lotear a área verde para a construção de prédios residenciais e comerciais.

Espírito liberal e de visão social avançada, liberou os terreiros de candomblé do jugo e da permissão de funcionamento por parte da Secretaria de Segurança Pública. Nomeou, para a Prefeitura de Salvador, um negro, o professor e advogado tributarista Edvaldo Brito. Criou a primeira Secretaria de Comunicação, demonstrando o seu apreço às atividades de jornalismo e marketing político.

Por outro lado, a sua amada mulher e companheira, a saudosa Maria Amélia Menezes Santos, promovia um amplo trabalho em prol da cidadania, dirigindo um vasto programa de inclusão social, provendo documentação civil para muitos milhares de cidadãos até então invisíveis.

Tive a honra de fazer parte do secretariado desse homem exemplar no Governo da Bahia. Fui escolhido para acompanha-lo em todas as viagens nacionais a Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e outros rincões. Pude assim conviver com aquele homem de hábitos simples e cuja importância jamais lhe subiu à cabeça.

Uma vez, depois de irmos a reunião no BNDES, caminhamos pela avenida Rio Branco, no Rio, pois ele me disse que precisava buscar uma encomenda. Chegamos a uma sapataria de portugueses. Assim que chegou o dono do negócio gritou para o andar superior:

— Tragam o sapato do “seo” Roberto Santos.

O gajo nem imaginava que fazia sapatos sob medida para o governador da Bahia. Ele não dizia e muito menos eu o fazia. Talvez por isso ele gostasse de viajar comigo.

De outra vez saíamos de uma entrevista noturna à Tv Educativa, do Rio, e ele, que ainda não havia jantado, pediu para o motorista parar numa loja de lanches do Bob’s, onde comemos hamburgueres, quase na madrugada. Ao invés de ir a um fino e caro restaurante, o governador da Bahia preferiu comer em pé num balcão.

Esse era Roberto Santos.

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*Sérgio Gomes é jornalista e foi Secretário de Estado de Comunicação Social

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)

ABI BAHIANA

ABI emite Nota de Pesar pela morte do professor Roberto Santos

A Associação Bahiana de Imprensa soma-se a todas as instituições e pessoas enlutadas com o falecimento do ex-governador Roberto Figueira Santos, também ex-reitor e ex-professor da Universidade Federal da Bahia. Neste momento de despedida, necessário lembrar e reconhecer a trajetória honrada de um baiano que, ao cumprir longeva e profícua existência terrena, inscreve seu nome entre os maiores dos filhos desta terra.
Por todos os feitos, como intelectual e como político, pelo filho reverente, que teve os primeiros passos iluminados pelo pai, igualmente ilustre e marcante professor Edgard Santos, e soube iluminar a sua família, constituída com D. Maria Amélia Menezes Santos, oferecendo-nos, também, um exemplo dignificante de esmerado pai de família; pela forma sempre respeitosa com que se relacionou com os profissionais e empresas de comunicação social; pela visão acurada de estadista sobre o papel da comunicação pública, que levou à criação da Secretaria Estadual de Comunicação Social; pelo prestígio dado à ciência, em todas as oportunidades que a vida pública lhe ofereceu; pela grandeza de conhecer, com galhardia, os desafios de viver 94 anos; a Associação Bahiana de Imprensa (ABI-Bahia) expressa, neste momento de pesar, a sua gratidão ao professor Roberto Santos e solidariza-se com familiares e amigos, ao tempo em que firma o compromisso público com a memória deste grande baiano.

ABI BAHIANA

ABI lamenta a morte do professor Edivaldo Boaventura

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) lamenta a morte do Professor Edivaldo Machado Boaventura, presidente do Conselho Consultivo da instituição. O escritor e ex-diretor do jornal A Tarde faleceu aos 84 anos, na madrugada desta quarta-feira (22), por complicações de um cateterismo realizado na tarde desta terça, 21. Ele deixa a esposa Solange e os filhos Lídia e Daniel Boaventura. O sepultamento será no Cemitério Jardim da Saudade, nesta quinta-feira (23), às 15h.

O presidente da ABI, Walter Pinheiro, ressalta as contribuições do professor para as áreas da educação e da cultura. “Ele é uma figura muito reverenciada em nossa comunidade, em face do seu talento como professor, homem público, jornalista, escritor e imortal, membro da Academia de Letras da Bahia. Uma personalidade merecedora de reverências na sociedade baiana pela idoneidade e dignidade com que sempre atuou, seja em favor da educação, cultura e jornalismo em nosso Estado”.

O dirigente lembrou do convívio com o colega na ABI. “Extremamente cordial, como era da personalidade do professor Edivaldo. Estou abalado com a notícia, mas ele deixa todo esse legado, principalmente em favor da educação e também pela prática da verdade e do bom jornalismo, como sempre lutou, na medida em que esteve à frente do jornal A Tarde. Perdemos mais um grande nome. Prestamos nossas condolências a Solange Boaventura e à família”, completa Pinheiro.

Edivaldo Boaventura nasceu na cidade de Feira de Santana, no dia 10 de dezembro de 1933. Cursou o ensino secundário no Colégio Antônio Vieira, em Salvador, formou-se em direito e ciências sociais, e obteve a livre docência pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Era mestre e PhD em educação pela Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA).

A trajetória desse semeador de ideias, descrito por Jorge Amado como “o baiano que possui o mais impressionante curriculum vitae”, está registrada no livro “Um cidadão prestante”, do jornalista, poeta e professor Sérgio Mattos. A obra é uma rica entrevista biográfica, na qual Edivaldo Boaventura reafirma o magistério e a educação como objetivos.