Notícias

Covid-19 mata um jornalista por dia no Brasil

Levantamento realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) mostra que a Covid-19 mata, em média, um jornalista por dia no Brasil. Entre janeiro e abril de 2021, a categoria assistiu à perda de 124 colegas para a doença, uma média de 31 por mês, bem acima da média verificada em 2020, que foi de 8,3 óbitos/mês. No total, já são 213 profissionais mortos.

Os números fazem parte do “Dossiê Jornalistas Vitimados pela Covid-19”, documento elaborado pela Fenaj com a ajuda dos sindicatos de todo o país. Na Bahia, levantamento do Sinjorba (entidade da classe na Bahia) mostra que mais de 350 profissionais contraíram a doença, com o registro de oito mortes. O presidente da entidade, Moacy Neves, acredita que os dados ainda não mostram a situação real. “A pesquisa está em andamento, inclusive coletando e apurando dados anteriores e todos os dias incluímos novas informações ao dossiê”, informa.

Até março de 2021 o Brasil ostentou a primeira posição no mundo em mortes de jornalistas pelos efeitos do coronavírus. No mês, um em cada três profissionais mortos no mundo estava no país. Foi superado a partir de abril pela Índia, nação com uma população 6,6 vezes maior que a brasileira. A Informação está em um levantamento feito pela ONG Press Emblem Campaign, entidade com sede em Genebra (Suíça), que tem acompanhado os casos de Covid-19 no segmento da imprensa em todo o mundo.

Mortes cresceram 124% no setor

Outro estudo publicado este mês pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), “Boletim Emprego em Pauta”, chama muito a atenção e comprova que as mortes no setor de comunicação são maiores do que aparecem. Para organizar o boletim, a organização apurou os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), divulgados pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, e revelou uma situação dramática.

No 1º trimestre de 2020 foram registrados 194 desligamentos por morte de profissionais no setor de Informação e Comunicação. Em comparação aos números do 1º trimestre de 2021, verifica-se que as mortes saltaram para 435, um crescimento de 124,2%.

Na página 5 do estudo, a tabela “Número de Desligamentos por Morte no Emprego Celetista – 1º trimestre de 2020 a 1º trimestre de 2021 – Brasil” mostra que só os campos “médicos” e trabalhadores do ramo de “eletricidade/gás” registraram mais desligamentos por morte que o setor de “Informação/Comunicação”.

“Olhando o que aconteceu no Brasil neste intervalo de um ano entre o fechamento do 1º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021 podemos afirmar que o único motivo que justifica tamanho avanço é a Covid-19”, destaca o presidente do Sinjorba. Para Moacy Neves, isso aconteceu porque, após o arrefecimento da pandemia em outubro e novembro de 2020, os jornalistas que trabalharam em home office a partir de março foram convocados de volta ao trabalho. “Quando a segunda onda chegou no início do ano, apanhou a categoria desprotegida, cumprindo pautas nas ruas ou em redações e estúdios fechados”, conclui ele.

Prioridade

Jornalistas com mais de 40 anos, além de radialistas, cinegrafistas, apresentadores, fotógrafos e blogueiros registrados se tornaram prioridade na vacinação contra a Covid-19 na Bahia. A decisão foi tomada nesta terça (18), durante a reunião da Comissão de Intergestores Bipartite (CIB), que reúne os secretários estadual e municipal de saúde, em uma vitória histórica dos profissionais da imprensa no estado. A inclusão foi resultado de uma forte campanha encampada pelo Sinjorba, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e TV na Bahia (Sinterp) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

A decisão de incluir profissionais de imprensa na lista prioritária foi rebatida pelo Ministério Público do Estado da Bahia, que pediu à CIB que não aprove vacinação para grupos não previstos no Plano Nacional de Operacionalização (PNO) da imunização.

Na manhã de hoje, 20, o Sinjorba participou de audiência com o GT Coronavírus do MP-BA e explicou os números que justificaram o pleito de prioridade levado aos gestores de saúde na Bahia e acatado pela Comissão de Intergestores Bipartite (CIB). “Apresentamos todos os números e enviamos oficialmente os documentos (leia o documento). A nossa luta vai continuar. Existe uma recomendação do MP, mas não há nenhuma decisão que suspenda a vacinação. Não queremos essencialidade para morrer no exercício do nosso trabalho, que é fundamental para o entendimento da sociedade sobre a Covid-19″, defende Moacy Neves, presidente do Sinjorba. Segundo o dirigente, Sinjorba, Sinterp e ABI aguardam definição sobre o início da vacinação da categoria.

Links dos documentos
Levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas
https://bit.ly/3yo8XZj

Números da “Press Emblem Campaign” 1
https://bit.ly/3fxNB35

Números da “Press Emblem Campaign” 2
https://bit.ly/3yqt2OM

Boletim Emprego em Pauta (Dieese)
https://bit.ly/2QAEAOr

Pedido Sinjorba Ministério da Saúde
https://bit.ly/2Sb4BnE

*As informações são do Sinjorba

ABI BAHIANA

Sinjorba, Sinterp e ABI buscam reunião para discutir início da vacinação

Jornalistas com mais de 40 anos, além de radialistas, cinegrafistas, apresentadores, fotógrafos e blogueiros registrados se tornaram prioridade na vacinação contra a Covid-19 na Bahia. A decisão foi tomada nesta terça (18), durante a reunião da Comissão de Intergestores Bipartite (CIB), que reúne os secretários estadual e municipal de saúde, em uma vitória histórica dos profissionais da imprensa no estado. A inclusão foi resultado de uma forte campanha encampada pelo Sinjorba, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e TV na Bahia (Sinterp) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

Foram conversas e entendimentos junto às autoridades de saúde do Estado e dos municípios para incluir entre os segmentos prioritários na vacinação contra a Covid-19 os jornalistas e radialistas que estão na linha de frente do trabalho durante a pandemia. Agora, Sinjorba, Sinterp e ABI buscam reunião com gestores para discutir a operacionalização da vacina. “Por enquanto, estão incluídos os profissionais que estão realizando trabalho externo, na linha de frente. A luta pela vacina é a luta por aqueles que estão expostos, os trabalhadores em modalidade presencial”, explicou Moacy Neves.

“Este momento é para celebrar o reconhecimento da relevância da nossa categoria para garantir que as pessoas recebam informação de qualidade. A vitória é estarmos incluídos no rol das categorias prioritárias e vamos seguir na luta para que as outras faixa-etárias também sejam imunizadas”, garantiu o presidente do Sinjorba, Moacy Neves. O Sinjorba agradeceu “a sensibilidade do secretário Vilas Boas e de todos os gestores municipais de saúde, que acolheram os argumentos da entidade, reconhecendo o alto grau de adoecimento dos profissionais de imprensa, dada à enorme exposição a que são submetidos durante a execução de seu trabalho”, afirmou o dirigente.

Mortes de jornalistas por Covid-19

O jornalista e radialista Ernesto Maques, presidente da Associação Bahiana de Imprensa, ressaltou a importância da conquista, alcançada no mesmo dia em que o relatório da organização Press Emblem Campaign (PEC) registrou pelo menos 194 mortes de profissionais de imprensa desde março de 2020 no Brasil. O país liderava a lista de países com maior números de óbitos de jornalistas por Covid-19, mas foi ultrapassado pela Índia, com 200.

“Além da importância para uma das categorias mais expostas e mais vitimadas pela covid-19, a inclusão nos grupos prioritários fortalece nossas entidades, especialmente o Sinjorba, que liderou o processo”, observou. “Estaremos mais seguros para cumprir nossa missão e, desta forma, seguiremos contribuindo com informação qualificada para a superação da pandemia, cobrando vacinas para toda a população”, concluiu Marques.

O secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, explicou que “a ideia é proteger os profissionais que estão em risco nesta classe essencial para a sociedade”. Na reunião de ontem (18), ficou definido que 70% das doses recebidas serão destinadas à continuidade da vacinação de grupos prioritários definidos no Plano Nacional de Imunização. Os demais 30% serão usados para vacinar a população em geral, com idade de 59 a 18 anos, de forma escalonada. A decisão da CIB será publicada no Diário Oficial do Estado na próxima quinta-feira (20).

*Com informações do Sinjorba

Notícias

Sinjorba convoca categoria a vestir azul pela vacinação contra a Covid-19

O Sinjorba está convocando os profissionais de imprensa para vestirem azul nesta quarta (19), Dia de Luta da categoria em defesa da vida. Além disso, é importante utilizar a hashtag #VacinaJa, nas redes sociais, especialmente nas publicações que fizerem referência à campanha da categoria. Juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e TV na Bahia (Sinterp) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI), o Sinjorba têm empreendido gestões junto às autoridades de saúde do Estado para incluir entre os segmentos prioritários na vacinação contra a Covid-19 os jornalistas e radialistas que estão na linha de frente do trabalho durante a pandemia.

O Decreto Federal 10.288, de 22 de março de 2020, no artigo 4º, incluiu a imprensa como serviço essencial durante a pandemia. Diz o texto: “São considerados essenciais as atividades e os serviços relacionados à imprensa, por todos os meios de comunicação e divulgação disponíveis, incluídos a radiodifusão de sons e de imagens, a internet, os jornais e as revistas, dentre outros”.

Porém, o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação, de janeiro de 2021, não incluiu os profissionais de jornal, rádio, TV, blogs e assessorias no rol das categorias prioritárias para a imunização contra a Covid. O mesmo vale para a gripe a H1N1, em cujo programa de imunização também estes profissionais não são indicados.

Para o presidente do Sinjorba, Moacy Neves, a imprensa é serviço essencial e, por isso, seus trabalhadores deveriam merecer dos governos proteção para exercerem seu ofício com segurança. “Os jornalistas e radialistas estão sendo chamados ao trabalho presencial, cumprindo pautas em hospitais, supermercados, filas de vacinação, estações de transporte, entre outros locais de aglomeração, além de ficarem em redações fechadas, com outros colegas, sem direito de se negarem à convocação”, diz ele.

Adoecimento e morte

Moacy diz que o preço pago tem sido alto à categoria. Levantamento preliminar feito pelo Sinjorba mostra que, na Bahia, mais de 300 jornalistas e radialistas contraíram Covid-19, com pelo menos sete mortes confirmadas e registros de repórteres que adoeceram mais de uma vez desde o ano passado. “Os números reais são bem maiores que estes, aos quais seguem-se outros – que estamos organizando-, de colegas com sequelas psicológicas e físicas, um drama para quem precisa encarar a doença de frente de novo, diariamente, na cobertura de pautas específicas ou gerais”, diz o presidente da entidade.

Outro levantamento, feito pela Fenaj, mostrou que, até a primeira semana de abril deste ano, perderam a vida 169 jornalistas, vítimas da Covid-19. Em março, a organização Press Emblem Campaign informou que o Brasil foi responsável por um a cada três jornalistas mortos pela doença, no mês. Foram 47 mortes no país, elevando a 194 o número de óbitos registrados pela ONG, que ainda indicou redução na idade das vítimas, quando comparada a registros de casos anteriores. Quase a metade dos profissionais de imprensa que morreram no período observado tinha entre 40 e 60 anos.

Se jornalistas e radialistas são essenciais para trabalhar, se expondo à Covid-19, é lógico e consequente que deveriam ser prioritários para serem vacinados, diz o Sinjorba. “Espero que os secretários municipais e estadual de Saúde da Bahia tenham sensibilidade na hora de analisar nosso pleito pela vacinação”, reivindica Moacy Neves. Ele diz que o pleito não é um privilégio corporativo e sim o reconhecimento da exposição à doença no trabalho, como acontece com outras categorias de trabalhadores que já estão sendo vacinadas.

Levantamento
O Sinjorba está fazendo dois levantamentos entre os jornalistas. Primeiro uma pesquisa para contabilizar todos os profissionais que adoeceram no Estado, a fim de ter uma noção exata da situação de adoecimento e óbitos na categoria. Uma segunda ação é um cadastramento de todos os que estão em serviço presencial, seja em empresa de comunicação ou em assessorias individuais.

Link da pesquisa.

Link do cadastramento.

Artigos

“Jornalista é ‘essencial’ para trabalhar, mas não é ‘prioritário’ para ser vacinado”, diz presidente do Sinjorba

Por Moacy Neves*

O Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) têm empreendido gestões junto aos órgãos públicos para incluir os profissionais de imprensa, que estão na linha de frente do trabalho, no rol das categorias de trabalhadores consideradas prioritárias no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19. Em nosso estado, a campanha tem a participação do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e TV na Bahia (Sinterp) e da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

O decreto federal 10.288/20, no artigo 4º,  incluiu a imprensa como serviço essencial durante a pandemia: “São considerados essenciais as atividades e os serviços relacionados à imprensa, por todos os meios de comunicação e divulgação disponíveis, incluídos a radiodifusão de sons e de imagens, a internet, os jornais e as revistas, dentre outros”.

Porém o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação, de janeiro de 2021, não incluiu os profissionais de jornal, rádio, TV, blogs e assessorias no rol das categorias prioritárias para a imunização contra a covid. O mesmo vale para a gripe a H1N1, em cujo programa de imunização também não somos indicados.

As empresas e contratantes dos serviços destes profissionais usam bem o decreto de março de 2020. Jornalistas e radialistas, sem direito à negativa, vão a unidades de saúde, supermercados, centros comerciais, terminais de transbordo, feiras e outros pontos com possibilidade de aglomeração para produzir matérias. Muitas vezes, fazem isso sem receber equipamentos de proteção adequados, como a máscara N95, e, ainda, se deslocando através de transporte comunitário, como táxi e carro por aplicativo.

Os que trabalham como assessores de imprensa em empresas, organizações sociais e órgãos governamentais, que inicialmente puderam desenvolver atividades de forma remota, já estão sendo convocados para o serviço presencial. Também vulneráveis ao novo coronavírus em ambiente de trabalho, ficam em salas fechadas e sem a observância de rígidos protocolos de prevenção. Além disso, fazem cobertura de atividades de seus assessorados, como é o caso de profissionais que prestam serviço a instituições do governo e de prefeituras, acompanhando gestores em reuniões e eventos.

Essa exposição tem cobrado um preço alto. Um levantamento feito pela Fenaj mostrou que, até o final de janeiro deste ano, perderam a vida 94 jornalistas, vítimas da covid-19. Em março, a organização Press Emblem Campaign informou que o Brasil foi responsável por um a cada três jornalistas mortos pela doença no mês. A ONG ainda levantou que a idade das vítimas está sendo menor, quando comparada a de registros de casos anteriores. Quase a metade dos profissionais de imprensa que morreram no período observado tinha entre 40 e 60 anos. Ou seja, são colegas que estão na ativa.

Já venceu o prazo para as autoridades brasileiras tratarem o pleito da vacinação dos profissionais de imprensa como uma necessidade real e não como um privilégio corporativo. Na Assembleia Legislativa da Bahia, já há um projeto de lei neste sentido, além de outros cinco projetos de indicação. As câmaras de vereadores de Salvador e de Vitória da Conquista também já aprovaram matérias semelhantes.

Se jornalista e radialista são “essenciais” para trabalhar, é lógico e consequente que deveriam ser “prioritários” para serem vacinados.

Com a palavra, o presidente da República, o governador do Estado e os prefeitos.

>> Texto originalmente publicado no site Bahia Notícias (ver).

*Moacy Neves é presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).