Chega à sua terceira edição o Prêmio Indústria Brasileira de Árvores de Jornalismo. A Ibá promove seu Prêmio de Jornalismo com o objetivo de estimular e reconhecer a cobertura jornalística de qualidade relacionada ao setor de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração. As reportagens podem abordar a indústria em seus mais diversos aspectos, sejam econômicos, ambientais ou sociais.
Assim como na edição anterior, o prêmio conta com quatro categorias para inscrição: vídeo, áudio, texto e veículo setorizado. Uma reportagem será premiada em cada categoria, recebendo o valor de R$ 5 mil, além de troféu e certificado. Haverá ainda uma menção honrosa no valor de R$ 3 mil.
Para concorrer, as reportagens podem ser enviadas até o dia 1º de outubro pelo formulário de inscrição disponível no site da Ibá (www.iba.org/premio). As reportagens devem respeitar alguns critérios básicos, entre eles, ter sido publicadas em um veículo de imprensa entre o dia 1º de outubro de 2025 e o término das inscrições.
Jurados
Em breve, a Ibá anunciará a banca de jurados de 2026. Em anos anteriores, a premiação contou com nomes de destaque, como os jornalistas Leão Serva e Heródoto Barbeiro; Dalva Queiroz, pesquisadora da Embrapa; José Otávio Brito, professor da USP; Elson Fernandes de Lima, diretor-executivo do FSC Brasil; e Cindy Correa, gerente de Comunicação da Ibá.
Em seu primeiro ano, o Prêmio Ibá recebeu mais de 100 reportagens enviadas por profissionais de 17 estados de todas as regiões do país. A maioria das inscrições foi feita na categoria escrita (62), seguida por TV (28), veículo especializado (11) e áudio (7). Entre as reportagens premiadas, houve trabalhos de grandes veículos nacionais, assim como de filiadas, jornais e rádios regionais.
O setor brasileiro de árvores cultivadas é uma potência da bioeconomia global. Planta, colhe e replanta em mais de 10 milhões de hectares, além de preservar 6,9 milhões de hectares de áreas nativas.
Sobre a Ibá
A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) é a associação responsável pela representação institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas para fins industriais e de restauração, do campo à indústria, junto a seus principais públicos de interesse. Lançada em abril de 2014, representa 50 empresas e 10 entidades estaduais de produtos originários do cultivo de árvores plantadas — painéis de madeira, pisos laminados, celulose, papel, florestas energéticas e biomassa —, além de produtores independentes de árvores plantadas e investidores institucionais.
Nas últimas décadas, as mulheres ampliaram sua presença no mercado de trabalho, conquistaram formação acadêmica em níveis recordes e ocuparam espaços estratégicos nas organizações. Ainda assim, quando observamos os postos de comando, os conselhos de administração e as presidências de grandes empresas, a equidade está longe de ser uma realidade consolidada.
O mundo corporativo atual é marcado por transformações aceleradas: inovação tecnológica, novas dinâmicas de trabalho, pressão por resultados sustentáveis e atenção crescente às agendas ESG. Nesse cenário, a liderança feminina não é apenas uma pauta identitária: é uma necessidade estratégica. Diversidade gera melhores decisões, amplia perspectivas e fortalece a governança. Mas o caminho até esse reconhecimento pleno ainda apresenta obstáculos estruturais.
Um dos principais desafios é o chamado “teto de vidro”: barreiras invisíveis que limitam a ascensão das mulheres, mesmo quando qualificadas e experientes. Muitas vezes, essas barreiras se manifestam em processos de promoção pouco transparentes, redes de relacionamento predominantemente masculinas e vieses inconscientes que associam liderança a perfis tradicionalmente masculinos.
Além disso, a sobrecarga decorrente da dupla jornada (trabalho formal e responsabilidades domésticas) ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. A ausência de políticas corporativas consistentes de flexibilidade, apoio à maternidade e corresponsabilidade parental contribui para a evasão de talentos femininos ao longo da trajetória profissional.
Falar sobre liderança feminina hoje é também falar sobre violência. Desafios estruturais que são expressos de diversas formas. Desde a forma física e mais brutal como nos frequentes casos de feminicídio que assolam a nossa sociedade, como também as violências simbólicas e institucionais que marcam o cotidiano profissional feminino. Um dos exemplos mais recorrentes é a interrupção constante da fala das mulheres em reuniões e debates. A prática é tão frequente que já ganhou até nome em estudos internacionais.
Além disso, ideias apresentadas por mulheres muitas vezes só são reconhecidas quando reiteradas por colegas homens. O resultado é um ambiente onde a visibilidade intelectual e estratégica se torna desigual exigindo de nós, mulheres, um esforço adicional para manter espaço e protagonismo. São violências sutis, nem sempre explícitas mas que se manifestam também em piadas desqualificadoras, comentários sobre aparência, práticas que isoladamente podem parecer pequenas e até inocentes mas que perpetuam um cenário de exclusão e desigualdade estrutural.
O assédio sexual, por sua vez, permanece como uma das faces mais graves da violência contra as mulheres no mundo corporativo. Uma realidade que muitas mulheres ainda hesitam em denunciar por medo de retaliação, descrédito ou prejuízo da própria carreira. O silêncio, no entanto, não protege as instituições. Ao contrário. Apenas perpetua estruturas abusivas.
Como jornalista e dirigente institucional, observo que a comunicação é um elemento central nesse debate. Dar visibilidade às práticas abusivas, tratar denúncias com responsabilidade e estimular o debate público são formas de fortalecer as organizações. Ambientes corporativos seguros não são construídos apenas com normas, mas com exemplo. A liderança feminina é parte essencial nessa tarefa. Entretanto, a forma como líderes mulheres são retratadas, avaliadas e cobradas ainda difere daquela aplicada aos homens. Características como firmeza e assertividade, quando demonstradas por mulheres, muitas vezes são interpretadas de maneira mais crítica.
É papel da imprensa, das assessorias e das instituições contribuir para narrativas mais justas, que valorizem competência, resultados e visão estratégica, independentemente de gênero. Ao mesmo tempo, é fundamental dar visibilidade a exemplos inspiradores não como exceção, mas como parte de um movimento consistente de transformação.
No Brasil e no mundo, ainda é reduzido o número de mulheres à frente de grandes corporações, federações empresariais e entidades de classe. Quando essas lideranças surgem, frequentemente carregam o peso simbólico de representar todas as mulheres, uma expectativa que raramente é imposta aos homens.
A experiência de assumir a presidência de uma instituição tradicional como a Associação Baiana de Imprensa — sendo a primeira mulher a ocupar o cargo em 95 anos — evidencia que os avanços são reais, mas também revela o quanto ainda precisamos avançar para que esse fato deixe de ser exceção e passe a ser regra.
Superar esses desafios exige ações concretas: políticas corporativas estruturadas de diversidade e inclusão, com metas e indicadores claros, programas de mentoria e formação de lideranças femininas, ampliando redes de apoio e sucessão, transparência salarial e de critérios de promoção, reduzindo desigualdades históricas, ambientes de trabalho mais flexíveis e corresponsáveis, que reconheçam as múltiplas dimensões da vida das mulheres. Mais do que discutir presença feminina, é preciso falar sobre influência e poder de decisão. Liderança não é apenas ocupar uma cadeira. É participar ativamente da definição de estratégias, cultura e propósito organizacional.
A liderança feminina no mundo corporativo não é um tema restrito às mulheres. Trata-se de uma agenda coletiva, que envolve homens, empresas, governos, imprensa e sociedade civil. O desenvolvimento econômico sustentável passa, necessariamente, pela inclusão plena dos talentos femininos nos espaços de decisão. Como entidade que historicamente defende a liberdade de imprensa e a democracia, a Associação Bahiana de Imprensa reafirma seu compromisso com a promoção do debate qualificado sobre equidade, diversidade e ética nas organizações. Liderar é também abrir caminhos. E quanto mais mulheres estiverem nesses caminhos, mais plural, inovador e justo será o futuro corporativo que construiremos.
*Suely Temporalé Presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), jornalista especializada em Marketing e Propaganda e em Convergência Midiática, sócia-diretora da AT – Comunicação Corporativa.
Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
Com o tema “Lute como uma Jornalista – Diga NÃO ao feminicídio”, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) realiza, ao longo do mês de março, a 6ª Jornada de Mulheres do Sinjorba, reafirmando o compromisso da entidade com a defesa da vida das mulheres e com o enfrentamento à violência de gênero.
A iniciativa reúne atividades de mobilização, formação e integração da categoria, articulando ação política, qualificação profissional e participação coletiva em torno de um dos temas mais urgentes da sociedade brasileira: o combate ao feminicídio.
A programação tem início no dia 7 de março, com o Verão Pé na Areia, mini torneio de baleado, das 8h às 10h, na Terceira Ponte – Jaguaribe, com times mistos de mulheres e homens. A atividade é gratuita e aberta à categoria.
No 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, o Sinjorba participa da Marcha 8M, ato unificado com concentração às 9h, no Cristo da Barra, e caminhada até o Farol da Barra, reunindo movimentos sociais em defesa do direito à vida das mulheres.
Já no dia 12 de março, será realizada a oficina “Protocolo Antifeminicídio – Guia de Boas Práticas para a Cobertura Jornalística”, em parceria com a Associação Bahiana de Imprensa (ABI). A atividade propõe qualificar a cobertura da violência de gênero, destacando o papel do jornalismo na construção de narrativas responsáveis, éticas e comprometidas com os direitos humanos. Clique AQUI e inscreva-se.
Responsabilidade coletiva
Para a coordenadora da Comissão de Mulheres do Sinjorba, Isabel Santos, a Jornada reforça que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige mobilização permanente. “O feminicídio é a expressão mais extrema de uma cultura de violência que precisa ser enfrentada diariamente. A Jornada é um espaço de formação, diálogo e posicionamento político. Precisamos fortalecer a consciência da categoria sobre o impacto social da nossa atuação profissional”, afirma Isabel.
A presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama, destaca que o tema escolhido dialoga diretamente com a responsabilidade social do jornalismo. “Quando afirmamos ‘Lute como uma Jornalista’, estamos chamando a categoria a assumir seu papel na defesa da vida das mulheres. A forma como noticiamos a violência pode contribuir para transformações ou para a perpetuação de estigmas. Precisamos de um jornalismo comprometido com a ética, com a dignidade e com os direitos humanos.”
Fernanda também ressalta a importância da participação masculina na programação. “Essa é uma luta que precisa ser coletiva. Convidamos os homens da categoria a se tornarem aliados ativos no enfrentamento à violência de gênero. Não há mudança estrutural sem corresponsabilidade.”
O Sinjorba convida toda a categoria para participar da 6ª Jornada de Mulheres e informa que outras atividades poderão ser incorporadas à programação ao longo do mês de março, ampliando os espaços de debate, mobilização e fortalecimento da luta das mulheres.
Vivemos um tempo em que a inteligência artificial deixou de ser uma abstração futurista e passou a habitar o cotidiano — dos aplicativos que otimizam nossa agenda às plataformas que redigem textos, interpretam dados e até criam imagens com um clique. A reação mais comum tem sido o desespero: medo de substituição, ansiedade por atualização, corrida para não “ficar para trás”. Mas talvez o desafio não seja correr mais rápido — e sim aprender a caminhar com serenidade.
A simplicidade, aqui, não significa passividade. Significa compreender que a IA não é um inimigo a ser combatido, mas um instrumento a ser compreendido. A pressa em dominar a tecnologia pode nos fazer esquecer o essencial: aIA depende de nós. Ela não cria sentido por conta própria — apenas amplifica o sentido que damos a ela. Quanto mais claro o nosso propósito, mais humana se torna a tecnologia que usamos.
O desespero nasce quando confundimos ferramenta com identidade. Nenhum algoritmo substitui a curiosidade, o pensamento crítico ou a empatia — virtudes humanas que alimentam o próprio avanço tecnológico. A IA pode gerar respostas, mas é o olhar humano que faz as perguntas certas. Ela pode sugerir caminhos, mas só o discernimento humano escolhe a direção. Em vez de competir com as máquinas, precisamos aprender a colaborar com elas — transformando dados em decisões, informação em sabedoria, velocidade em propósito.
Manter-se sereno diante do avanço tecnológico é um ato de inteligência emocional e estratégica. Significa continuar estudando, explorando novas formas de aprender e trabalhar, sem perder o centro. É observar o movimento com calma, identificar oportunidades e perceber que a transformação digital é, antes de tudo, uma transformação de mentalidade.
Ser simples, nesse contexto, é escolher o essencial: compreender o que a IA pode fazer por nós, sem terceirizar o que nos torna humanos. É cultivar o pensamento analítico, mas também o intuitivo. É valorizar a escuta, a ética, a sensibilidade e o repertório cultural — dimensões que não podem ser codificadas.
*Diego Oliveira é pensador em marketing, professor e coordenador acadêmico da ESPM, além de doutorando em Comportamento do Consumidor. Colunista do Meio & Mensagem, Let’s Go e ABMP, e palestrante na ETD, pesquisa e debate temas como Brasil Plural, protagonismo digital e comunicação em tempos de incerteza. Criador dos movimentos Isokan e Qual é o seu Plano A?, além do projeto #DiegoQueDisse, acredita nos múltiplos Brasis — diversos, potentes e em movimento — e conecta inovação, diversidade e impacto social para transformar dados em cultura, decisões mais humanas e caminhos de futuro.
Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)