Notícias

Documentário sobre mulheres pioneiras do jornalismo baiano é selecionado para festival na Ucrânia

O documentário “Entre a Caneta e o Poder: Mulheres no Jornalismo da Bahia”, dirigido por Daniel Talento, foi selecionado para o ICJ International Film Award 2026, festival internacional realizado na Ucrânia. Escolhida entre mais de 2.500 produções inscritas de diferentes países, a obra será exibida na abertura oficial do evento, no dia 14 de maio, e também fará parte do programa “Cinema nas Escolas”, iniciativa que levará o filme para 100 instituições de ensino ucranianas.

Produzido pela Arpoador Audiovisual e Tia Maria Filmes, o longa resgata histórias de jornalistas baianas que enfrentaram a censura da ditadura militar e ocuparam espaços historicamente dominados por homens dentro das redações. A partir de relatos e memórias dessas profissionais, a produção revisita um período marcado pelo autoritarismo e destaca a atuação feminina na construção da imprensa baiana.

O filme reúne depoimentos das jornalistas Mariluce Moura, Mônica Bichara e Joana D’arck, além das diretoras da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Carmela Talento, Isabel Santos e Jaciara Santos. O jornalista e escritor Emiliano José também participa da obra, contribuindo para a contextualização política e histórica do período retratado.

A obra tem direção de fotografia de Ruan Souza e Daniel Talento, montagem de Evodio Jr., trilha sonora de bob bastos, producao de Roger Cunha, produção executiva de Karen Zardi, e aborda temas como liberdade de expressão, representatividade feminina e memória da comunicação. As entrevistas revelam experiências marcadas por desafios profissionais, enfrentamentos políticos e pela busca constante por reconhecimento em um cenário ainda pouco acessível às mulheres na época.

A seleção para o ICJ International Film Award amplia o alcance internacional da produção e fortalece a presença do cinema independente baiano em festivais estrangeiros. A participação no programa “Cinema nas Escolas” também permitirá que estudantes ucranianos tenham contato com histórias de resistência protagonizadas por mulheres brasileiras durante um dos períodos mais delicados da história política do país.

Além da exibição de abertura em maio, a equipe participará, em setembro, do Red Carpet realizado no Castelo de Uzhhorod, na Ucrânia. A presença do documentário no festival representa mais um passo na circulação internacional de produções baianas voltadas para memória, direitos humanos e valorização da trajetória de mulheres na comunicação.

publicidade
publicidade
ABI BAHIANA

Memória do cinema: ABI recebe oficina de conservação e restauro do acervo de Walter da Silveira

Teve início nesta segunda-feira (11), na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), a oficina de Conservação e Restauro do projeto “Walter da Silveira: Acervo Digital – Etapa 2”. Realizada no Auditório Samuel Celestino, na Praça da Sé, a atividade reúne estudantes, pesquisadores, profissionais e interessados na preservação de acervos históricos, promovendo formação técnica e reflexão sobre a importância da memória cultural baiana.

Viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, a oficina utiliza documentos originais do acervo de Walter da Silveira como base para as atividades práticas de higienização, diagnóstico e conservação documental. Considerado um dos principais nomes da crítica cinematográfica brasileira, Walter da Silveira teve papel decisivo na formação do pensamento cinematográfico na Bahia e no Brasil. Fundador do Clube de Cinema da Bahia, nos anos 1950, ele influenciou gerações de cineastas e intelectuais, ajudando a consolidar um ambiente fértil para o surgimento do cinema moderno baiano e para a valorização do audiovisual como expressão cultural e política.

Seu legado atravessa a história do cinema nacional. Foi mentor intelectual de realizadores como Glauber Rocha e figura central na construção de uma cultura cineclubista no estado, tornando a Bahia um dos polos mais ativos do debate cinematográfico brasileiro no século XX. O acervo preservado reúne milhares de documentos, entre críticas, correspondências, fotografias, recortes de jornais, anotações e materiais relacionados à história do cinema baiano.

A abertura da oficina contou com uma apresentação sobre a trajetória da ABI e sua atuação na preservação da memória da comunicação e da cultura na Bahia. O historiador Pablo Sousa, assistente do Museu de Imprensa, apresentou parte do acervo histórico da entidade e falou sobre os trabalhos de conservação desenvolvidos com jornais, fotografias e documentos raros ligados à imprensa baiana.

Durante o encontro, Pablo também destacou a relevância histórica do acervo Walter da Silveira e o impacto da preservação documental na manutenção da memória audiovisual do estado.

O projeto “Walter da Silveira: Acervo Digital – Etapa 2” foi desenvolvido por Cyntia Nogueira e Manuela Muniz, com suporte técnico de Júlia Batista. A iniciativa tem como proponentes responsáveis Renata Santos e Cyntia Nogueira, reunindo ações de preservação, digitalização e difusão do acervo.

Roteirista, diretora, preservadora audiovisual e produtora executiva do projeto, Júlia Batista ressaltou que a oficina busca também ampliar a formação de profissionais na área da preservação audiovisual e documental.

Segundo ela, além da conservação do próprio acervo, a proposta é contribuir para a capacitação de pessoas aptas a atuar na preservação audiovisual baiana, fortalecendo a memória cultural e o patrimônio histórico do estado.

As atividades práticas do primeiro dia foram conduzidas pela restauradora Marilene Rosa. Os participantes conheceram materiais utilizados em processos de higienização e conservação documental, além da ficha de diagnóstico empregada na identificação de danos e necessidades específicas de cada peça do acervo.

A etapa inicial foi dedicada às técnicas de limpeza a seco, ao uso de materiais específicos para documentos históricos e às orientações sobre manuseio adequado e conservação preventiva, fundamentais para evitar deteriorações futuras.

Estudante do terceiro semestre de Arquivologia da Universidade Federal da Bahia, Alexandra Marques destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica e profissional.

“Hoje foi interessante porque é uma área que eu ainda não conhecia profundamente. Talvez até já praticasse alguns cuidados sem saber exatamente os procedimentos corretos. Estou ansiosa pelos próximos dias”, afirmou.

A programação segue até quinta-feira (14). Nesta terça-feira (12), os participantes terão contato com técnicas de pequenos reparos e restauro, incluindo tipos de papéis utilizados na restauração, desmontagem de livros e preparação da cola MC (Metil Celulose). As atividades serão conduzidas por Renata Santos e Marilene Rosa.

A oficina também contará com práticas de banho em documentos avulsos, procedimento utilizado nos processos de higienização e preservação documental, ampliando a experiência técnica dos participantes no cuidado com acervos históricos.

publicidade
publicidade
Notícias

ALB realiza mesa redonda sobre democracia e políticas públicas para a cultura

A Academia de Letras da Bahia (ALB) realiza nesta terça-feira (12), às 19h, a mesa redonda “Democracia e Cultura”. O encontro acontece na sede da instituição, em Nazaré, e vai reunir escritores, representantes políticos, pesquisadores e agentes culturais para discutir a democratização do acesso às políticas públicas voltadas à cultura, além de refletir sobre a relação entre produção cultural, participação social e fortalecimento da democracia.

O debate será coordenado pelo antropólogo, escritor e artista plástico Ordep Serra, membro da ALB e ex-presidente da instituição por duas gestões. Também participam da mesa o professor, jornalista, escritor e ativista político Emiliano José, titular da Cadeira nº 1 da Academia; o poeta e militante Víctor Passos Lopes, conhecido como Vitão do MST; a ex-presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella; e o deputado estadual Zé Raimundo.

A proposta do encontro é ampliar o debate sobre a importância das políticas públicas de incentivo à cultura, além de discutir os impactos sociais e institucionais provocados pela fragilidade democrática no setor cultural. A mesa também abordará temas como acesso à literatura, financiamento cultural, valorização das manifestações artísticas e fortalecimento das instituições culturais brasileiras.

Segundo Ordep Serra, a relação entre democracia e cultura é histórica e diretamente ligada à ampliação dos direitos sociais. Para o acadêmico, momentos de instabilidade política e ataques ao Estado Democrático de Direito afetam não apenas a produção artística, mas também o funcionamento das instituições responsáveis pela preservação da memória e pelo incentivo à cultura.

A realização da mesa redonda integra a programação de atividades promovidas pela Academia de Letras da Bahia voltadas para o estímulo ao pensamento crítico, à circulação de conhecimento e à valorização da cultura como instrumento de transformação social e fortalecimento da cidadania.

O evento é gratuito e aberto ao público. A Academia de Letras da Bahia conta com apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda, da Secretaria de Cultura da Bahia e da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba)


SERVIÇO
📅 Data:
12 de maio (terça-feira)
🕖 Horário: 19h
📍 Local: Academia de Letras da Bahia, Av. Joana Angélica, 198 – Nazaré🎟 Entrada gratuita

publicidade
publicidade
ABI BAHIANA

Noite de chorinho abre a Série Lunar 2026 na ABI

A abertura da temporada 2026 da Série Lunar, nesta quarta (06), transformou o Auditório Samuel Celestino, na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em um encontro da música brasileira. O público acompanhou a apresentação do Núcleo de Choro da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, em uma noite marcada pela emoção, improviso e reverência ao Dia Nacional do Choro, celebrado no dia 23.

A roda formada por estudantes e professores da Emus/UFBA envolveu o público desde os primeiros acordes, com interpretações vibrantes de clássicos associados a mestres como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Chiquinha Gonzaga. A dinâmica espontânea entre os músicos, característica central do choro, foi um dos pontos mais elogiados da noite prestigiada pela professora Teca Godim, vice-diretora da Emus.

Primeira vez na Série Lunar, Celeste Maltez afirmou ter ficado encantada com a noite. Ao comentar a importância da iniciativa cultural no Centro Histórico, Celeste avaliou que projetos como esse estimulam a população a voltar a frequentar a região, muitas vezes cercada por receios relacionados à segurança. “A presença de organização e segurança no evento transmite confiança ao público e fortalece a ocupação cultural do espaço”, destacou a farmacêutica, que foi acompanhada pela amiga Vera Lúcia. 

Há pouco tempo em Salvador, a mineira Vera Lúcia avaliou a experiência como “ótima”. Admiradora de chorinho, ela ressaltou a qualidade dos músicos e afirmou que aprecia o caráter mais intimista do gênero. “São encontros mais aconchegantes e próximos do público. Achei fantástico”, elogiou a advogada. 

O músico Zendo Melo e sua esposa, a musicista Lory Bruno, demonstraram interesse em retornar para as próximas edições, inclusive para acompanhar apresentações de outros estilos e formações musicais. Segundo ele, o evento cria um diálogo sem barreiras entre quem se apresenta e quem assiste, promovendo uma comunicação musical, cultural e espontânea. Ele aproveitou para apresentar a própria banda, a Our Garden Machine, grupo de rock formado na Itália e atualmente em atividade em Salvador, participando de eventos e apresentações em diferentes casas de show da cidade.

Jornalista e ex-coordenadora da Série Lunar, Amália Casal definiu a abertura da temporada 2026 como “surpreendente” e avaliou que o projeto já alcançou maturidade e raízes sólidas. Para ela, a chegada de uma nova coordenação representa uma renovação positiva, trazendo novos olhares e dinâmicas. Amália acredita que a diretora de Cultura, Yara Vasku, contribuirá para fortalecer ainda mais a iniciativa.

Ela destacou que a Série Lunar já possui um público fiel, além do apoio constante da Escola de Música da Universidade e de colaboradores ligados à cena cultural. Para Amália, iniciar a temporada com chorinho reforça a valorização da música de raiz e acompanha um movimento crescente de jovens interessados em aprender e tocar o gênero. 

A ex-diretora também relembrou a importância de músicos como Edison Sete Cordas e o grupo Os Ingênuos para a formação de novas gerações de chorões em Salvador. Segundo ela, após um período de enfraquecimento do movimento, o chorinho voltou a ganhar força entre músicos e admiradores. Amália defendeu ainda a criação de uma sede dedicada ao gênero na capital baiana, especialmente no Centro Histórico, espaço que considera ideal para abrigar um clube de choro, a exemplo do que ocorre em Brasília. 

Coordenado por Tadeu Maciel, o Núcleo de Choro demonstrou a força de um trabalho que vem se consolidando desde 2019 dentro da Emus/UFBA, ampliando ações de formação, circulação musical e valorização do gênero em Salvador. Além de Maciel (pandeiro), participaram da apresentação os estudantes Caio Brandão (violão), Jarder Ryan (clarinete) e a convidada Camile Bueno (flauta transversa). 

Realizada pela ABI em parceria com a Emus/UFBA, a Série Lunar segue consolidada como um dos projetos culturais mais relevantes do Centro Histórico de Salvador, promovendo encontros entre música, memória e formação artística em um ambiente de valorização da cultura brasileira. 

Desde 2024, a iniciativa conta com o apoio de empresas e instituições comprometidas com cultura e educação. Esta edição é apoiada pelo Sistema Faeb/Senar, que trabalha para fortalecer o setor agropecuário baiano, defendendo os interesses e direitos dos produtores rurais do nosso estado, além de capacitar e profissionalizar a mão de obra rural. A próxima apresentação acontece no dia 03 de junho.

Fotos: Marina Silva/ABI

publicidade
publicidade