Pode haver jornalismo, cobertura equilibrada se um veículo se manifesta sem arrodeios contra a candidatura do atual presidente? Estadão (15/05), em editorial, foi cristalino: necessário encontrar um sujeito da direita, distante da tanta sujeira da famiglia Bolsonaro, modo a não permitir a eleição de Lula.
Até aqui, Bolsonaro, o filho candidato, passava bem, com tapete vermelho e tudo. Fora feita uma maquiagem pela própria mídia. Chegaram até a torná-lo íntimo: Flávio. Sem o sobrenome.
Até acontecer Jornalismo, algo desconhecido da grande mídia. Até o Intercept aparecer. Mostrar como se faz jornalismo investigativo. Melou.
A maquiagem melou. Derreteu. E o novo velho rosto, simbiose vorcariana bolsonarista, surgiu, num acesso disruptivo, a ocupar as telas, as páginas, as ondas do rádio. Casa do sem jeito: não havia como esconder. Fácil sentir no ar o constrangimento. Por nada, não: é que isso favorecia o Lula. Pesquisas das últimas horas revelam isso.
Como é impossível cobertura equilibrada, como a mídia comercial atuará como partido político contra o atual presidente, a luta em favor da verdade será muito maior. Lula sabe disso, certamente. Todas as forças democráticas e de esquerda, também.
Ganham importância os veículos independentes, os que não admitem a volta à barbárie, golpistas ocupando o poder. Terão importância, ainda, os jornalistas insurgentes, capazes de nas brechas da mídia empresarial, revelar a verdade.
Será eleição em defesa da.democracia, entendida como modo político a rimar com igualdade. Democracia a rimar com liberdade. Com direitos humanos. Será um ano decisivo para a vida de toda nossa gente. E um ano, outro, a pôr o jornalismo à prova.
* Emiliano José é Jornalista, escritor, professor. Membro do Conselho Consultivo da Abi.
Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
A integração entre comunicação, educação e cidadania digital marcou a abertura da formação “Educação Midiática – Como Montar uma Agência de Notícias na Escola?”, iniciada nesta segunda-feira (19), no Hotel Fiesta, em Salvador. O encontro, promovido pelo Instituto Anísio Teixeira (IAT), em parceria com a Secretaria da Educação do Estado da Bahia, segue até quinta-feira (21), reunindo cerca de 500 educadores responsáveis pelas Agências de Notícias na Escola, além de representantes dos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTEs), em uma programação voltada ao fortalecimento do letramento midiático e digital na rede estadual.
A cerimônia de abertura contou com a presença da secretária estadual da Educação, Luciana Menezes, da diretora-geral do IAT, Vânia Almeida, da coordenadora-geral de Educação Midiática da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Thaís Brito, da presidente da Associação Bahiana de Imprensa, Suely Temporal, da presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia, Fernanda Gama, além do cineasta Pola Ribeiro e de representantes da comunicação e da educação baiana.
Criado em 2023 pelo IAT, o projeto Agência de Notícias na Escola nasce de uma trajetória de mais de 15 anos da instituição na formação de professores e na produção de mídias estudantis. A iniciativa incentiva estudantes a produzirem conteúdos jornalísticos sobre a escola e os territórios onde vivem, sempre com mediação pedagógica, promovendo protagonismo juvenil, pensamento crítico e participação ativa no ambiente escolar.
Atualmente, o projeto alcança os 27 Territórios de Identidade da Bahia, contabilizando 313 Agências de Notícias já implantadas e outras 180 em fase de implantação. Entre 2023 e 2024, as agências chegaram a 87 escolas estaduais distribuídas em 77 municípios, com investimento superior a R$ 523 mil na aquisição de equipamentos multimídia.
A proposta pedagógica ganhou ainda mais relevância após a reformulação do Ensino Médio e a incorporação da Educação Digital e Midiática ao currículo escolar baiano, por meio da Portaria nº 77/2025. Segundo o documento que orienta a formação, a ação busca qualificar professores para atuarem como mediadores da educação digital, estimulando o combate à desinformação, o uso ético das tecnologias e a produção autoral de conteúdos.
Entre os destaques do primeiro dia esteve a mesa “Estratégia Multidisciplinar de Educação Midiática”, com participação da professora Cristiane Parente, da ABP Educom, e de Thaís Brito, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. O debate abordou práticas pedagógicas ligadas à educomunicação e ao fortalecimento do pensamento crítico no ambiente escolar.
Outro momento importante foi a mesa “Cidadania em Rede: Protagonismo Juvenil e a Proteção Integral no Contexto do ECA Digital”, que reuniu especialistas das áreas jurídica e educacional para discutir segurança digital, direitos de crianças e adolescentes e uso responsável das tecnologias nas escolas.
A programação segue até quinta-feira com oficinas práticas, rodas de conversa, palestras e atividades laboratoriais voltadas à produção audiovisual, podcast, fotografia, fact-checking, inteligência artificial, jornalismo televisivo, mídia training e produção de jornais escolares. As atividades também promovem a troca de experiências entre educadores que já atuam nas Agências de Notícias da rede estadual.
A formação conta com parcerias do Instituto Palavra Aberta, Grupo A Tarde, Secretaria de Comunicação da Presidência da República e SaferNet Brasil, consolidando uma ampla rede de apoio à educação midiática e à formação cidadã nas escolas baianas.
A Umbu Comunicação & Cultura e a I-Omi Soluções em Comunicação, dirigida pela jornalista e professora Cleidiana Ramos, anunciam o lançamento do Curso Festas e Religiosidades no Brasil: Memória, Encontros e Encruzilhadas, uma formação online que propõe uma reflexão aprofundada sobre o papel das festas na construção da vida social brasileira. Com apoio da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e da Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP), o curso acontece por meio da plataforma Google Meet e será conduzido por Cleidiana, que é doutora em Antropologia.
As aulas serão ministradas nos dias 20, 22, 27 e 29 de maio, das 19h às 21h30. O investimento é de R$ 180, com bolsas de 50% destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, além de ativistas de movimentos sociais. Associados à ABI terão 20% de desconto. As vagas são limitadas.
Com foco nas festas populares — especialmente aquelas que ocupam o espaço público, como o Carnaval e as festas de largo —, o curso analisa essas celebrações como territórios de encontro entre culturas religiosas, redes de sociabilidade, mas também de tensões, disputas e conflitos. A proposta é compreender como esses eventos se articulam com dimensões simbólicas, políticas, econômicas e identitárias do Brasil contemporâneo.
“É cada vez mais necessário que a produção em Comunicação Social, diante da grave crise de desinformação, tenha repertórios. No caso da Bahia, isso é ainda mais relevante diante da diversidade étnico-racial, o que implica no domínio básico sobre as nossas tantas experiências culturais. Como nem sempre a nossa formação na graduação dá conta dessas questões, desde 2024 eu tenho oferecido cursos e minicursos sobre os estudos culturais. Os da área de festas, religiosidades e patrimônio me encantam muito e ampliar essa experiência nesta parceria com a Umbu é um incentivo ainda maior”, destaca Cleidiana Ramos, jornalista, professora e doutora em Antropologia.
Voltado para comunicadoras e comunicadores, agentes culturais, pesquisadoras e pesquisadores, profissionais do turismo e demais interessados, o Curso Festas e Religiosidades no Brasil: Memória, Encontros e Encruzilhadas busca oferecer ferramentas teóricas e práticas para a compreensão da diversidade cultural brasileira, especialmente em um momento estratégico que antecede ciclos festivos importantes, como os festejos juninos e as celebrações da Independência do Brasil na Bahia.
Parceria estratégica entre Umbu e I-Omi
A realização do curso é fruto da parceria entre a Umbu Comunicação & Cultura e a I-Omi Soluções em Comunicação. A Umbu atua com estratégias digitais, curadoria de conteúdo e projetos culturais, sendo responsável pela estruturação e execução da comunicação e divulgação da iniciativa, incluindo ações nas redes sociais e no Portal Umbu, onde Cleidiana Ramos é colunista.
Cleidiana Ramos | Acervo pessoal
Já a I-Omi, liderada por Cleidiana Ramos, desenvolve projetos de consultoria em comunicação e memória, com foco na formação cultural na Bahia, produção audiovisual e desenvolvimento de conteúdos especializados. A união das duas empresas potencializa o alcance do curso, conectando-o a públicos estratégicos interessados em cultura, cidade e comportamento, além de ampliar sua visibilidade no ambiente digital.
Sobre o curso
O Curso Festas e Religiosidades no Brasil: Memória, Encontros e Encruzilhadas foi estruturado a partir das perspectivas da antropologia da festa e das religiões, abordando o fenômeno festivo como expressão viva da memória e da experiência coletiva. A formação discute desde o catolicismo popular e as religiões afro-brasileiras até as relações entre patrimônio, política, mídia e as transformações provocadas pelas novas tecnologias na vivência religiosa.
Mais do que uma formação teórica, o curso propõe um olhar crítico e sensível sobre as festas como documentos vivos da história, revelando tensões, estratégias de resistência e formas de existência de diferentes grupos sociais no Brasil.
Serviço
Curso: Festas e Religiosidades no Brasil: Memória, Encontros e Encruzilhadas Datas: 20, 22, 27 e 29 de maio de 2026 Horário: 19h às 21h30 Formato: Online (Google Meet) Investimento: R$ 180 (inteira) | R$ 90 (meia) Inscrições: https://bit.ly/m/antropologiadafesta
Informações à Imprensa: Umbu Cultura & Comunicação [email protected] @umbu_comunicacao Mobile: +55 71 99205-5102 / +55 71 99648-0135
Vladimir Sacchetta partiu. A memória histórica perdeu um gigante. A luta, um bravo. A humanidade, um ser generoso, solidário, íntegro. Sempre de bem com a vida, pronto a resolver problemas, principalmente se das amizades. Talvez, no caso dele, se possa dizer: tinha a quem puxar, ou quem sai aos seus não degenera. Filho de Hermínio Sacchetta, jornalista e revolucionário de nomeada, cuja atitude ousada e solidária com o comandante Carlos Marighella já está inscrita na história. Recebi a notícia na sexta-feira (15) pelo amigo e companheiro Paulo Vannuchi. Ouso dizer ter sido nas últimas décadas o pesquisador brasileiro mais completo, capaz de escarafunchar a história, trazer à memória coisas do subsolo, desconhecidas – só ele era capaz disso. Se ele não conseguisse, ninguém mais. Pesquisador e escritor consagrado. Notabilizou-se na revelação sobre a vida de Monteiro Lobato. Enveredou por estudos acerca de revolucionários inconformistas. Foi prêmio Jabuti nas categorias Ensaio e Fotografia e Livro do Ano. Uma vida de pesquisa, e a relação é ampla demais para caber aqui, nessa tentativa de homenagem – e digo tentativa porque duro de dar conta pela dor e amplitude da vida dele. Tive a alegria de contar com ele quando do trabalho em torno do livro “Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar”, no final dos anos 1990. Depois, trabalho intenso de pesquisa dele quando escrevi biografia de Waldir Pires, dois volumes lançados entre 2018 e 2019. E agora já havia trabalhado bastante no levantamento de arquivos em torno do senador Jaques Wagner, sobre quem comecei a produzir biografia. Estava juntando o material para me mandar, trabalhando em conjunto com a historiadora Beatriz Kushnir, com quem troquei palavras hoje, os dois tristes com a partida. Não sabia estivesse doente, não sei as circunstâncias da partida súbita dele. Afora todas as qualidades de jornalista, escritor, pesquisador, há de se registrar ser um homem de convicções profundas, um inimigo de tiranias, adversário de ditaduras, um militante, revolucionário. Na minha memória, ele se parecia, pela doçura, ternura, pela alegria, com outro amigo, já também no reino dos encantados, muito parecido com José Carlos Zanetti, cuja partida se deu no início de 2022. Acreditasse em vida eterna, e diria do alegre encontro dos dois em outras dimensões. Os dois, revolucionários amorosos, o oposto dos militantes ortodoxos, incapazes de viver a vida alegremente. Em mim, no coração, ficam a dor, inevitável, pela perda e, de modo aparentemente contraditório, a alegria e a honra por ter contado com a amizade dele, com aquele sorriso largo, com aquela serenidade, com aquele jeito feliz de viver a revolução e a vida.
* Emiliano José é Jornalista, escritor, professor. Membro do Conselho Consultivo da Abi.
Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)