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Projeto de pesquisa da UFBA lança documentário sobre inclusão racial na computação

Abordando os temas da inclusão racial, letramento político e computação, o grupo de pesquisa e extensão “Negros e Negras na Computação” (NNC/UFBA) irá lançar neste sábado (19) o documentário “Eu [Não] Sou de Computação”, no Cine Teatro Solar Boa Vista, às 18h, seguido de um bate-papo com os protagonistas do filme. Devido à necessidade de distanciamento imposta pela pandemia de Covid-19, o lançamento presencial será restringido aos convidados, mas o evento contará com transmissão pelo canal de YouTube do projeto. Além da exibição do filme, a noite será brindada com apresentações artísticas.

As gravações  do filme foram iniciadas em 2018, em Uberlândia e São Paulo, e finalizadas em 2019, em Salvador. O “Eu [Não] Sou de Computação” aborda, por meio das histórias contadas por sete jovens, negros e negras, os desafios e as soluções encontradas por eles para se manter e alcançar o sucesso na área da Computação. Além de tocar nos problemas individuais, o documentário também busca entender como o racismo estrutural afeta o futuro dos jovens negros e negras e propõe um debate urgente sobre o tema. Todo o projeto foi desenvolvido com o suporte do Institute of International Education e da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil da UFBA.

O lançamento do documentário faz parte da programação do VI Fórum Interdisciplinar sobre Formação Docente com Tecnologias (Acesse aqui para mais informações). Este ano, o Fórum conta com o tema  “Computação na Ação-Formação Humanística” e irá promover suas atividades nos dias 18 e 19 de fevereiro. Todo o projeto e as ações formativas foram desenvolvidas com o apoio do da Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT) da UFBA, Fundação Itaú Social, Fundação Carlos Chagas, CNPq e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.  

O grupo NNC/UFBA integra o Grupo de Pesquisa e Extensão em Informática, Educação e Sociedade – ONDA DIGITAL, do Instituto de Computação da UFBA. Criado em 2016, o grupo desenvolve ações para promover a formação político racial de grupos e comunidades e para ampliar o letramento racial nas tecnologias e computação. Segundo informações divulgadas pelo NNC, a ideia de realizar o documentário parte da vontade de “seguir ampliando e promovendo o diálogo com pesquisadores, ativistas e lideranças comunitárias que visibilizam iniciativas de empoderamento negro nas tecnologias e computação, principalmente aos jovens negros”. 

SINOPSE 

O documentário aborda as soluções de permanência e de sucesso acadêmico e profissional de pessoas negras na área da Computação por meio de 07 histórias marcantes de jovens negras e negros que relatam suas vivências e apontam caminhos possíveis para lutar contra o racismo estrutural cotidiano, tecendo uma reflexão necessária e urgente de possibilidades para o futuro de jovens negras e negros.  

Trailer do filme

SERVIÇO

Lançamento do documentário “Eu [Não] Sou de Computação” 

Quando: Sábado, 19 de fevereiro, às 18h 

Onde: Cine Teatro Solar Boa Vista 

Evento gratuito, para convidados, com transmissão pelo Youtube

  • Para mais informações: 

Instagram: @nncufba | Site www.eunaosoudecomputacao.com

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ABI BAHIANA Artigos

O jornalista que idealizou a ABI

Nelson Cadena*

Thales de Freitas foi o idealizador da Associação Bahiana de Imprensa-ABI, fundada em 17 de agosto de 1930, com um número recorde de 103 associados. Thales de Freitas era farmacêutico de profissão – proprietário da Farmácia Americana – um sujeito afável, moderador, talhado para a vida associativa. Não apenas idealizou a ABI como fundou um ano antes de falecer (1947) o Clube da Imprensa. Thales lançou junto aos colegas a ideia de retomar as frustradas experiências da criação do Círculo dos Repórteres, que funcionou dois anos apenas (1903-1905), presidido por Cosme de Farias, e da Associação de Imprensa (1910), presidida por Virgílio de Lemos.

Diretores e redatores de A Tarde, O Jornal, Diário de Notícias e Imprensa Oficial encamparam a ideia e constituíram comissão para visitar os jornalistas nas suas residências, ou locais de trabalho, que naquele tempo não eram as redações dos jornais. Todos tinham outras profissões: médicos, advogados, dentistas, militares, religiosos, engenheiros… A comissão se desfez aos poucos, ficando Thales de Freitas praticamente só na tarefa de arregimentar associados como contou o poeta e jornalista Aureo Contreiras, anos depois, em artigo para a revista Única.

Foi eleito vice-presidente da diretoria executiva da ABI, esta presidida por Altamirano Requião. Permaneceu na diretoria, por 17 anos, ocupando os cargos de vice-presidente e secretário da assembleia geral. E foi o primeiro jornalista a receber o título de sócio benemérito da ABI, em 1934. Na Associação, além dos cargos para os quais foi eleito, assumiu o papel de mestre de cerimônias nas comemorações, todo ano, do Dia do Jornalista, então celebrado em 10 de setembro. Vestiu a camisa de relações públicas, representando a ABI em eventos sociais e integrando comissões voltadas para diversas causas de iniciativa de outras associações.

Thales de Freitas atuou principalmente no segmento de revistas. Em 1920 fundou com Constantino de Souza a revista A Rua que circulou por mais de uma década; antes, 1913, foi redator da Gazeta do Povo e deve ter sido do jornal O Democrata que foi a continuação da Gazeta. Após, dirigiu a Revista Festa e foi colaborador ao longo da vida de vários jornais. A grande imprensa não foi nem um pouco generosa com ele, preconceituosa, diria eu. Não o reconheceu como jornalista. Referiam-se a ele como o farmacêutico Thales de Freitas, inclusive no obituário de sua morte, enquanto seus colegas eram chamados de jornalistas e não pela sua formação profissional específica.

Foi homem de muitas iniciativas. Presidiu o comité pro-Mangabeira na grande recepção dos baianos em 1913, quando retornava a sua terra natal. Na ABI propôs construir um monumento a Ruy Barbosa, o que não se concretizou pelo envolvimento, na comissão encarregada da arrecadação de recursos, de luminares da política baiana em busca de holofotes e não trabalhadores como Thales. O pouco dinheiro arrecadado foi revertido para a construção da sede da entidade. Foi ainda um grande incentivador das campanhas para arrecadação de recursos em prol da Casa do Jornalista e um dos organizadores do I Congresso de Jornalistas da Bahia, realizado em 1945.

A ABI o homenageou inaugurando seu retrato, em 10 de setembro de 1947, retrato este que por decisão da atual diretoria será transferido dia 14 de março próximo para o Salão Nobre da entidade, ao lado dos retratos dos ex-presidentes da Casa, durante a solenidade que rememorará o cinquentenário da morte de Cosme de Farias. Thales de Freitas como Cosme de Farias, também foi da guarda nacional, obteve a patente de Major e eram amigos. Cosme registrou sua admiração dedicando o hino do jornalista, de sua autoria, a Thales de Freitas.

* Nelson Cadena é jornalista, pesquisador e publicitário.

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
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ABI BAHIANA

Paulo Ormindo visita o Museu Casa de Ruy Barbosa a convite da ABI

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) teve um reforço importante em sua avaliação inicial do Museu Casa de Ruy Barbosa. A primeira visita com esse intuito desde a reintegração de posse contou com a presença do arquiteto Paulo Ormindo, doutor em conservação e restauração de bens culturais pela Università degli Studi di Roma, com mais de 50 anos dedicados à arquitetura e ao urbanismo.

“Foi a primeira vez que acessamos o Museu Casa de Ruy Barbosa para fazer uma avaliação inicial. Fizemos isso contando com a colaboração do arquiteto, professor e também jornalista associado da ABI, Paulo Ormindo, que é uma autoridade no assunto. Com base nas orientações que ele nos der, vamos tomar as primeiras medidas rumo à restauração completa da Casa”, explica o presidente da ABI, Ernesto Marques. O dirigente esteve no local em companhia de sua esposa Cybele Amado, diretora geral do Instituto Anísio Teixeira – IAT; do diretor do Departamento Casa de Ruy Barbosa, Jorge Ramos; e da secretária geral da ABI, Sara Barnuevo.

A visita à Casa de Ruy, na tarde desta terça-feira (15), foi um desdobramento da atividade ocorrida pela manhã, na qual representantes de órgãos do poder público e da Diretoria Executiva da ABI traçaram planos para requalificar a Rua Ruy Barbosa, no Centro Histórico de Salvador.

Danos

O autor do livro “A Memória das Pedras” tem uma conhecida trajetória pública em defesa da cidade, sempre atuando nas discussões sobre o planejamento urbano e os principais problemas da capital baiana. Durante a visita, Paulo Ormindo se mostrou otimista com a perspectiva de reforma do prédio e seu entorno. “A Casa de Ruy Barbosa tem uma porção de danos, basicamente em consequência de problemas na cobertura. As goteiras criaram várias lesões, que precisam ser recuperadas”, afirma.

Ormindo aponta a necessidade de recuperar principalmente pisos, forros, paredes, esquadrias de portas e janelas. “Estão muito estragadas, porque a casa levou muito tempo fechada e sem manutenção. No forro, é preciso fazer uma vistoria, para avaliar a necessidade de refazer total ou parcialmente. Continuando como vinha sendo pouco mantido, o imóvel iria se deteriorar completamente”, analisa.

“A pintura está muito estragada pelas infiltrações. Algumas salas apresentam estragos no piso. Além da substituição de tábuas, é preciso ver se as vigas de sustentação do assoalho estão em boas condições ou se foram danificadas pelas goteiras”, ressalta. Segundo ele, é difícil falar em valores sem antes fazer uma prospecção. “Hoje, madeira de assoalho, ou mesmo de forro, é cara. Rumo à recuperação desse patrimônio, a primeira coisa é convidar um construtor, especialmente se tiver experiência em trabalho dessa natureza, fazer uma tomada de preço, para avaliar aquele que tem melhores condições e qualificações.”

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ABI BAHIANA

Reunião na ABI traça planos para revitalizar a Rua Ruy Barbosa

Com a participação de representantes de órgãos do poder público e da Diretoria Executiva da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), a manhã desta terça-feira (15) foi dedicada a um pedacinho especial do Centro Histórico de Salvador: a Rua Ruy Barbosa. Famoso por abrigar o imóvel onde o jurista baiano nasceu, o logradouro vai ser repaginado em breve. Essa é a intenção do colegiado de entidades envolvido na programação do Centenário de falecimento de Ruy, que transcorrerá em 1º de março de 2023.

A requalificação da Rua Ruy Barbosa faz parte dos planos de reabertura do Museu Casa de Ruy Barbosa (MCRB), equipamento cultural pertencente à ABI e que está localizado naquela via. No encontro de hoje estiveram presentes o presidente da ABI, Ernesto Marques; o 1º vice-presidente da ABI, Luís Guilherme Pontes Tavares; o diretor do MCRB, Jorge Ramos; e representantes do grupo Neonergia Coelba, da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) e dos órgãos do estado, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur/BA). O grupo contou com a presença do professor e arquiteto Paulo Ormindo. 

Faz parte dos objetivos da reforma da Rua Ruy Barbosa atrair atenção para o entorno do lugar, que conta com sebos e antiquários, além de integrar o MCRB na rota de museus do Centro Histórico e que podem ser atrativos aos turistas. “Fizemos essa provocação à Prefeitura e ao Governo do Estado com base na constatação de que, mesmo que fizéssemos uma reforma na Casa de Ruy Barbosa, que fizéssemos um museu lindo, se o entorno continuasse degradado como está, em pouco tempo a degradação entraria no Museu”, afirma Ernesto Marques. 

Para tanto, há algumas precauções que devem ser tomadas e que fazem parte dos projetos da ABI. Há a ideia de aterrar o cabeamento elétrico da rua, a fim de que se resolva o problema da poluição visual dos fios, de instalar o piso compartilhado, que tornaria possível fechar a rua para eventos culturais, e mudar o posteamento do local. O local já recebe atenção da CONDER e, de acordo com os representantes do órgão, o primeiro trecho já teve a readequação da rua e da sarjeta e a colocação de concreto e cimento lavável. 

“Essa foi a quarta reunião, já houve duas visitas à rua. A nossa expectativa é a melhor possível, no sentido de compatibilizar os projetos e as ações de competência de cada órgão público, tanto da Prefeitura, quanto do Governo do Estado, para que a gente consiga dar um novo padrão urbanístico à Rua Ruy Barbosa, compatível com o histórico que ela tem e com essa nova utilidade que pretendemos dar com um novo museu, ativo, interessante. Certamente vai despertar a atenção de muita gente, junto com a ocupação cultural que pretendemos fazer”, completa o presidente da ABI. 

O encontro definiu que a Coelba deverá realizar uma análise técnica das condições do local, para entender quais alternativas se mostram viáveis para o ordenamento da fiação. Além da estrutura da rua, existe o desafio de promover a coordenação entre as ações a serem executadas pelos diferentes entes públicos. Pelo tamanho do projeto, a intenção é envolver outras entidades relacionadas com o patrimônio público. Um novo encontro está programado para o dia 7 de março. 

Dependendo da atuação dos envolvidos, em 2023 a Casa de Ruy Barbosa reabrirá suas portas. A arquiteta representante da CONDER, Karina Novoa, destacou a articulação entre os presentes para encontrar soluções. “É muito interessante esse esforço entre vários entes e essa articulação é fundamental para as coisas acontecerem. Envolvem muitas soluções técnicas e disciplinas diferentes”, avalia. 

Para Daniel Andrade, da equipe técnica da Coelba, há ainda o peso do nome de Ruy, que merece o esforço coletivo em prol da preservação de sua memória. “O nome Ruy Barbosa é um dos mais importantes da Bahia, do Brasil. Promover a restauração do Museu dedicado à memória dele, requalificar a rua que leva o seu nome aqui na cidade, é importantíssimo, inclusive para o nosso turismo”, ressalta.

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