Blog das vidas

Morre o jornalista Antônio José Larangeira, referência da comunicação em Feira de Santana

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) lamenta profundamente a morte do jornalista Antônio José Larangeira, nesta terça-feira (14), após um longo período de enfermidade. Aos 81 anos, ele encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas à comunicação, com atuação marcante em Feira de Santana e em diversos veículos de destaque na Bahia e no Brasil.

Nascido em 11 de janeiro de 1945, em Santo Amaro da Purificação, Larangeira era formado em Administração pela Faculdade Anísio Teixeira (FAT). Iniciou sua vida profissional como bancário, mas logo encontrou no jornalismo sua verdadeira vocação, começando na Folha do Norte e passando pelo Diário de Notícias.

Ao longo da carreira, acumulou experiências em importantes redações fora da Bahia, como “O Jornal” e o Diário de Notícias, no Rio de Janeiro, além do Diário de S.Paulo. Nesse período, também estudou Comunicação Social, ampliando sua formação na área.

De volta à Bahia, consolidou seu nome no jornalismo local. Atuou por 32 anos no jornal A Tarde, onde foi chefe da sucursal em Feira de Santana e também colunista. Posteriormente, integrou a equipe da Tribuna da Bahia, onde permaneceu por cerca de 15 anos, exercendo funções de gestão e mantendo sua produção jornalística até os últimos anos.

Reconhecido como um dos principais nomes do colunismo de Feira de Santana, Larangeira foi pioneiro na modernização do segmento, ampliando o olhar para além dos eventos sociais, incorporando pautas ligadas ao ambiente empresarial e ao desenvolvimento regional. Também assinou colunas em veículos como Grande Bahia, Pátria Latina e Feira Hoje.

Sua trajetória incluiu ainda passagens pela televisão, como apresentador do programa “Interior, Gente e Notícias”, na TV Itapoan, e participação no primeiro programa de entrevistas da TV Subaé, afiliada da Rede Globo na região.

Larangeira era filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e membro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA), entidades que refletem seu compromisso com a profissão e com a ética jornalística.

Neste momento de dor, a ABI se solidariza com familiares, amigos e colegas de profissão, destacando a relevância da contribuição de Antônio José Larangeira para o jornalismo baiano. Seu legado permanece como referência de dedicação, pioneirismo e compromisso com a informação de qualidade.

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Notícias

ABAF realiza nova edição do #CirculeUmLivro na Biblioteca Central

A Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) realiza, ao longo do mês de abril, em Salvador, mais uma edição do projeto #CirculeumLivro, em parceria com a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) e a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). A iniciativa acontece na Biblioteca Central do Estado da Bahia, localizada nos Barris, e integra a programação especial do “Abril do Livro”, com o objetivo de incentivar a leitura, promover a troca gratuita de livros e estimular a economia circular a partir do uso sustentável do papel.

O projeto convida o público a participar da circulação de exemplares de diversos gêneros, permitindo que leitores retirem um livro gratuitamente e deixem outro no lugar, ampliando o acesso ao conhecimento. A ação também busca reforçar a conscientização sobre a sustentabilidade do papel, produzido a partir de árvores cultivadas para esse fim.

O mês de abril reúne datas importantes para o setor, como o Dia Nacional da Biblioteca (9/4), o Dia Nacional do Livro Infantil e do Autor e Editor (18/4) e o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor (23/4). Nesta última data, o projeto ganha reforço e é realizado simultaneamente em outras cidades brasileiras.

Além do ponto fixo de troca de livros, instalado na entrada da Biblioteca Central até o início de maio, a programação inclui atividades gratuitas voltadas principalmente para estudantes da rede pública.

No dia 14 de abril, às 10h, a pesquisadora, contadora de histórias, compositora e cantora Nairzinha promove um encontro com a cultura indígena no setor infantojuvenil, com contação de histórias, brincadeiras e apresentações musicais.

No dia 23 de abril, às 15h, o espaço recebe o lançamento de livros de dois jovens autores baianos, seguido de bate-papo com o público. Maurício Akin apresenta a obra Peixinho Rei, enquanto Leonardo Rios Soares lança Mega-Mão, que aborda temas como preconceito e inclusão.

Com atuação contínua na Bahia, o #CirculeUmLivro é apoiado por diversas instituições, como a Associação Bahiana de Imprensa (ABI), a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) , a Associação Comercial da Bahia (ABC) e a Unijorge, além de órgãos e entidades no interior do estado.

“Papel é artigo de primeira necessidade. Usamos o dia inteiro, de diversas formas, e um dos usos mais importantes é o papel usado na produção de livros. É ali que gravamos e compartilhamos conhecimento”, diz o diretor-executivo da ABAF, Wilson Andrade. Ele ressalta que esse papel é produzido com matéria-prima proveniente de plantios florestais feitos em áreas antropizadas, “com zero desmatamento”, garante. Além disso, Andrade destaca que, para cada hectare de produção, o setor preserva 0,7 hectare, “contingente bem superior ao exigido pelo Código Florestal”, completa.

PONTOS FIXOS DE ARRECADAÇÃO DE LIVROS/ Salvador:

  • ABAF – Av. Professor Magalhães Neto, 1752, Ed. Lena Empresarial – Pituba (portaria).
  • ABI – Ed. Ranulfo Oliveira – Rua Guedes de Brito, Praça da Sé – Centro (1º e 2º andar).
  • ACB – Praça Conde dos Arcos, S/N – Comércio.
  • Biblioteca Central do Estado da Bahia – Rua General Labatut, 27 – Barris.
  • FAEB – Rua Pedro Rodrigues Bandeira, 143 – Comércio.
  • FIEB – Rua Edístio Pondé, 342 – Stiep.
  • Unijorge – Campus Paralela.

PONTOS FIXOS DE ARRECADAÇÃO DE LIVROS/ Bahia:

ADAB/CEPLAC – Rua Pres. Kenedy, 186 – Centro, Eunápolis/BA.
Prefeitura de Porto Seguro/BA – Rua Manoel Fernandes de Almeida, 171 – Centro.

Mais informações: abaf.org.br e redes sociais @abaf.bahia

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Artigos

Jornalismo, mercado e desafios

Por Liliana Peixinho*

Cidadania, ética, compromisso investigativo com os fatos, formação profissional, apuração detalhada, dar voz à quem não tem, pluralidade no olhar, são alguns dos fundamentos defendidos para a prática do jornalismo. Em cenários onde fatos e versões ocupam espaços de guerra, o jornalismo passa a ser pauta dentro da pauta.

Nesse ambiente de incertezas, de campo minado em desafios, podemos acrescentar insegurança no trabalho, falta de estrutura e de garantia mínima de direitos, exploração, precarização, políticas repressoras, perseguição.

Para aqueles que tentam ser independentes de pautas IP( Interesse do Patrão), com financiamento garantido, e se arriscam na busca dos fatos, com vozes na contramão do Mercado Corporativo, vivencia em campo investigativo os perrengues para tentar sobreviver para registrar as histórias.

O direito de acesso da sociedade a informações apuradas, checadas, plural, e o desvio do papel da própria imprensa em promover as mudanças sinalizadas pela sociedade, através de potentes canais de comunicação, como as redes sociais, são novos desafios diante da nossa impotência como categoria profissional.

Perguntas

Diversas são as perguntas nesse meio de ruídos e da relevância do papel social do jornalismo, do foco investigativo e transparente para a disseminação de informações sobre problemas sociais graves.

A necessidade da transformação social por meio da notícia, de como ela é transmitida, da garantia da qualidade na formação acadêmica, como podemos avaliar o papel de cada um, de nós jornalistas, na busca da liberdade e responsabilidade com missão de informar?
Será se teremos liberdade, compromisso, segurança, estrutura de trabalho, para atuar ?
Como percebemos e reagimos aos silêncios?
Conseguimos admitir a existência de um antijornalismo?
Como, de fato, observamos o nosso papel na promoção da democracia?

Se nossa geração enfrenta múltiplos problemas nesse desempenho diário, como deverá ser o papel de futuros jornalistas na missão de informar, transformar?

Nos últimos 20 anos observamos uma mudança no Mercado da Comunicação com o crescimento de meios alternativos, cujos espaços, abertos, têm dificuldade em se manterem de forma independente.
Se é consenso que lutamos para promover a liberdade de imprensa, é também desafio e necessidade a busca pela verdade das informações, em compromisso investigativo com os fatos.

*Liliana Peixinho – Jornalista, memorialista, ativista humanitária. Especialização em Jornalismo Científico, Cultura e Meio Ambiente.  Fundadora de mídias e grupos independentes: AMA- Amigos do Meio Ambiente, Reaja- Rede Ativista de Jornalismo e Ambiente, Cuidar do Cuidador, Catadora de Sonhos, O outro no Eu. Colaboradora  de mídias, Brasil afora, com pautas prioritárias em Desigualdade, Fome, Direitos Humanos, Crianças, Defesa do  Ambiente.  Autora da ação permanente e itinerante “imersões Jornalísticas Caatinga adentro, Sertão afora, Brasil no meio”.

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
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ABI BAHIANA

Nelson Cadena busca patrocínio para publicar livro inédito sobre a imprensa baiana

Um trabalho iniciado em 1979, atravessado por décadas de pesquisa e dedicação, busca agora o caminho para alcançar o grande público. O livro História da Imprensa Baiana, do jornalista e pesquisador Nelson Cadena, teve apenas quatro exemplares produzidos até o momento. Um deles foi doado, nesta quarta-feira (8), à Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em um gesto simbólico que reforça a importância da preservação da memória jornalística.

Diretor da ABI e reconhecido pesquisador da comunicação no estado, responsável, inclusive, pelo livro dos 90 anos da instituição, Cadena enfrenta há anos os desafios para viabilizar a publicação da obra, que ainda busca patrocínio para chegar às livrarias.

A entrega do exemplar ocorreu durante reunião de diretoria da entidade. A obra passa a integrar o acervo da ABI, sob os cuidados da museóloga Renata Ramos, responsável pelo Museu de Imprensa. Fruto de um levantamento histórico minucioso, o livro sintetiza décadas de investigação e reúne material raro, ao mesmo tempo em que aguarda apoio para viabilizar sua edição comercial.

Um poderoso registro cronológico, a publicação propõe uma nova forma de compreender a imprensa na Bahia. Ao longo de suas páginas, Cadena utiliza jornais, revistas e seus protagonistas como ponto de partida para narrar transformações sociais, políticas e culturais do estado, construindo um panorama que ultrapassa o campo da comunicação.

Um dos principais diferenciais da obra está na abordagem adotada. O autor substitui a tradicional divisão por uma organização por setores, como as imprensas religiosa, científica e jurídica. A escolha evidencia a especialização dos veículos e amplia a compreensão sobre o papel social da imprensa. O trabalho também se destaca por incluir o jornalismo do interior da Bahia, frequentemente negligenciado, ao mapear publicações de diversos municípios entre 1811 e 1911, revelando que a circulação de ideias ia muito além da capital.

A obra resgata ainda momentos marcantes, como a atuação da imprensa abolicionista e o pioneirismo baiano na criação de veículos especializados. “A Bahia foi pioneira em vários veículos de comunicação no Brasil”, destaca o autor. 

No prefácio, o presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Joaci Góes, observa que o manuscrito se aproxima de um romance ao retratar disputas de poder e movimentos sociais a partir da imprensa, transformando o livro em um retrato vivo da sociedade baiana, e não apenas em um registro de datas. 

O levantamento só foi possível graças à consulta a documentos originais. Cadena reuniu cerca de 200 publicações e imagens raras, entre fotografias e capas de jornais do século XIX — muitas delas já desaparecidas dos arquivos oficiais em razão do tempo ou de descartes.

A obra também é resultado de persistência. O projeto, iniciado em 1979, passou por diversas transformações até alcançar a versão atual. A professora Antonietta D’Aguiar Nunes teve papel fundamental na revisão, na digitalização das imagens e no patrocínio que viabilizou os quatro únicos exemplares existentes.

Mesmo sem circulação comercial, o livro já se consolida como um trabalho inédito e relevante. “Enquanto não é editado, a ideia é permitir o acesso de pesquisadores”, afirma Cadena. A publicação reúne memória e pesquisa para contar a história da Bahia a partir de seus jornais, e segue em busca de apoio para, enfim, alcançar o público mais amplo.

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