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No Dia dos Namorados, SPM divulga alerta sobre relacionamento abusivo

A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) resolveu aproveitar as celebrações do Dia dos Namorados para lançar um importante alerta sobre relacionamentos abusivos. A campanha #NãoéAmorQuando aposta em peças coloridas, vídeos e infográficos para conscientizar sobre violência contra a mulher.

Pela Lei Maria da Penha, é considerado crime contra a mulher a violência psicológica, moral, sexual, patrimonial ou física. De acordo com a SPM, há uma vasta literatura que aponta sinais clássicos de comportamentos abusivos e violência psicológica. As mulheres podem se identificar com algum ou alguns deles.

Foi o caso da educadora Tulipa*, 42 anos, cuja história foi contada através de uma matéria do jornal Correio*. A professora chegou a dar aula em três universidades ao mesmo tempo, é mãe de três filhos e estava casada havia 15 anos. Mas percebeu que estava em uma relação tóxica quando começou a adoecer. Gastrite, esofagite, pedras na vesícula e hemorroidas se juntaram ao diagnóstico de uma depressão profunda e de uma ansiedade generalizada. “Minha vontade, na época, era de ter um câncer maligno e morrer”, contou em depoimento ao veículo.

Embora não houvesse agressão física, ela era vítima de chantagens, perseguições, espionagem. Para romper o ciclo violento, ela levou o caso à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e procurou a instituição Loreta Valadares, centro de referência municipal que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica. Chegou lá, apavorada. O caso está nas mãos da Justiça agora.

A Secretária Especial de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, afirma que muitas mulheres sofrem violência e não se dão conta. Quando são xingadas, são expostas em grupos, têm sua autoestima ferida ou até mesmo perdem a autonomia sobre seu patrimônio”, explica.
“É importante deixar claro que as mulheres têm ajuda. Hoje, em todo o Brasil, atendemos milhares de mulheres pelo Ligue 180 tirando dúvidas e informando sobre as leis e a Rede de Atendimento à Mulher”, explica a secretária Fátima Pelaes.

Qualquer pessoa que precisar de informações ou queira fazer denuncia de um relacionamento abusivo, pode ligar de forma gratuita e anônima para o Ligue 180. Em 2016, o Ligue 180 realizou mais de um milhão de atendimentos (1.133.345), 51% a mais do que os registros de 2015. Do total, 12,3% relatam violência, sendo a física em primeiro lugar (50,70%), seguida da violência psicológica (31,80%).

Saiba onde se pode buscar ajuda

  • Centro de Referência Loreta Valadares (CRLV) Praça Almirante Coelho Neto, nº 1, em frente à Delegacia do Idoso – Barris. Telefone: (71) 3235-4268
  • Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Atende famílias em situação de vulnerabilidade social. Telefones: (71) 3115-9917 (Coordenação estadual) e (71) 3202-2300 (Coordenação municipal)
  • Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social) Atende pessoas em situação de violência ou de violação de direitos. Telefones: 3115-1568 (Coordenação Estadual) e 3176-4754 (Coordenação Municipal)
  • Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) Ambas ligadas à Polícia Civil da Bahia – Em Brotas, na Rua Padre José Filgueiras, s/n – Telefone: (71) 3103-7000; e em Periperi, na Rua Doutor José de Almeida, Praça do Sol – Telefone: (71) 3117-8217.
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RSF homenageia jornalistas mulheres e destaca os riscos da profissão

Nos últimos 20 anos, o número de mulheres na profissão de jornalista aumentou. Mas elas correm, em muitos casos, mais perigos que os homens e ainda devem enfrentar muitos preconceitos, pois a posição das mulheres nos meios de comunicação sempre é o reflexo do lugar que ocupam na sociedade onde vivem. Para alertar sobre os riscos a que estão expostas as mulheres jornalistas e defensoras dos direitos humanos, a organização Repórteres Sem Fronteira (RSF) prestou uma homenagem nesta quinta-feira (5/2) às profissionais de todo o mundo. O grupo lembrou o Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo domingo (8/3), para destacar o papel de profissionais que lutam pela liberdade de imprensa em diversos países, onde são vítimas de violências, prisões, intimidações e censura.

A RSF destacou ainda uma lista de dez jornalistas que, segundo a organização, são exemplos de compromisso com a liberdade de informação: Zaina Erhaim (Síria), Farida Nekzad (Afeganistão), Hla Hla Htay (Myanmar), Marcela Turati (México), Noushin Ahmadi Khorasani (Irã), Mae Azango (Libéria), Khadija Ismayilova (Azerbaijão), Brankica Stankovic (Sérvia), Solange Lusiku Nsimire (República Democrática do Congo) e Fatima Al Ifriki (Marrocos).

 A repórter fotográfica Monique Renne, do Correio Braziliense, atingida por jatos de spray de pimenta enquanto cobria manifestações no feriado de 7 de Setembro de 2013, em Brasília - Foto: Fábio Braga

A repórter fotográfica Monique Renne, do Correio Braziliense, atingida por jatos de spray de pimenta enquanto cobria manifestações no feriado de 7 de Setembro de 2013, em Brasília – Foto: Fábio Braga

Em nota, a organização chamou atenção também para os perigos que correm muitas dessas profissionais em países onde investigações jornalísticas terminam de forma trágica. “O Plano de Ação das Nações Unidas para a segurança de jornalistas e a questão da impunidade exige um enfoque “sensível ao gênero”. Esse foco precisa ser aplicado urgentemente”, cobrou a RSF. Para a entidade, algumas regiões no mundo devem ser objeto de uma atenção particular quanto à proteção das mulheres no exercício do jornalismo.

Do virtual ao real

No âmbito virtual, as redes sociais têm sido as principais plataformas para ameaças e ataques virtuais contra jornalistas mulheres. Segundo a BBC, os “linchamentos virtuais” ganham força principalmente devido a facilidade do anonimato. “Eu recebi centenas de tuítes usando os termos mais obscenos de ameaças de morte e até de estupro”, denunciou a jornalista turca Amberin Zaman. As ameaças começaram depois de sua cobertura sobre os protestos que ocorreram em Istambul, em 2013. Correspondente na Turquia da revista The Economist e colunista do jornal Taraf, ela contou que já “ameaçaram fazê-la sentar em uma garrafa de vidro quebrada” por causa de suas opiniões e textos publicados.

Recentemente, após reportar a repercussão dos atentados na França à redação da Charlie Hebdo e a um mercado kosher a jornalista contou ter sofrido mais uma leva de insultos. “As ameaças me fizeram ficar apavorada, temendo por minha segurança física ao sair nas ruas”, confessou. “As jornalistas do sexo feminino que mais são alvos de abusos geralmente escrevem sobre crimes, política e temas sensíveis à sociedade, como dogmas e tabus”, diz Dunja, Mijatovic, representante do conselho de liberdade de imprensa da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Sexo frágil?

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, dois fatos servem para evidenciar o protagonismo feminino na contemporaneidade e, também, perfilar as fortalezas e fragilidades da mulher pós-moderna. Na Argentina, a ex-mulher de Nisman denunciou que o promotor foi assassinado. Na Rússia, a namorada de Boris Nemtsov é considerada testemunha-chave na morte do opositor russo e estaria sendo ameaçada de morte. Essas duas mulheres podem ser pedras nos sapatos de dois importantes chefes de Estado.

A juíza Sandra Arroyo Salgado e a modelo Anna Duritskaya - Foto EFE/Reprodução
A juíza Sandra Arroyo Salgado e a modelo Anna Duritskaya – Foto EFE/Reprodução

A juíza Sandra Arroyo Salgado, ex-mulher do promotor Alberto Nisman, apresentou na quinta-feira supostas provas de que seu ex-marido foi assassinado. “Alberto Nisman foi morto”, disse Arroyo Salgado em uma entrevista coletiva em San Isidro, um subúrbio de Buenos Aires. Ela é querelante daquele que quatro dias antes de morrer acusou a presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, de suposto acobertamento dos supostos autores iranianos do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994. Arroyo Salgado organizou uma equipe de peritos que trabalhou no último mês e que hoje entregou sua conclusão à juíza do caso, Fabiana Palmaghini. “O relatório descarta com contundência as hipóteses do acidente e do suicídio”, disse. “A morte violenta no contexto político e judicial teve grande impacto na institucionalidade da República, além de pôr em causa o papel do Estado diante da comunidade internacional em matéria de terrorismo”, atacou a ex-mulher.

Já a modelo ucraniana Anna Duritskaya, 23, principal testemunha da morte de Boris Nemtsov, foi proibida de deixar a Rússia pelas autoridades locais que cuidam da investigação do caso. Duritskaya estava com o líder oposicionista quando este foi abatido a tiros a metros do Kremlin. Ambos caminhavam no centro de Moscou após jantarem. Setores da mídia local, que apoiam o governo de Vladimir Putin, dizem que os investigadores não descartam seu envolvimento com a morte – em mais uma das teorias surgidas no fim de semana em Moscou.

Embora parte da oposição aponte o dedo diretamente para o Kremlin, a maioria dos analistas prefere ver o crime como produto indireto do ambiente mafioso criado pelo exacerbado nacionalismo de Putin. Ainda mais se se acrescentar à morte de Nemtsov os assassinatos relativamente recentes de outros críticos de Putin, como a jornalista Anna Politkovskaya e o espião Alexander Litvinenko. Este foi alcançado em Londres, mas a morte de Nemtsov, por ter sido à sombra do Kremlin, tem um simbolismo muito mais forte.

*Informações do Portal IMPRENSA, Folha de S. Paulo, El País (Edição Brasil) e G1.