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Salvador recebe a exposição World Press Photo 2017

A capital baiana recebe, pelo segundo ano consecutivo, a exposição World Press Photo, mostra mais importante do fotojornalismo mundial que reúne os registros mais impactantes de 2016. São 154 imagens sobre temas variados como política, economia, esportes, cultura e meio ambiente. O público pode conferir a mostra entre os dias 13 de dezembro a 04 de fevereiro, de terça a domingo, das 9h às 18h, na CAIXA Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro). A entrada é franca.

Entre as temáticas, a crise dos refugiados em função dos conflitos na África e Oriente Médio é o assunto que tem maior presença e repercussão nesta edição da mostra.

A fotografia vencedora – “Um assassinato na Turquia”: a principal fotografia vencedora da World Press Photo do Ano de 2016, foi “Um assassinato na Turquia”, do turco Burhan Ozbilici. O registro foi feito em dezembro de 2016, quando o policial Mevlut Mert, que estava de folga, atirou contra o embaixador da Rússia Andrei Karlov, em uma sala de exposições, em Ancara. Na imagem, o assassino aparece com a pistola na mão e o dedo em riste. Na ocasião, ele gritava: “Não se esqueçam de Alepo. Não se esqueçam da Síria”.

O Brasil na World Press Photo 2017: o brasileiro Lalo de Almeida, fotógrafo da Folha de S. Paulo, foi premiado pela primeira vez na World Press Photo. Ele recebeu o 2º lugar na categoria Assuntos Contemporâneos com o sensível ensaio sobre bebês com microcefalia, vítimas do vírus da Zika no Nordeste – parte de um especial publicado pelo jornal em dezembro.

Já o brasileiro Felipe Dana, que trabalha para a agência The Associated Press, havia recebido uma Menção Honrosa em 2013. Este ano, no entanto, ele levou o terceiro lugar na categoria Notícias em Destaque, com a imagem “Batalha por Mosul”, feita no Iraque, durante a ofensiva das forças especiais iraquianas e das milícias aliadas para recuperar o controle da cidade tomada pelo Estado Islâmico.

O Brasil ainda está presente na foto do alemão Kai Oliver Pfaffenbach, que congelou o sorriso vitorioso do atleta jamaicano Usain Bolt na semi-final dos 100 metros rasos, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. A imagem recebeu o 3º lugar na categoria Esporte, fotos individuais.

A premiação em números: o World Press Photo 2017 atraiu inscrições de todo o mundo: 5,034 fotógrafos de 126 nacionalidades inscreveram 80,408 imagens. O júri distribuiu prêmios em oito categorias para 45 fotógrafos de 25 países: Austrália, Brasil, Canadá, Chile, China, República Tcheca, Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Índia, Irã, Itália, Paquistão, Filipinas, Romênia, Rússia, África do Sul, Espanha, Suécia, Síria, Nova Zelândia, Turquia, Grã-Bretanha e EUA.

A World Press Photo, organização independente sem fins lucrativos, promove o mais importante concurso internacional de fotojornalismo. A fundação está empenhada em apoiar e promover altos padrões de qualidade na fotografia, com o objetivo de gerar interesse e reconhecimento no grande público pelo trabalho dos fotógrafos e de outros jornalistas visuais, e pela livre troca de informações.

Para conhecer todas as fotografias vencedoras: http://www.worldpressphoto.org/collection/photo/2017

Informações: (71) 3421-4200

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Panorama Internacional Coisa de Cinema agita Salvador e Cachoeira

Mais de 1.200 produções foram assistidas pela equipe de curadoria do XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, para definir as competitivas Nacional de Longas, Nacional de Curtas, Baiana e Internacional. O evento acontece em Salvador e em Cachoeira, de 8 a 15 de novembro, mantendo o formato já consolidado e esperado por um público sedento pelas novidades do cinema independente. A Competitiva Baiana reúne 26 filmes produzidos em Salvador e no interior da Bahia. Nas competições de filmes brasileiros, haverá debate com os realizadores após a maioria das sessões. Os ingressos para as exibições na capital baiana já estão disponíveis para compra. Já em Cachoeira, a entrada é gratuita.

Segundo os idealizadores do projeto, Marília Hughes e Cláudio Marques, “O Cinema no Centro” continua sendo o lema do Panorama. “No centro das nossas vidas e das nossas cidades. Salvador e Cachoeira contam com belíssimos cinemas em seus centros históricos. Com muita alegria, nós vamos ocupar esses cinemas de rua e ver milhares de pessoas caminhando pelas calçadas dos nossos Centros Históricos”, diz texto divulgado pela dupla.

O destaque desta edição serão as homenagens ao cinema nacional. Um dos nomes celebrados será o ator Paulo José, que completou 80 anos em março e fez cerca de 50 filmes ao longo da sua carreira. No dia 11 de novembro, será exibido o documentário “Todos os Paulos do mundo”, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira, que debaterá o filme com o público após a exibição. A homenagem inclui ainda a exibição de Macunaíma e O Padre e a Moça, ambos de Joaquim Pedro de Andrade.

O Panorama também irá render homenagens aos cineastas Guido Araújo, Geraldo Moraes e Luiz Paulino dos Santos, todos falecidos este ano. Parte da trajetória de Guido será resgatada com a exibição dos episódios 1 e 5 da série “O Senhor das Jornadas”, dirigida por Jorge Alfredo. A obra de Geraldo estará representada por “A Difícil Viagem” e a de Luiz Paulino por “Índios Zoró – Antes, Agora e Depois?”.

Abertura

Grande vencedor do Festival do Rio e ganhador do Prêmio Especial do Júri do último Festival de Locarno (Suíça), o longa “As Boas Maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra, será exibido na abertura festival. A sessão acontece dia 8 de novembro, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, em horário a definir. Estrelado por Marjorie Estiano (melhor atriz coadjuvante no Festival do Rio) e Isabél Zuaa, o filme é uma fábula de horror que revela a força do cinema de gênero no Brasil.

Entre outros filmes, a escolhida pelo júri popular como melhor filme do último Festival de Brasília, a produção baiana “Café com Canela”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, aborda o reencontro transformador de duas antigas amigas. O longa ganhou ainda os Candangos de melhor roteiro e melhor atriz (Valdinéia Soriano). Dezesseis produções da Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais compõem a Competitiva Nacional de Curtas, que inclui o premiado Chico (RJ), de Eduardo Carvalho e Marcos Carvalho.

O cinema realizado em treze países, seja com produções individuais ou em parceria, está representado nos sete longas e 13 curtas da Competitiva Internacional. Entre os longas selecionados estão Rei (Rey), de Niles Atallah, premiado no Festival de Roterdã; e A Ciambra, de Jonas Carpignano, vencedor do Europa Cinemas Label do Festival de Cannes.

SERVIÇO
O que: XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema
Quando: 08 a 15 de novembro
Onde: Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha / Cine Theatro Cachoeirano
Preço: Salvador: R$ 10,00 (inteira)/ R$ 5,00 (meia) avulso – R$ 40,00 passaporte para 10 sessões
Cachoeira: Gratuito

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Imprensa baiana se organiza para cobrir a Campus Party

Bahia vai sediar pela primeira vez um dos maiores eventos tecnológicos do mundo

As comunidades geek e nerd baianas estão em contagem regressiva para dar start em um dos maiores eventos da área tecnológica. O cronômetro instalado na página oficial já avisou que, em algumas horas, terá início a Campus Party, que aterrissa pela primeira vez na Bahia. Dezenas de profissionais da imprensa vão garantir a cobertura completa do encontro, a ser realizado na Arena Fonte Nova entre os dias 9 e 13 de agosto.

De acordo com a organização, o grande número de pedidos de credenciais de imprensa limitou a concessão. Com isso, só será permitida a entrada dos profissionais mediante a apresentação do documento informado no cadastro (RG ou passaporte). O credenciamento é individual e não serão atendidas solicitações de pessoas sem nenhuma atuação editorial.

O jornal A Tarde, impresso oficial da Campus Party, afirma que vai enviar uma equipe formada por repórteres e fotógrafos para a Fonte Nova. Os profissionais ficarão acampados durante todos os dias do encontro, a fim de produzir conteúdo ininterrupto para todos os canais: portal, jornal impresso e rádio, além das redes sociais.

Área gratuita

A boa notícia para quem não conseguiu ou não pode comprar ingressos é que os mais de 40 mil visitantes esperados terão acesso a uma área gratuita, a Open Campus, criada para democratizar a maratona de tecnologia. Para entrar, basta realizar um rápido cadastro com nome, e-mail e RG no próprio local do evento. O espaço funcionará nos dias 10 e 11 deste mês, das 10h às 21h, e no dia 12, das 10h às 18h.

Ao realizar o encontro, uma das apostas da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia é linkar a Campus com o Parque Tecnológico, centro que compõe o sistema estadual de inovação. A expectativa do órgão é realizar cerca de 250 horas de atrações, girando em torno de cinco temáticas principais: Inovação, Ciências, Empreendedorismo, Criatividade e Entretenimento.

Na programação, estão previstos palestras, workshops, apresentação de projetos, maratona de negócios e outras atividades. Foi montada uma estrutura com aproximadamente 1500 barracas para abrigar os participantes, também chamados de “campuseiros”. Uma conexão de internet de 20 gigabites vai garantir a interação.

A Campus Party surgiu na Espanha e é conhecida internacionalmente, já tendo sido realizada em diversos países. Em 2017, o evento passou em junho por Brasília, e acontecerá também no Rio de Janeiro (em setembro) e em Belo Horizonte (em outubro).

 SERVIÇO:

Campus Party – Salvador

Local: Arena Fonte Nova

Data: de 9 a 13 de agosto

ABI BAHIANA Notícias

Festa do “2 de julho” exalta luta de Salvador contra o domínio português

Era pouco mais de seis da manhã, quando uma alvorada de fogos rompeu o silêncio do Largo da Lapinha, dando início aos festejos do Dois de Julho, data em que é celebrada a Independência do Brasil na Bahia. Sob o tema “Salvador – Marco da Independência”, a Bahia comemorou 194 anos da revolução anticolonial, exaltando a contribuição da primeira capital do país no combate ao domínio português. Hasteadas as bandeiras, os carros que levavam o Caboclo e a Cabocla seguiram em direção ao Campo Grande. Eles só retornarão à Lapinha para encerrar as comemorações, na próxima quarta-feira (5).

Além de ser feriado estadual e efeméride nacional, o 2 de Julho é Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, por motivos sócio-antropológicos, históricos e simbólicos. Em 1823, nesta data, as forças brasileiras entraram em Salvador, tomaram a cidade de volta e consolidando a vitória, já que mesmo com a declaração de independente, em 1822, o Brasil ainda precisava se livrar das tropas lusitanas.

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Ao longo das ruas, ladeiras e praças, os baianos resgatam anualmente a história dessas lutas, através das tradicionais fanfarras, desfiles de colégios estaduais, de militares, dos movimentos sociais, dos grupos de samba e batucadas. O heterodoxo cenário do cortejo cada vez mais incorpora novos elementos e se reinventa. É no miolo destas festividades que se nota a mescla do caráter histórico e oficial com as manifestações e protestos culturais populares.

A história é contada através das fachadas das casas - Foto: Tarsilla Alvarindo
A história é contada através das fachadas das casas – Foto: Tarsilla Alvarindo

Embora este ano não tenha sido realizado o tradicional concurso cultural “Decoração da Fachada – 2 de Julho”, a empolgação de quem ajuda a dar cor ao trajeto não foi abalada. Na frente da casa de número 34, à Rua Direita do Santo Antônio, encontramos Maria Quitéria e outros heróis do evento cívico. Todos os ilustres personagens interpretados pelos netos de Maria de São Pedro, que há mais de quatro décadas mora no local. Aos 77 anos, Dona Peu, como é conhecida por todos, nasceu no dia 2 de julho e é uma das moradoras que capricham nas fachadas das casas. Há 20 anos, ela conta com o auxílio da família para abrilhantar o desfile, com cenários que envolvem personagens históricos e elementos da fauna e da flora brasileira.

Toda a ornamentação é feita pela estilista e artesã Nea Santtana, filha de D. Maria. Ela levou um ator muito especial este ano. Vestido de índio e pulando de alegria, lá estava seu filho, o pequeno Arthur, de 1 ano e 10 meses. “A emoção em vê-lo participando foi única. Eu lembrei de quando saí pela primeira vez [vestida] de Maria Quitéria. Foi muito lindo”, afirma Nea, ao recordar a época em que ela fazia parte do elenco.

Dona Maria, 77 anos, faz aniversário no Dia da Independência - Foto: Nea Santtana
Dona Maria, 77 anos, faz aniversário no Dia da Independência – Foto: Nea Santtana

Durante todo o percurso, famílias acenavam das janelas que se tornaram camarotes com vista privilegiada para o espetáculo de cores, em um dia repleto de manifestações artísticas, políticas, culturais e religiosas. Quem faz de tudo para não perder o desfile é a advogada baiana Magnólia Regis, que mora na cidade do Rio de Janeiro há mais de 30 anos, “Estudei no Colégio Severino Vieira, em Nazaré, e defendo o ensino dos nossos hinos nas escolas brasileiras. Temos que manter essa belíssima tradição das fanfarras e não deixar a história de perder. O apagamento do nosso passado e a ignorância do povo é conveniente para quem está no poder”.

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Já são três anos sem a presença de uma importante ativista da luta pela preservação da memória da Bahia e valorização da festa da Independência, a professora Consuelo Pondé de Sena, ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). Uma missa realizada na manhã de sábado (1º), na Igreja São Pedro dos Clérigos, homenageou a historiadora falecida em maio de 2015, aos 81 anos, vítima de uma arritmia cardíaca.

Vitrine

No dia anterior aos festejos do Dois de Julho, a Prefeitura avisou fiscalizaria e multaria, caso constatasse qualquer publicidade irregular ao longo do cortejo, o que inclui os famosos balões, faixas, placas e painéis publicitários. Segundo o diretor de fiscalização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), Átila Brandão Júnior, a intenção seria “deixar a plástica e a estética do desfile mais prazerosas e mais atrativas”, já que em 2016, 256 peças irregulares foram apreendidas. Ainda de acordo com a Prefeitura, a proibição tem como base o decreto 12.642/2000, que versa sobre o ordenamento da publicidade na paisagem do Município.

Irreverência no protesto contra a corrupção- Foto: Margarida Neide/A Tarde
Irreverência no protesto contra a corrupção- Foto: Margarida Neide/A Tarde

Mas nem mesmo a proibição ameaçou o caráter político da festa. Alguns manifestantes vestiram camisetas e levaram cartazes, pirulitos e faixas, para pedir novas eleições e protestar contra os projetos de reformas trabalhistas e da previdência. Outros, exibiam frases de apoio ao juiz Sérgio Moro, às investigações da operação Lava Jato conduzida pela Polícia Federal. Um dos manifestantes recorreu à irreverência para mostrar toda a sua indignação com o cenário político do país: carregou para o desfile uma mala decorada com notas de dinheiro, em alusão ao ex-deputado Rocha Loures, que aparece em um vídeo com uma mala que teria a quantia de R$ 500 mil.

*Foto de capa: Henrique Mendes