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Jornalista da Reuters é forçado a deixar o Iraque após denunciar crimes de guerra

O jornalista Ned Parker, chefe da sucursal de Bagdá da agência de notícias Reuters, foi forçado a deixar o Iraque no fim de semana, depois de ser ameaçado por um grupo paramilitar xiita, em reação a uma reportagem da Reuters sobre o linchamento de um suspeito sob a custódia do Estado Islâmico tinha sido assassinado em Tikrit pela polícia nacional iraquiana. De acordo com ABC News, Parker partiu em segurança do país, depois que seu nome e foto foram difundidos e publicados na internet por pessoas afiliadas às milícias xiitas que pediram sua expulsão ou morte.

Na semana passada, correspondentes da Reuters estavam presentes quando um suspeito do EI foi linchado até a morte por uma multidão de policiais nacionais iraquianos, que gritavam que estavam vingando um coronel morto pelo grupo terrorista. As ameaças contra jornalista Ned Parker começaram em uma página de Facebook iraquiano administrada por um grupo que se chama “The Hammer” e ligada a grupos xiitas armados, segundo fontes de segurança iraquiana. No dia 5 de abril, post e comentários subsequentes pediram a expulsão do jornalista. Um comentarista disse que a morte de Parker seria “a melhor maneira de silenciá-lo”.

Foto: Reuters
Guerras e conflitos no Iraque, Síria e Ucrânia, bem como as insurgências violentas no Paquistão e no Afeganistão reforçam cenário de violência contra jornalistas – Foto: Reuters

As ameaças parecem ser parte de uma luta de poder mais amplo no Iraque. O país está dividido entre a sua maioria xiita, que agora domina o governo, e a minoria sunita, que dominou no âmbito do falecido ditador Saddam Hussein. O primeiro-ministro Haidar al-Abadi, um xiita moderado, está tentando derrotar Estado Islâmico – um ramo sunita radical da Al Qaeda que apreendeu grandes porções de território iraquiano – e, ao mesmo tempo que tenta fazer as pazes com a comunidade sunita mais amplo. Abadi está programado para reunir com o presidente dos EUA, Barack Obama, em Washington, nesta terça-feira (14) para discutir a campanha contra o Estado islâmico.

O assassinato do prisioneiro na frente dos jornalistas é um dos exemplos mais alarmantes dos tipos de crimes de guerra cometidos com aparente impunidade pelas Forças de Segurança iraquianas, como mostrou uma reportagem investigativa da ABC News, que foi ao ar em março. Michael Lavallee, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse: “Nós condenamos todas as formas de intimidação e violência contra os meios de comunicação. A proteção das liberdades jornalísticas é um aspecto essencial de todas as sociedades democráticas”.

Lavallee disse que o Departamento de Estado tinha falado com o escritório do Abadi “para aumentar as preocupações com a atmosfera potencialmente perigosa criada por uma transmissão de editorial em uma rede de televisão iraquiana privada sobre o chefe do escritório da Reuters e do pessoal Reuters no Iraque”. O Departamento de Estado “vai continuar a acompanhar de perto o tratamento da mídia internacional no Iraque e levantar objeções a qualquer forma de intimidação que pode inibir a capacidade dos meios de comunicação para realizar seu trabalho”.

*Informações do Portal IMPRENSA, Reuters e ABC News

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Jihadistas afirmam ter decapitado jornalista. Na Venezuela, jornalista é degolado

Um vídeo com cenas grotescas de uma suposta decapitação está circulando nas redes sociais, desde que o grupo extremista Estado Islâmico (EI) afirmou, nesta terça-feira (19), ter executado o jornalista norte-americano James Foley, de 40 anos, que desapareceu na Síria há dois anos, quando trabalhava como freelancer para vários veículos de comunicação internacionais. Nas imagens divulgadas pelo EI, Foley teria sido obrigado a recitar ameaças contra os Estados Unidos antes de ser degolado. Em um vasto território entre a Síria e o Iraque, o grupo tem decapitado, crucificado e executado sumariamente os considerados ‘infiéis’, impondo uma selvageria cotidiana, onde o trabalho da imprensa é constantemente ameaçado pela violência generalizada.

O vídeo intitulado “Uma Mensagem aos Estados Unidos” é, segundo o EI, uma resposta aos ataques aéreos norte-americanos no norte do Iraque, iniciados no último dia 8, para apoiar as forças militares iraquianas e curdas em suas tentativas de conter o avanço dos jihadistas no país. Foram os primeiros ataques dos EUA no Iraque desde a retirada das tropas do país, em 2011.

James Foley_reproduçãoA estética da barbárie funciona como arma de propaganda para aterrorizar os inimigos e garantir a obediência das populações das cidades conquistadas. “Peço a meus amigos, família e entes queridos que se levantem contra meus verdadeiros assassinos, o governo americano, porque o que vai acontecer comigo é apenas o resultado de sua complacência e criminalidade”, diz o homem, de joelhos, vestido com uma roupa laranja, a mesma cor dos uniformes usados pelos presos de Guantánamo.

O homem com o rosto coberto, então, diz: “Este é James Wright Foley, um cidadão americano, de seu país. Como governo, você tem estado na linha de frente da agressão contra o Estado Islâmico. Hoje, sua força aérea militar está nos atacando diariamente no Iraque. Seus ataques causaram vítimas entre os muçulmanos. Você não está mais combatendo uma insurgência. Nós somos um Exército islâmico e um Estado que foi aceito por um grande número de muçulmanos no mundo todo”.

A Casa Branca mostrou-se terça-feira “horrorizada” com a possível decapitação do jornalista norte-americano James Foley pelo Estado Islâmico (EI), sublinhando que os serviços de inteligência estão a tentar verificar a autenticidade do vídeo difundido pelos jihadistas. “Vimos um vídeo que pretende mostrar a morte do cidadão americano James Foley pelo EI. Se for autêntico, estamos horrorizados com a morte brutal de um jornalista americano inocente”, indicou Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, em comunicado.

O grupo extremista ameaça, ainda, executar um segundo jornalista dos Estados Unidos, Steven Joel Soltof. De acordo com os jihadistas, ele é mantido refém e sua vida “depende da próxima decisão do presidente Barack Obama”. O homem aparece no final do vídeo, também de joelhos e com roupas cor de laranja. Sotloff, colaborador  das revistas Time e Foreign Policy desapareceu na fronteira entre da Síria com a Turquia em julho de 2013.

Segundo informações do jornal The New York Times, quando sumiu, no dia 22 de novembro de 2012, James Foley trabalhava na Síria para o Global Post e para a Agência France Presse, entre outros veículos. Ele desapareceu na província de Idlib e, desde então, nem sua família nem as empresas para as quais trabalhava tiveram notícias dele. Um dos grupos de mídia para o qual Foley trabalhava antes de desaparecer, o Global Post, com sede em Boston, ressaltou que ainda “não foi possível verificar” a autenticidade do vídeo e que o FBI está “estudando o conteúdo” da gravação. A plataforma de apoio criada após o desaparecimento do jornalista, Free James Foley (Libertem James Foley) pediu no Twitter e no Facebook “paciência” até que se obtenham mais informações.

Jornalista degolado na Venezuela

Álvaro Cañizales - Foto: Reprodução
Álvaro Cañizales – Foto: Reprodução

Na América Latina, o panorama não é diferente. A liberdade de expressão, os meios de comunicação e os jornalistas enfrentam um quadro legal cada vez mais restritivo para o exercício do jornalismo, assim como ameaças e agressões. No último sábado (16), o corpo do jornalista Álvaro Cañizales, de 50 anos, foi encontrado degolado, amordaçado e com as mãos atadas, em um riacho do estado Cojedes, na Venezuela. Ele dirigia o Departamento de Comunicação de um programa oficial contra a insegurança na região oeste do país.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que reúne os proprietários e editores dos meios de comunicação do continente, frequentemente alerta sobre a deterioração da liberdade de expressão na Venezuela, apesar de Caracas menosprezar as críticas. A entidade condenou nesta segunda-feira (18) o assassinato do jornalista e pediu que os fatos sejam esclarecidos.

*Informações do El País (Edição Brasil), El Universal, Estado de Minas e Veja.

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Iraque: Às vésperas do Natal, cinco jornalistas morrem em ataque a emissora de TV

Cinco jornalistas morreram no ataque lançado por quatro terroristas suicidas contra uma emissora de televisão local em Tikrit, ao norte de Bagdá, enquanto forças militares iraquianas atacavam acampamentos da Al-Qaeda no oeste do país. Em menos de três meses, nove jornalistas, incluindo cinco em Mossul (ao Norte), foram mortos no Iraque.

As vítimas do ataque contra a televisão em Tikrit são o chefe de redação da emissora de televisão Salahedin, um jornalista, o produtor, o apresentador e o encarregado dos arquivos, informaram fontes policiais, que também indicaram cinco funcionários feridos.

As fontes informaram que as forças de segurança efetuaram outro ataque ao prédio que sedia a emissora Salahedin. Dois dos agressores detonaram os explosivos que levavam junto ao corpo e os outros dois foram mortos pelas forças de segurança. Esta escalada de violência pode ser atribuída à indignação da comunidade sunita, que denuncia uma campanha de repressão por parte do governo, liderado por xiitas.

O país é frequentemente criticado devido a violações à liberdade de imprensa e à impunidade que beneficia os autores de ataques contra jornalistas. Desde 5 de outubro, doze jornalistas morreram em diferentes atentados em várias cidades do Iraque.

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O ano de 2013 foi terrível no Iraque, com uma espiral de violência chegando aos níveis de 2008, quando o país acabava de sair de uma onda de violência religiosa após sua invasão em 2003, liderada pelos Estados Unidos. Mais de 6.650 pessoas morreram desde o começo do ano, segundo um registro feito pela Agence France-Presse (AFP) com dados fornecidos por fontes de segurança e médicas.

Natal sangrento e pedido de paz

Dois ataques a bomba atingiram os cristãos de Bagdá nesta quarta-feira (25). No mais grave deles, a explosão de um carro-bomba na saída da Missa de Natal, numa igreja do bairro de Dora, ao menos 44 pessoas morreram, conforme as autoridades iraquianas. Com o ataque ocorrido no Natal, o número de pessoas assassinadas este mês no Iraque chegou a 441. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 8 mil pessoas foram mortas desde o começo do ano.

Em mensagem de Natal pronunciada nesta terça (24), o papa Francisco lembrou o sofrimento causado pelas “guerras que destroçam tantas vidas” e enumerou locais do mundo onde há conflitos. Da sacada central da basílica de São Pedro, o pontífice concedeu a tradicional bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo, em latim) e frisou que “as crianças são as vítimas mais vulneráveis das guerras”. Diante de cerca de 70 mil pessoas, pediu o fim da violência na Síria e um acordo entre Israel e palestinos. O pontífice também pediu paz na República Centro-Africana, no Sudão do Sul e na Nigéria, países que passam por conflitos internos.

Informações da AFP/Estado de Minas/Folha de S. Paulo