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Para ministra do STF, pensamento único é ameaça à liberdade de expressão

A vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, repudiou nesta segunda-feira (4) qualquer tentativa de restringir a liberdade de expressão, mesmo que de forma camuflada, como atua o chamado politicamente correto. Segundo ela, medidas desse tipo não passam de censura e serão consideradas inconstitucionais. “Acho isso perigosíssimo. [O pensamento único] É outra forma de ditadura social, imposta desde quando crianças”, declarou a ministra durante sua participação na abertura do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, organizado pela IMPRENSA Editorial, em referência ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de maio, data criada há 22 anos pela Organização das Nações Unidas para denunciar crimes e agressões contra jornalistas, além de exigir investigação e punição.

Defensora da capacidade de a imprensa regular a si própria sem a necessidade de leis que possam restringir a liberdade dos veículos de comunicação informarem os cidadãos sobre qualquer tema, a ministra destacou a interdependência entre democracia e imprensa livre. Para ela, à mídia abarcar a diversidade de pensamento e da realidade brasileira e deve partir dos jornalistas o consenso sobre um eventual marco regulatório do exercício da profissão. Mas destacou que muitas vezes a expressão “marco regulatório” é usada apenas para camuflar a censura.”A opressão não tolera a imprensa livre”, destacou. A jurista acredita que os jornais precisam se reinventar para voltar a formar a opinião do leitor, tanto quanto as redes sociais fazem hoje. “Para construir uma sociedade justa e saudável, é essencial uma imprensa livre, apesar dos desafios de ter de conviver com as redes sociais, onde todos são comunicadores. É um desafio à imprensa superar isso. Não é fácil defender a imprensa livre permanentemente, mas sem ela não teríamos uma democracia”.

De acordo com a ministra, a liberdade de imprensa diz respeito não só à garantia do direito de cada pessoa se informar sobre o que acontece na sociedade, mas também a uma das mais importantes manifestações do direito individual mais amplo que é a liberdade de expressão. Ao ser questionada sobre a regulação econômica da mídia, Cármen Lúcia mostrou-se contrária à medida. “A imprensa sabe perfeitamente como atuar. Dos excessos se encarregam as leis que já existem. Quanto menor a interferência, maior a liberdade. Quanto mais liberdade de imprensa, maior a pluralidade de vozes”. Para ela, grupos de interesse de toda a natureza ameaçam a liberdade de imprensa, e não só o Estado. A própria sociedade, ponderou ela, está mais intolerante.

2014 violento

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Foto: Reprodução/ABI

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) também celebraram o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa na tarde desta segunda-feira,  dia 4 de maio. As entidades debateram sobre os desafios com a chegada dos novos meios de comunicação, o futuro do jornalismo e os ataques à liberdade de expressão. O aumento da violência contra jornalistas e comunicadores em 2014 foi destaque, com 55 casos de violações à liberdade de expressão registrados no Brasil, sendo 15 assassinatos, de acordo com levantamento da ONG Artigo 19. O presidente da ABI manifestou preocupação com o aumento de crimes e ataques a jornalistas e as ameaças ao pleno exercício da profissão no País. “A liberdade de imprensa não pode ser utilizada pelas elites como instrumento de dominação sobre as demais classes sociais. Não pode também colocar-se a serviço do capital, tampouco estar restrita única e exclusivamente à circulação da informação. A liberdade de imprensa tem um compromisso com a democratização do conhecimento”.

*Informações do Portal IMPRENSA, O Globo e Jornal Nacional.

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Grupos de mídia formam aliança publicitária digital contra Facebook e Google

Um dos expoentes da mídia internacional, o jornal The Guardian anunciou uma parceria com a rede americana CNN, a agência Reuters, o Financial Times e a revista semanal The Economist. O acordo fechado nesta quinta-feira (19) vai criar uma plataforma unificada de publicidade digital que dará aos anunciantes acesso a um público de quase 110 milhões de leitores on-line através de um sistema programático de anúncios usuários. Batizada de ‘Pangaea’ – uma referência ao supercontinente que unia todas as parcelas de terra do planeta há milhões de anos – a união é uma estratégia para retomar o controle sobre gastos com publicidade que têm sido direcionados a gigantes da tecnologia como Microsoft, Google e Facebook. A iniciativa surge num momento em que grupos de mídia tentam aumentar o retorno obtido com a publicidade digital.

A Pangea Alliance, a ser lançada em versão beta em abril, será gerenciada porque uma equipe de vendas que inclui membros de cada empresa de mídia. O grupo, que está negociando a entrada de outros integrantes, usará uma plataforma de publicidade programática operada pela Rubicon Project, uma companhia sediada em Los Angeles. Cada um dos participantes liberará 10% de seu estoque de espaço publicitário digital para a venda pela Pangea. “A singularidade da Pangaea reside na qualidade dos seus parceiros”, afirmou Tim Gentry, diretor global de receitas da Guardian News & Media e líder do projeto. “Sabemos que a confiança é o melhor meio de defesa da marca, por isso, nos unimos para potencializar os benefícios da publicidade dentro de ambientes de mídia confiáveis”.

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Google e Facebook vão neste ano abocanhar metade do mercado digital

Os cinco veículos que participam da Pangaea destacam que a iniciativa vai atrair principalmente companhias que procuram ter acesso a uma audiência qualificada e ressaltam que um em cada quatro dos seus usuários se encontra nas classes de maior poder aquisitivo. Outros potenciais novos integrantes estão negociando participação na parceria. A plataforma conta com leitores e espectadores na América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia, o que os integrantes da aliança acreditam ser uma solução perfeita para campanhas mundiais.

Separadamente, “CNN” e “Guardian” respondem por uma audiência de 89 milhões e 43 milhões, respectivamente, de visitantes únicos mensais via desktop, segundo dados da ComScore. O Facebook tem uma audiência estimada em 1,4 bilhão de usuários ativos mensais. “A qualidade dos leitores do ‘Financial Times’ é o que os nossos anunciantes compram”, disse Dominic Bom, diretor de vendas do jornal.

O mercado de publicidade on-line global é estimado em US$ 60 bilhões (cerca de R$ 197 bilhões), segundo o WPP Group M. No Reino Unido, Google e Facebook vão neste ano abocanhar metade do mercado digital, algo superior a 1 bilhão de libras (R$ 4,8 bilhões), de acordo com a eMarketer.

*Informações do Estadão e O Globo, com agências internacionais.

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Observatório da Imprensa estreia série “Chumbo Quente” sobre mídia e ditadura

Durante todo o mês de janeiro, o Observatório da Imprensa relembra o período mais sombrio da história do país – a ditadura militar – pela ótica da mídia: uma das protagonistas do golpe, logo convertida em vítima do regime de exceção. Apresentado pelo jornalista Alberto Dines, a série “Chumbo Quente”, da TV Brasil, que vai ao ar a partir desta terça-feira (6), às 20h, entrevistou 35 personagens, entre jornalistas, historiadores, ex-guerrilheiros e famílias de vítimas da ditadura. A proposta da série é também resgatar o impacto do AI-5 e mostrar como os jornalistas driblaram a censura.

Em quatro episódios, a série especial revela porque grande parte da imprensa, apavorada com a guinada à esquerda do país, conspirou para a queda do presidente João Goulart e apoiou a tomada do poder pelos militares. A atração jornalística examina as reações dos veículos de comunicação à quartelada e a mudança de posição de algumas publicações logo após o golpe, além de analisar em que a imprensa errou no período e traçar um panorama sobre os motivos que levaram à ditadura no Brasil e a influência dos veículos de comunicação nesse momento histórico.

“A série Chumbo Quente embute dentro dela a proposta de história continuada, história viva, principalmente porque a imprensa, cujo papel desgraçadamente foi tão relevante para o golpe e a ditadura militar que a ele se seguiu, também é um organismo vivo e como tal precisa ser permanentemente observado”, explica o experiente Alberto Dines. Durante os programas, o apresentador discute o tema com personalidades como a escritora Ana Arruda Callado, os jornalistas Carlos Heitor Cony,Fernando Gabeira, Hildegard Angel, Mário Magalhães, Milton Temer e Sérgio Cabral, além dos historiadores Alzira Abreu, Carlos Fico, Daniel Aarão Reis e James Green.

No quarto programa da série, gravado em estúdio, que vai ao ar no dia 27 de janeiro, Alberto Dines recebe o também jornalista Chico Otávio e o historiador Carlos Fico para refletir sobre as consequências dos 21 anos de ditadura militar no país. O trio discute assuntos como a lei da anistia, a redemocratização e o recente trabalho da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Serviço:
Observatório da Imprensa – Série Chumbo Quente
Estreia dia 6 de janeiro (terça-feira), às 20h, na TV Brasil
Quatro episódios de 52 minutos, nos dias 6, 13, 20, 27, às 20h, na TV Brasil

As informações são da TV Brasil.