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Coletivo de jornalistas mobiliza homens em campanha contra machismo

O coletivo “Jornalistas Contra o Assédio” começa nesta terça (26) uma campanha que pretende mobilizar os homens no combate a atitudes constrangedoras que as jornalistas ainda enfrentam no exercício da profissão. A jornada vai até o próximo domingo (8), com uma série de seis vídeos que trazem depoimentos de colegas jornalistas sobre frases de assédio ouvidas por mulheres jornalistas, dentro e fora de redações e assessorias, públicas e privadas.

A partir das 10h de hoje, será promovido um “tuitaço” com a hashtag #JuntosContraoMachismo. A ideia da campanha surgiu a partir da crônica publicada este mês pelo jornal Correio Braziliense. O texto romantizava o assédio às estagiárias no ambiente de redação. Depois deste episódio, o coletivo passou a receber relatos de funcionárias e ex-funcionárias do jornal afirmando que a crônica não representava exatamente uma exceção.

“O fato incomodou não só as mulheres, mas também os jornalistas homens que não querem ter sua imagem atrelada a uma prática tão antiquada. Por isso, convidamos os colegas para a luta do coletivo, que começou há mais de um ano, justamente a partir de um caso de assédio contra uma estagiária. Na época, ela foi demitida do portal IG após denunciar um cantor de funk à polícia”, afirmam em nota.

Num grupo de mais de cinco mil jornalistas de todo o país, as jornalistas do coletivo perguntaram que tipo de assédio já tinham sofrido dentro e fora das redações, bem como nas assessorias de imprensa. “Recebemos mais de duzentas frases. Desde frases mais chocantes até outras mais corriqueiras, tão naturalizadas em ambientes machistas”, dizem.

O resultado do levantamento foi entregue para grandes nomes do jornalismo nacional comentarem. Assim, surgiu a série de seis vídeos com pelo menos quatro depoimentos gravados. Cada jornalista repetiu a frase ouvida pelas nossas colaboradoras e registrou o que pensa disso. “É um convite à reflexão e, sobretudo, à ação”, apontam.

Entre os participantes estão nomes que se destacam na política, nos esportes, no entretenimento, na televisão, na internet, em todo lugar. Participam da #JuntosContraoMachismo nomes como Chico Pinheiro, Juca Kfouri, Fernando Rodrigues, Felipe Andreolli, Cazé, Mário Marra, Fábio Diamante, Marcus Piangers, Matheus Pichonelli, Abel Neto, Guilherme Balza, Cauê Fabiano, Nilson Xavier, Thiago Maranhão, Leonardo Leomil, Guilherme Zwetsch, Ricardo Gouveia, Fernando Andrade, Thiago Uberreich, Tiago Muniz, Rafael Colombo, Philipe Guedes, Chico Prado, Reinaldo Gottino e Haisem Abaki.

As informações são do Portal IMPRENSA

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Revista mexicana seleciona mulheres fotógrafas da América Latina

Correr atrás de contornar a histórica desigualdade e falta de representatividade feminina nas mais diversas áreas é com toda justiça a palavra da vez, e não seria diferente na fotografia. A revista Visor México abriu inscrições para uma convocatória que receberá fotografias de mulheres fotógrafas da América Latina até o dia 01 de julho de 2017.

Foto: Projeto Sambas e Dissembas
Foto: Projeto Sambas e Dissembas

As inscrições para o projeto “Mujeres fotografas en Latinoamérica” podem ser feitas por fotógrafas amadoras ou profissionais, sem qualquer limite de idade. De cada participante é pedido uma ou uma série de 4 a 6 fotos acompanhadas de um texto com pelo menos 200 palavras a respeito da fotografia ou sobre a própria fotógrafa, e enviar para o e-mail galerí[email protected] Junto das fotos é preciso enviar preenchido o formulário da convocatória.

Serão avaliadas a qualidade técnica, estética, a composição e conceito por detrás da imagem. Quatro fotos serão então selecionadas para serem publicadas na revista, e todas as fotos finalistas sairão no livro anual. As fotografias selecionadas serão anunciadas pelo site da Visor México no dia 08 de julho. (Informações do Blog Hypeness)

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Troféu Mulher IMPRENSA reconhece o trabalho das mulheres nas redações

Única premiação jornalística do Brasil dedicada exclusivamente ao público feminino, o Troféu Mulher IMPRENSA reconhece o trabalho das mulheres nas redações brasileiras e premia os talentos de norte a sul do país. São 17 categorias que visam premiar as profissionais de destaque em cada setor, segundo voto dos internautas do Portal IMPRENSA. A votação popular, que elegerá as profissionais e o projeto vencedores de cada categoria vai se estender de 20 de abril até 18 de maio de 2017. Os internautas de todo o Brasil poderão dar o seu voto pelo site www.portalimprensa.com.br/trofeumulherimprensa.

Na primeira etapa, iniciada no dia 07, um júri composto por cerca de 60 profissionais de relevância no mercado brasileiro, indicaram, por livre escolha, três mulheres que tiveram destaque em 2016 em cada uma das 17 categorias listadas. E a 12ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA traz novidades. Os internautas deram sua opinião e IMPRENSA lança duas novas categorias para homenagear projetos e #mulheresqueinspiram. Serão reconhecidas as Jornalistas Independentes e os Projetos Jornalísticos com temática sobre mulheres.

O prêmio – Desde que IMPRENSA criou o Troféu Mulher IMPRENSA, em 2005, redações e empresas de comunicação se movimentam para eleger as mulheres de mais destaque no segmento. Mais do que uma forma de reconhecer a atuação delas no mercado de trabalho, o que criamos foi um espaço no qual elas podem celebrar conquistas e desenhar novos objetivos –para si e para a profissão que exercem. O que será que nos diz esse engajamento gerado nas dez edições do prêmio? Que as mulheres são maioria? Que ainda precisam batalhar por igualdade salarial e cargos de chefia? Que ainda existe um longo caminho para que o mercado entenda que a maternidade não desqualifica a atuação profissional? Talvez um pouco de cada e ainda mais. Mas o que a gente também acha que isso nos diz é: Elas aguentam o tranco.

Conheça abaixo as 17 categorias que serão reconhecidas na 12ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA. E acompanhe as novidades do prêmio pelo Portal IMPRENSA e redes sociais.

 

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

• Assessora de Comunicação – Agência

• Assessora de Comunicação – Corporativa

 

COBERTURA INTERNACIONAL

• Correspondente (brasileira ou estrangeira residente no Brasil)

 

FOTOJORNALISMO

• Fotojornalista

 

JORNALISMO IMPRESSO

• Colunista de jornalismo impresso

• Repórter de jornal

• Repórter de revista

 

RADIOJORNALISMO

• Âncora de rádio

• Comentarista ou colunista de rádio

• Repórter de rádio

 

TELEJORNALISMO

• Âncora de TV

• Comentarista ou colunista de TV

• Repórter de telejornal

 

WEBJORNALISMO

• Repórter de site de notícias

 

QUALQUER MÍDIA

• Diretora ou editora de redação

• Jornalista independente

• Projeto jornalístico (com temática sobre mulheres)

 

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8 de março: Mulheres avançam nas redações de jornais

Um dado que vem chamando a atenção nas redações de jornais e sites do Brasil refere-se ao aumento de mulheres em postos de comando. Um relatório de 2015 do Projeto Global de Monitoramento da Mídia (Global Media Monitoring Project, em inglês) registra que o número de mulheres jornalistas em redações tem aumentado não só no Brasil mas também na América Latina. O levantamento revela que as mulheres correspondiam a 47% dos repórteres em meios impressos, 36% dos radialistas e 50% dos repórteres de TV.

O estudo registra que, enquanto os jornalistas homens são mais valorizados por sua experiência profissional, as mulheres são mais valorizadas por sua idade: 43% das repórteres têm entre 19 e 34 anos, enquanto apenas 14% dos repórteres correspondem a essa faixa etária; e 53% dos jornalistas homens têm entre 35 e 49 anos, enquanto apenas 33% das jornalistas estão nessa faixa etária.

A jornalista e escritora Regina Helena de Paiva Ramos, 86 anos, lembra que, quando começou a carreira, há 50 anos, não sofreu grandes descriminações, mas viu muitas colegas de trabalho passarem por situações constrangedoras, onde se menosprezava a capacidade intelectual feminina. Ela destaca a dedicação feminina para o estudo. “Somos ótimas pesquisadoras”, atesta.

Segundo pesquisas, empregadores de todo o mundo investem nos valores femininos por conta da facilidade em aceitar o desenvolvimento de trabalhos em equipe, o poder de convencimento levando a credibilidade de suas ideias, sem necessidade de autoritarismo, trabalho em forma de cooperativismo deixando de lado a competição, sem limites de cargos e salários, o que prejudica a produtividade de qualquer trabalhador.

Ronaldo Mendes, Gestor em Recursos Humanos, acrescenta que as mulheres se preocupam mais com sua formação profissional do que a maioria dos homens, por isso se destacam mais por sua diversidade e processos multifuncionais. O gestor ressalta que não existe mais no jornalismo, assim como em várias profissões, a famosa guerra de sexos. “As redações têm registrado uma grande oportunidade de evolução e ocupação das mulheres”, analisa.

Em parceria com a Gênero e Número, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) prepara uma pesquisa inédita sobre desigualdade de gênero no jornalismo. O levantamento, que será divulgado em junho durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, reunirá dados sobre o perfil das mulheres nas redações brasileiras, incluindo as que trabalham em veículos independentes.

Jornalista era chamada de “atrevida” na década de 50

A jornalista e escritora Regina Helena de Paiva Ramos, 86 anos, começou a trabalhar na década de 50. Havia aproximadamente 30 mulheres nas redações no estado de São Paulo. Quando Regina escreveu seu livro “Mulheres Jornalistas: A Grande Invasão”, há cinco anos, as mulheres já ocupavam mais de 50% desses postos de trabalho.

A autora conta que ser repórter, naquele tempo, não era uma profissão “muito comum para uma mocinha”. Essas mulheres eram consideradas “atrevidas”. Segundo ela, apesar de não ter sofrido grandes descriminações, viu muitas colegas de trabalho passarem por situações constrangedoras, onde se menosprezava a capacidade intelectual feminina. O jornalista Hermínio Cachetta, diretor de O Tempo, foi o responsável pela entrada de muitas mulheres nas redações em São Paulo.

“Ele me “discriminava” com um certo paternalismo”, uma proteção diferenciada. Mas muitas mulheres devem passavam por situações de constrangimento que não se comentava na época, hoje o chamado assédio. Eu sequer tinha a noção de que era uma pioneira”.

Uma das primeiras repórteres da Última Hora, Sonia Nemberg entrou no jornalismo através do diploma. Para a jornalista as mulheres entraram na profissão pela sua competência. “É uma profissão difícil porque trabalhamos com o tempo. Muitas vezes precisamos fechar uma edição e não conseguimos os depoimentos. Temos que cobrir enchentes, desabamentos, tragédias, e também lindas histórias é um desgaste mental e emocional grande, um exercício de confronto com a realidade. E a mulher lida bem com essas dificuldades”. Outra razão, segundo Sônia, é a dedicação feminina para o estudo: “Somos ótimas pesquisadoras pois nos dedicamos muito e somos muito intuitivas. Acho que quando as mulheres têm oportunidade elas se destacam”.

Sônia lembra que as mulheres entraram no jornalismo para trabalhar por salários mais baixos, e o os homens saíram por conta da precarização da profissão, e que no futuro esse número de mulheres na profissão vai aumentar pois é maior a quantidade de universitárias em relação aos universitários no seguimento profissional. Apesar de toda a emancipação feminina, Sônia alerta que o Brasil ainda é um país muito machista e que a violência contra a mulher é um fenômeno muito grande apesar de todo o trabalho da mídia no sentido de combater a violência contra a mulher.

Diretora de redação do jornal “Valor Econômico”, Vera Brandimarte afirmou que as mulheres são maioria nas redações de jornalismo econômico, uma tradição que começou a se formar nos anos 70. “Nos anos 90, as mulheres já dominavam as posições de editoras de economia. No “Valor”, tem oito mulheres editoras e quatro homens. Não é uma questão de preferência, mas de mérito”. Vera lembrou que em outras áreas a dificuldade de ascensão da mulher é mais difícil, como o setor bancário e o de engenharias. Ela lembrou que, fora das redações, ainda persiste um desequilíbrio entre as atividades delegadas às mulheres e aos homens, como nas questões domésticas e na criação dos filhos.

*Matéria de Cláudia Sanches e Edir Lima para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI)