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Uma em cada duas jornalistas sofre violência de gênero no trabalho, diz FIJ

Na semana em que a rede de televisão norte-americana NBC News demitiu Matt Lauer, âncora do programa Today, por “comportamento sexual inapropriado no ambiente de trabalho”, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) divulgou um levantamento que demonstra que uma em cada duas mulheres jornalistas já sofreu assédio sexual, abuso psicológico, assédio online e outras formas de violência de gênero no ambiente de trabalho. Os resultados de uma segunda pesquisa sobre a ação sindical contra a violência de gênero serão publicados no início de 2018.

A pesquisa, que teve o testemunho de 400 mulheres, revelou que em 85% dos casos nenhuma ação foi tomada pelos veículos e agências, ou que as medidas eram inadequadas. A maioria das redações ou locais de trabalho nem sequer oferecem uma política para combater esse tipo de abuso ou fornecer um mecanismo para informar sobre eles.

O estudo apontou ainda que 48% das entrevistadas sofreram violência de gênero relacionada ao seu trabalho; 44% das entrevistadas sofreram assédio online. Entre as formas mais comuns de violência de gênero sofridas pelas jornalistas estão o abuso verbal (63%), o abuso psicológico (41%), o assédio sexual (37%) e a exploração econômica (21%). Quase 11% sofreram violência física; 45% dos infratores eram pessoas de fora do local de trabalho (fontes, políticos, leitores ou ouvintes); no entanto, 38% número expressivo, eram chefes ou superiores; 39% dos atacantes eram anônimos.

Dois terços (66,15%) das entrevistadas não apresentaram denúncia formal e das que denunciaram, 84,8% não consideram que foram tomadas medidas adequadas contra os infratores. Somente 12,3% ficaram satisfeitas com o resultado final. Os números demonstram ainda que apenas 26% dos locais de trabalho têm uma política que abrange violência de gênero e assédio sexual.

“Jornalistas de 50 países têm nos contado a mesma história, que a violência de gênero no mundo do trabalho é generalizada e que medidas para combatê-la não existem ou são inadequadas em praticamente todos os casos. Precisamos de ações urgentes para ajuizar os infratores e fazer com que as mulheres jornalistas se sintam confiantes o suficiente para denunciarem esses abusos”, afirmou a copresidente do Comitê de Gênero da FIJ, Mindy Ran.

“Precisamos urgentemente de acordos coletivos no local de trabalho, procedimentos sólidos de denúncia e medidas contra os infratores para combater os terríveis números da violência de gênero que temos registrado referentes ao trabalho das jornalistas. Para a FIJ e seus sindicatos, abordar a violência e o abuso sofridos por essas profissionais, em todos os cantos do mundo, é uma prioridade”, disse o secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger.

*Informações do Portal IMPRENSA

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Coletivo de jornalistas mobiliza homens em campanha contra machismo

O coletivo “Jornalistas Contra o Assédio” começa nesta terça (26) uma campanha que pretende mobilizar os homens no combate a atitudes constrangedoras que as jornalistas ainda enfrentam no exercício da profissão. A jornada vai até o próximo domingo (8), com uma série de seis vídeos que trazem depoimentos de colegas jornalistas sobre frases de assédio ouvidas por mulheres jornalistas, dentro e fora de redações e assessorias, públicas e privadas.

A partir das 10h de hoje, será promovido um “tuitaço” com a hashtag #JuntosContraoMachismo. A ideia da campanha surgiu a partir da crônica publicada este mês pelo jornal Correio Braziliense. O texto romantizava o assédio às estagiárias no ambiente de redação. Depois deste episódio, o coletivo passou a receber relatos de funcionárias e ex-funcionárias do jornal afirmando que a crônica não representava exatamente uma exceção.

“O fato incomodou não só as mulheres, mas também os jornalistas homens que não querem ter sua imagem atrelada a uma prática tão antiquada. Por isso, convidamos os colegas para a luta do coletivo, que começou há mais de um ano, justamente a partir de um caso de assédio contra uma estagiária. Na época, ela foi demitida do portal IG após denunciar um cantor de funk à polícia”, afirmam em nota.

Num grupo de mais de cinco mil jornalistas de todo o país, as jornalistas do coletivo perguntaram que tipo de assédio já tinham sofrido dentro e fora das redações, bem como nas assessorias de imprensa. “Recebemos mais de duzentas frases. Desde frases mais chocantes até outras mais corriqueiras, tão naturalizadas em ambientes machistas”, dizem.

O resultado do levantamento foi entregue para grandes nomes do jornalismo nacional comentarem. Assim, surgiu a série de seis vídeos com pelo menos quatro depoimentos gravados. Cada jornalista repetiu a frase ouvida pelas nossas colaboradoras e registrou o que pensa disso. “É um convite à reflexão e, sobretudo, à ação”, apontam.

Entre os participantes estão nomes que se destacam na política, nos esportes, no entretenimento, na televisão, na internet, em todo lugar. Participam da #JuntosContraoMachismo nomes como Chico Pinheiro, Juca Kfouri, Fernando Rodrigues, Felipe Andreolli, Cazé, Mário Marra, Fábio Diamante, Marcus Piangers, Matheus Pichonelli, Abel Neto, Guilherme Balza, Cauê Fabiano, Nilson Xavier, Thiago Maranhão, Leonardo Leomil, Guilherme Zwetsch, Ricardo Gouveia, Fernando Andrade, Thiago Uberreich, Tiago Muniz, Rafael Colombo, Philipe Guedes, Chico Prado, Reinaldo Gottino e Haisem Abaki.

As informações são do Portal IMPRENSA

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MC Biel pagará multa por crime contra ex-repórter do iG

O cantor MC Biel aceitou pagar a multa de R$ 4.400 a uma instituição de caridade proposta pelo Ministério Público Estadual (MPE) para extinguir a ação em que era acusado de injúria pela ex-repórter do iG Giulia Pereira. De acordo com o G1, o funkeiro e a jornalista participaram de uma audiência judicial no Fórum Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, na última segunda-feira (10/10). A advogada de Giulia, Ana Paula Cortez, informou que o MPE propôs o pagamento de multa para extinguir o processo.

O caso ocorre em casos em que o réu é “primário, tem bons antecedentes e o crime do qual foi acusado é de menor potencial ofensivo”. O dinheiro será destinado a uma instituição de caridade e Biel deixa de ter antecedentes criminais.

Leia também: Demissão de repórter do iG que denunciou assédio gera protestos

Segundo Ana Paula, o cantor pediu desculpas à jornalista. “Conversaram rapidamente, ela tentou dizer a ele que não tem nenhum rancor dele, que só queria que ele aprendesse a respeitar as pessoas. Ele pediu desculpas, disse que não teve intenção de a ofender. Ela foi tão massacrada psicologicamente falando que está aliviada com o fim dessa história. Agora ela vai retomar a vida dela.”

Assédio

Desde o início de junho, o caso de assédio sexual envolvendo MC Biel e a jornalista movimenta o noticiário e as redes sociais. Durante uma entrevista, ela foi chamada de “gostosinha” e ouviu que o cantor “a quebraria no meio”. Na ocasião, internautas criticaram o comportamento do artista e levaram a hashtag #RipBiel ao topo dos trending topics mundial do Twitter.

Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube dias após a repercussão do caso, o funkeiro pediu desculpas à jornalista e a todas as mulheres que se sentiram ofendidas. “Nunca imaginei que minhas palavras pudessem machucar de fato quem me entrevistava. Então eu estou aqui para pedir desculpa”, disse.

Giulia havia feito um boletim de ocorrência contra Biel por assédio na delegacia da mulher, mas a legislação brasileira entende que assédio ocorre somente quando há situação de hierarquia, por isso ela fez a queixa por injúria.

*Portal Imprensa e G1

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Demissão de repórter do iG que denunciou assédio gera protestos

A demissão da repórter do iG, que denunciou por assédio sexual o cantor MC Biel, foi recebida por críticas de jornalistas e internautas. Desde que o colunista Fernando Oliveira, da Folha de São Paulo, revelou no último dia 18/6 que a jornalista havia sido dispensada pelo veículo de comunicação, todas as publicações do iG no Facebook recebem comentários indignados. O desligamento da profissional, cuja identidade é protegida por determinação policial, gerou uma onda de protestos nas redes sociais e desencadeou campanhas contra o assédio, além de boicote ao portal.

A repórter foi assediada durante uma entrevista de lançamento do CD do cantor, em maio deste ano. Áudio revelado pelo portal, mostra que ela foi chamada de “gostosinha” e ouviu que MC Biel “a quebraria no meio”. Ele ainda afirma na gravação que, se a entrevista com ela fosse a última, a “estupraria rapidinho”. Em determinado momento da entrevista, ele a chama de “cuzona” e pergunta se ela queria um selinho. No vídeo, são ouvidos risos ao fundo, enquanto uma pessoa que acompanha a filmagem justifica a atitude. “Relaxa, ele é assim mesmo”. A repórter denunciou o caso na 1ª Delegacia da Mulher de São Paulo, que faz a investigação. O cantor divulgou um vídeo pedindo desculpas pela “brincadeira”.

Apesar da repercussão do caso, nenhuma entidade de jornalismo havia se pronunciado sobre o tema publicamente. De acordo com o Portal IMPRENSA, o veículo tentou contato com o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) para que pudessem se posicionar sobre o assunto. No entanto, somente a Fenaj decidiu comentar o caso.

Em nota enviada à reportagem, a entidade repudiou o assédio do cantor. “Mesmo que tenha se desculpado publicamente, dizendo que foi tudo uma brincadeira, o jovem cantor certamente sabe que brincadeiras não devem agredir nem assediar ninguém”. Porém, considera grave a demissão da repórter pelo iG. “Em vez de defender e proteger sua profissional, a empresa a pune pela denúncia com a demissão. Essa é uma postura inadmissível, de quem culpa as vítimas de assédio e de violência sexual pela agressão sofrida”. A Fenaj ainda ressaltou que busca, junto com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, mais informações sobre o caso.

A jornalista Nana Queiroz, diretora executiva da revista AzMina, criticou duramente o veículo por desligar a repórter depois de prometer auxiliá-la no caso. “A decisão do IG não só é de extrema irresponsabilidade jornalística, já que a missão de todo veículo de respeito é proteger seus repórteres contra abusos, como de tremendo machismo. Até quando as direções de veículos de comunicação se posicionarão em favor dos mais fortes em detrimento dos verdadeiros inocentes?”.

O coletivo Think Olga também se posicionou sobre o assunto, ressaltando que a medida do iG fez com que criassem uma campanha sob a hashtag #ViolênciaEmDobro. “O assédio sexual é uma violência em dobro. Acontece quando a mulher sofre e se repete quando ela resolve fazer uma denúncia. Apesar do assédio sexual ser previsto em lei e a mulher ter essa proteção, na prática ela não se exerce. Quando a mulher fala do assédio da empresa existem outras consequências a encarar: medo de perder emprego, perder oportunidades na carreira, deixar de participar de projetos, perder promoções, ficar “queimada” dentro da empresa ou até mesmo de ser demitida e ficar “queimada” no mercado de trabalho”, diz Luíse Bello, gerente de conteúdo e comunidade OLGA. Para ela, a falta de posicionamento das entidades de jornalismo é “uma omissão que deixa uma mensagem inequívoca de que o mercado de trabalho e as entidades que deveriam proteger os profissionais, não estão do lados das mulheres, não estão do lado das vítimas”.

Procurado pelo Catraca Livre, o portal iG comentou o caso por meio de uma nota enviada por e-mail: “A empresa está seniorizando a equipe no intuito de melhorar nosso conteúdo próprio. Trata-se de uma reestruturação normal em função dessa necessidade. A repórter continuará recebendo todo o apoio da empresa e seus funcionários no caso”.

Campanhas

Em solidariedade à colega, jornalistas mulheres se uniram nesta segunda-feira 20 por uma campanha nas redes sociais contra o assédio. A campanha divulga a hashtag ‪#‎jornalistascontraoassédio‬ e já reúne cerca de 9 mil curtidas na página no Facebook até a manhã desta terça (21). “Jornalista sofre assédio? Onde? Quando? Por quê? Antes fossem simples como um lead jornalístico as respostas para uma questão como essa – mais comum no dia a dia das profissionais do jornalismo do que se pode imaginar. Dentro ou fora das redações. Dentro ou fora das assessorias de imprensa”, começa o manifesto publicado na fanpage.

Em um vídeo, várias jornalistas relatam comentários machistas que já ouviram de entrevistados, chefes e até autoridades. “Se eu soubesse que você era bonita assim te dava uma exclusiva”, conta uma jovem, sobre uma fonte. “Esse político só vai falar pra sua matéria se você for tomar um café com ele, jogar um charme”, ouviu outra.

IMPRENSA também lançou uma campanha: #SemASSÉDIOnaimprensa. O objetivo é mostrar como repórteres do sexo feminino e masculino estão expostos ao assédio moral e sexual, tentando encontrar ao lado de especialistas e das entidades ligadas à imprensa formas de reduzir/acabar com esse tipo de ação com soluções práticas. Jornalistas e comunicadores de todo o Brasil podem contar suas histórias, sob anonimato, se assim o desejar, para que todos possam ficar de olho e ajudar no combate ao assédio à imprensa. Os interessados devem mandar seus relatos para o e-mail: [email protected], colocando no assunto: depoimento sem assédio na imprensa. O portal garante sigilo das identidades da vítima e do assediador.

Assista ao vídeo da campanha #jornalistascontraoassédio

*Informações do Portal IMPRENSA, Catraca Livre e O Povo Online.