Blog das vidas

ABI lamenta a morte do repórter cinematográfico Luiz Vieira

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) lamenta profundamente a morte do repórter cinematográfico Luiz Vieira, neste domingo (15), aos 59 anos. Conhecido entre colegas pelo apelido de “Lula”, ele construiu uma trajetória marcada pela dedicação à reportagem televisiva e ao registro de imagens que ajudaram a contar a história cotidiana da Bahia.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, Luiz Vieira sofreu um mal súbito dentro de casa e foi encontrado desacordado por familiares. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegou a ser acionado, mas ao chegar ao local a equipe médica constatou o óbito.

Com vasta atuação no jornalismo, sendo três dácadas como funcionário da Record Bahia, Lula era reconhecido pelo olhar técnico apurado e pela exigência profissional. Nos bastidores da imprensa, ganhou o apelido de “Autarquia das Imagens”, expressão usada por colegas para destacar a qualidade do seu trabalho e sua autoridade na área da reportagem cinematográfica.

Aposentado há cerca de três meses, ele deixa dois filhos e um legado de contribuição para a formação de novos profissionais da área, tendo sido referência para gerações de repórteres cinematográficos que atuam na imprensa baiana.

Nas redes sociais, diversos jornalistas, cinegrafistas e profissionais da comunicação que dividiram pautas e coberturas com Luiz Vieira, como Tarsilla Alvarindo, Léo Rodrigues, Zé Eduardo e Matheus Ramos, manifestaram pesar pela perda, lembrando episódios de convivência, o profissionalismo e o espírito solidário que marcaram sua trajetória nas redações e nas ruas.

O sepultamento será nesta segunda-feira (16), às 13h, no Cemitério Campo Santo, em Salvador.

Neste momento de dor, a Associação Bahiana de Imprensa se solidariza com familiares, amigos e colegas de profissão de Luiz Vieira. A entidade presta homenagem a um trabalhador da imagem que dedicou sua vida ao jornalismo e deixa uma contribuição importante para a memória e para a prática da reportagem na Bahia.

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ABI BAHIANA

ABI acompanha anúncio de requalificação de ruas no Centro Antigo de Salvador

A jornalista Suely Temporal, presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), participou nesta sexta-feira (13) do ato que autorizou a abertura do processo licitatório para as obras de requalificação da Rua da Ajuda e da Rua do Tesouro, no Centro Antigo de Salvador. Com a presença do governador Jerônimo Rodrigues e seu vice Geraldo Jr., a agenda ocorreu no Palacete Tira-Chapéu e reuniu autoridades públicas, representantes do setor empresarial e investidores que atuam na recuperação de imóveis históricos na região.

A presença da ABI no encontro se justifica pelo interesse direto da instituição na revitalização do Centro Histórico e do Centro Antigo de Salvador. A entidade é proprietária do Museu Casa de Ruy Barbosa, localizado na rua Ruy Barbosa, vizinha das ruas contempladas pelo projeto. “A requalificação urbana é vista como estratégica para a preservação do patrimônio histórico e para a valorização de equipamentos culturais que mantêm viva a memória da cidade”, destacou Suely Temporal.

Foto: Thuane Maria/GOVBA

A intervenção, coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e pela Conder, terá investimento estimado em R$ 3,4 milhões. As obras incluem a substituição do pavimento asfáltico por paralelepípedo, recuperação e ampliação das calçadas com acessibilidade, instalação de vala técnica para redes subterrâneas de energia e telecomunicações e implantação de nova iluminação pública.

A iniciativa integra o conjunto de ações voltadas à revitalização do Centro Antigo de Salvador, com o objetivo de valorizar o patrimônio histórico, melhorar a mobilidade urbana e fortalecer a atividade econômica e cultural da região. A proposta também busca estimular a ocupação de imóveis históricos e ampliar a circulação de moradores, visitantes e empreendimentos no coração da capital baiana.

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ABI BAHIANA

Oficina Antifeminicídio debate papel do jornalismo na cobertura da violência contra mulheres

Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios da última década, com 1.568 mulheres mortas por razões de gênero, representando um aumento de 4,7% em relação a 2024, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Diante de números cada vez mais alarmantes, a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia (Sinjorba) promoveram, na tarde desta quinta (12), a “Oficina Antifeminicídio – Como a imprensa pode contribuir para o fim da violência de gênero”.

A atividade foi realizada no Auditório Samuel Celestino, na sede ABI, no Centro Histórico de Salvador, com a participação de jornalistas e estudantes de Comunicação, como parte da programação alusiva ao mês da mulher.

Apesar da gravidade do problema, reportagens sobre violência de gênero representam apenas entre 1% e 2% das notícias publicadas no país, segundo dados do Global Media Monitoring Project (GMMP), maior estudo internacional sobre gênero nas notícias, realizado em 94 países. A pesquisa foi apresentada na oficina pela professora Letícia Campos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Os números, apresentados pela pesquisadora funcionaram como ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre o papel da imprensa na forma como a sociedade compreende e enfrenta a violência contra as mulheres.

Ao apresentar os resultados do GMMP, Letícia Campos destacou que a baixa presença feminina no noticiário não é apenas um problema de representação simbólica, mas um indicador de distorção no debate público. Apenas 3% a 6% das matérias desafiam estereótipos de gênero.

“A sub-representação feminina revela um déficit democrático”, afirmou a pesquisadora, ressaltando que a ausência das mulheres nas narrativas jornalísticas compromete a pluralidade de perspectivas e a compreensão completa da realidade social.

O levantamento mostra ainda que, quando aparecem nas notícias, as mulheres costumam ocupar papéis de menor autoridade – como testemunhas ou personagens de histórias pessoais – e raramente são ouvidas como especialistas ou fontes institucionais. Esse padrão reforça desigualdades estruturais que também se refletem dentro das próprias redações.

Jornalismo e responsabilidade social

A abertura da oficina foi feita pela presidente do Sinjorba, Fernanda Gama, que destacou a importância de preparar profissionais da imprensa para lidar com um tema que exige sensibilidade e responsabilidade.

Segundo ela, a maneira como os casos de violência contra mulheres são narrados pode contribuir tanto para o enfrentamento do problema quanto para a reprodução de estigmas e naturalizações da violência.

Fernanda também chamou atenção para o sentimento de vulnerabilidade que atravessa a experiência cotidiana feminina. “O homem tem medo de ser preso e estuprado na cadeia. Esse é o sentimento que acompanha as mulheres diariamente”, afirmou.

Protocolo antifeminicídio

Na sequência, a presidente da ABI, Suely Temporal, falou sobre os objetivos do Protocolo Antifeminicídio – Guia de Boas Práticas para a Cobertura Jornalística, elaborado em 2024 por diretoras da ABI como instrumento de orientação para profissionais da comunicação.

Participaram também a jornalista Suzana Alice Pereira e a primeira-secretária da ABI, Jaciara Santos, que integram o grupo responsável. Amália Casal, ex-diretora da entidade e uma das mulheres responsáveis pela concepção do documento, esteve presente para contribuir com o debate.

Segundo Suely Temporal, o protocolo surge da necessidade de aprimorar a forma como a imprensa aborda crimes de violência contra mulheres, evitando práticas que podem reforçar preconceitos ou banalizar a gravidade desses casos. “São guias de boas práticas para que a imprensa não normalize a violência”, afirmou.

Entre as recomendações presentes no documento estão evitar a culpabilização da vítima, não expor familiares de forma desnecessária, não romantizar ou justificar a violência e não adotar narrativas que humanizem o agressor em detrimento da gravidade do crime.

O protocolo também orienta que os casos sejam contextualizados como parte de um problema estrutural da sociedade, e não tratados como episódios isolados ou motivados por supostos “crimes passionais”.

“Este protocolo não pertence somente à ABI. Ele serve para que todos da imprensa aprendam e compreendam esse tipo de cobertura jornalística. É de suma importância que seja amplamente divulgado para que haja mais responsabilidade”, afirmou Temporal.

Narrativas e cultura

Durante a oficina, a jornalista Suzana Alice Pereira, idealizadora do Protocolo, apresentou referências teóricas que fundamentaram a construção do protocolo, entre elas o Dossiê Feminicídio, especialmente o capítulo “Qual o papel da imprensa?”, além de manuais voltados à cobertura de violência de gênero.

Já a jornalista Jaciara Santos conduziu a parte prática da atividade, propondo reflexões sobre como determinadas narrativas culturais influenciam a forma como a violência é percebida e relatada.

Como ponto de partida, ela apresentou a canção “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil, destacando como histórias de ciúme e violência contra mulheres aparecem com frequência na cultura brasileira, muitas vezes naturalizadas como dramas passionais.

A partir dessa reflexão, Jaciara reforçou os objetivos do protocolo e alertou para armadilhas comuns no noticiário policial, como a reprodução automática de versões presentes em boletins de ocorrência ou a dependência exclusiva de fontes policiais. O pontos alto dos exercícios propostos foi a revelação final: uma das matérias apresentadas como exemplo do que não fazer durante a cobertura foi escrita pela própria autora do módulo. Ela afirmou não se orgulhar de ter produzido um texto que revitimizava a vítima, mas resolveu utilizar de forma crítica.

Perguntas antes de publicar

Como ferramenta prática para as redações, ela propôs um checklist com perguntas que jornalistas devem se fazer antes de publicar uma reportagem sobre violência contra mulheres:

  • A linguagem evita expressões como “crime passional”?
  • A vítima ou seus familiares estão sendo expostos de forma desnecessária?
  • O agressor está sendo humanizado além do necessário?
  • A reportagem depende exclusivamente do boletim de ocorrência?
  • O caso foi contextualizado como possível feminicídio?
  • A matéria inclui informações sobre redes de apoio às vítimas?

A oficina foi encerrada com um debate mediado pela jornalista Cláudia Correia, da Comissão de Mulheres do Sinjorba, reforçando a importância de iniciativas de formação que estimulem uma cobertura jornalística mais ética, qualificada e comprometida com os direitos humanos.

Para as entidades organizadoras, ampliar a compreensão sobre a dimensão estrutural da violência contra as mulheres é um passo essencial para que o jornalismo contribua efetivamente para o enfrentamento do problema – tanto noticiando os crimes quanto ajudando a transformar a forma como eles são compreendidos pela sociedade.

Onde buscar ajuda:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito e anônimo).
  • 190: Polícia Militar (para emergências).
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ABI BAHIANA

Palestra na ABI celebra trajetória de Luís Henrique Dias Tavares

A trajetória do jornalista, professor e historiador Luís Henrique Dias Tavares foi tema de uma palestra realizada na sede da Associação Bahiana de Imprensa, nesta quarta-feira (11), em mais uma edição do “Temas Diversos”, um ciclo de debates realizado a cada reunião mensal da Diretoria da entidade. A atividade integrou as homenagens ao centenário de nascimento do pesquisador, considerado um dos mais importantes nomes da historiografia baiana.

Intitulada “A trajetória de Luís Henrique Dias Tavares e a sua contribuição para a cultura baiana”, a palestra foi conduzida pelo historiador Wendel Miranda Santos, que apresentou resultados de pesquisas sobre a formação intelectual, a atuação jornalística e a produção historiográfica de Luís Henrique.

Durante a exposição, Miranda destacou diferentes momentos da vida do intelectual baiano, abordando desde sua juventude e atuação na imprensa até sua consolidação como professor e historiador.

Juventude, jornalismo e militância

Um dos episódios lembrados durante a palestra foi a prisão de Luís Henrique Dias Tavares, em 1948, quando ele atuava como jornalista do jornal O Momento. Na ocasião, ele e outros profissionais foram detidos após um comício realizado na Praça da Sé, em Salvador. Segundo relatos apresentados durante o encontro, os jornalistas foram conduzidos à então Secretaria da Segurança Pública, localizada na região da Piedade.

De acordo com o primeiro vice-presidente da ABI, Luis Guilherme Pontes Tavares, que acompanhou a atividade, o episódio marcou profundamente a trajetória do historiador. Emocionado, ele dividiu alguns episódios vividos pelo pai e agradeceu a Wendel Miranda pelo rigor acadêmico e cuidado com a pesquisa. 

“Em 1948, quando ele foi preso aqui na Praça da Sé, junto com outros jornalistas, eles foram levados para a Secretaria da Segurança, na Piedade. No percurso, foram conduzidos deitados no jipe da polícia e, ao chegar, passaram pelo chamado ‘corredor polonês’, onde os policiais davam tapas nos que entravam”, relatou. Segundo ele, o historiador chegou a sofrer represálias durante a detenção e só foi libertado após intervenção de familiares.

“Ele chegou a reagir quando foi obrigado a realizar tarefas dentro da delegacia. A libertação só aconteceu depois que o primo dele, o jurista Nestor Duarte, interveio junto ao governo”, contou.

Mobilização da imprensa

O episódio também motivou setores da mídia e chegou ao conhecimento da Associação Bahiana de Imprensa, que acompanhou o caso. Wendel Miranda destacou na apresentação que o jornal O Momento chegou a publicar uma carta-denúncia à ABI, para denunciar a repressão a jornalistas, e a entidade se posicionou em defesa dos profissionais e da democracia.

Registros da época indicam que jornais denunciaram a prisão e classificaram como injusta a detenção dos profissionais. A repercussão contribuiu para pressionar as autoridades pela libertação dos jornalistas envolvidos.

Produção intelectual e carreira acadêmica

Wendel Miranda Santos enfatizou que a trajetória de Luís Henrique Dias Tavares não pode ser compreendida apenas a partir de sua produção historiográfica, mas também por sua intensa atuação na vida cultural e intelectual da Bahia.

Além do trabalho como jornalista, ele construiu uma carreira acadêmica consolidada como professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde ensinou por décadas e participou da formação de diversas gerações de pesquisadores.

Segundo a  historiadora Lina Aras, o professor também desempenhou papel importante na estruturação institucional da Universidade. “Ele foi jornalista de O Momento, literato, historiador e administrador. Foi um dos primeiros coordenadores do curso de pós-graduação em Ciências Sociais da UFBA, além de exercer funções importantes na área cultural”, afirmou a professora Lina, que conviveu com o historiador.

Família em pauta

Durante o debate, Lina também compartilhou lembranças pessoais de conversas com Luís Henrique, trazendo sua dimensão humana e o impacto das experiências políticas vividas por sua geração.

“Ele me confessou uma vez que os piores dias da vida dele foram os dias em que esteve preso e não pôde passar o Natal com os filhos. Era uma pessoa muito centrada, mas profundamente ligada à família”, relatou.

De acordo com a  historiadora, pesquisadores também vêm trabalhando no levantamento de textos pouco conhecidos do autor, com o objetivo de ampliar o acesso à sua obra. “Estamos reunindo artigos e escritos que não estão facilmente disponíveis para organizar uma coletânea que possa alcançar um público maior”, adiantou.

Influência na formação de gerações

O historiador Sérgio Guerra Filho falou do impacto duradouro de Luís Henrique Dias Tavares na formação de pesquisadores e professores. Para ele, além da relevância de sua obra, o intelectual deixou uma marca importante na cultura acadêmica.

“Luís Henrique é desses personagens que, cada vez que se descobre algo novo, surge outra dimensão de sua trajetória. Ele foi extremamente influente na formação de gerações de historiadores”, afirmou.

Em sua análise, a generosidade intelectual do professor também se refletia em sua produção escrita. “Nos textos dele, muitas vezes aparecem indicações de fontes e caminhos de pesquisa, como um convite para que novos estudiosos continuem investigando os temas que ele iniciou”, observou.

Pesquisa revela novos documentos

Ao comentar a palestra, Luis Guilherme Pontes Tavares, filho do professor, destacou que pesquisas recentes têm revelado documentos pouco conhecidos sobre a trajetória dele. Entre eles estão correspondências preservadas em acervos culturais da Bahia. 

“Wendel teve a felicidade de localizar correspondências depositadas pelo próprio professor na Academia de Letras da Bahia. Há fatos da vida dele que eu próprio desconhecia”, afirmou.

Ele também ressaltou que ouvir relatos sobre momentos difíceis da vida do pai desperta sentimentos profundos. “Falar das prisões que ele enfrentou é algo doloroso, não apenas para mim, mas para toda uma geração que viveu experiências semelhantes naquele período”, disse.

Legado para a historiografia baiana

Considerado um dos principais intérpretes da história da Bahia, Luís Henrique Dias Tavares dedicou décadas ao estudo da formação social, política e cultural do estado.

Sua obra permanece como referência para pesquisadores e estudantes, além de ter contribuído para consolidar uma tradição de estudos históricos comprometidos com a investigação documental e a interpretação crítica do passado baiano. “O livro ‘A História da Bahia’ é leitura obrigatória para quem deseja conhecer a nossa história”, reforçou Wendel Miranda.

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