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Abraji abre inscrições para o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) abriu as inscrições para o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. O evento será realizado nos dias 29 e 30 de junho e 1º de julho, no campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi, no Morumbi, em São Paulo. Para fazer a inscrição, os interessados devem acessar o site congresso.abraji.org.br.

Durante o evento, que é dirigido a jornalistas e estudantes, serão abordados temas como cobertura política, jornalismo de dados, corrupção, acesso à informação e bastidores de reportagens, além de assuntos na pauta cotidiana da imprensa brasileira e internacional. O evento contará com palestrantes dos Estados Unidos, México e Argentina.

Fonte: Abraji

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Grupo brasileiro lança núcleo inspirado em Spotlight

Em uma iniciativa incomum para empresas de comunicação brasileiras, o conglomerado de mídia RBS lançou o Grupo de Investigação (GDI), que reúne jornalistas premiados para apurar em profundidade fatos que influenciam a vida da população. O GDI, que surge em momento de debate mundial sobre o papel do jornalismo, sustenta que a investigação jornalística é essencial para a democracia e para a transformação da sociedade. Na redação integrada de Zero Hora e Diário Gaúcho, os repórteres vão trabalhar em uma área reservada, modelo inspirado na equipe Spotlight, do jornal americano Boston Globe. Os demais integrantes vão produzir seus materiais nas redações da Rádio Gaúcha e RBS TV.

A equipe é formada por nove repórteres e um editor, todos com experiência em investigação, mas cada um com habilidade em diferentes áreas, como infiltração jornalística, crimes do colarinho branco, desvios no serviço público, temas das áreas policial e política e bancos de dados. Participam os repórteres de Zero Hora, Adriana Irion, Carlos Rollsing, Humberto Trezzi e José Luís Costa. Do Diário Gaúcho, Jeniffer Gularte, da Gaúcha, Cid Martins, e, da RBS TV, Giovani Grizotti, Jonas Campos e Fábio Almeida.

“Poucas redações no mundo investem em um grupo de repórteres focado em investigações. Reportagens desse tipo exigem tempo: algumas levam meses para serem concluídas. Em compensação, são o tipo de jornalismo que tem mais poder de transformar, na sociedade, aquilo que está errado. Ao criar este time, as redações estão dando contribuição ainda maior à comunidade onde atuam”, afirma a diretora de Redação de Zero Hora e jornais RS, Marta Gleich.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) avalia que o trabalho possa inspirar outras redações. “A notícia da criação de um grupo de investigação jornalística só pode ser comemorada por aqueles que acreditam no poder da informação apurada com esmero e em nome do interesse público. A Abraji deseja vida longa à iniciativa, tão importante para o amadurecimento da imprensa e, por consequência, da democracia. Torcemos para que o trabalho do grupo seja bem sucedido e inspire jornalistas e veículos por todo país”, ressaltou Thiago Herdy, presidente da entidade.

Estreia

A primeira reportagem produzida pelo grupo trata de uma grave questão ligada à agricultura e à saúde dos gaúchos e será publicada a partir de segunda-feira. O material foi produzido já com apuração conjunta e integrada entre jornal, rádio e TV.

“O jornalismo investigativo é fundamental para a sociedade, especialmente em uma era em que as desinformações circulam em larga escala pelas redes sociais. O Grupo RBS tem tradição de décadas em reportagem investigativa e, agora, com a criação do GDI, reafirma em mais um grande passo seu propósito de informar para transformar positivamente a sociedade” — diz o vice-presidente Editorial do Grupo RBS, Marcelo Rech.

*Informações do Zero Hora.

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Justiça manda jornalista tirar do ar críticas à atuação da PF na Lava Jato

O Juizado Especial Cível de Curitiba (PR) determinou que fossem retirados do ar dez reportagens do site do jornalista carioca Marcelo Auler, 60, por conter críticas a atuação da Polícia Federal na Operação Lava Jato. Os textos publicados pelo Paraná Online entre novembro de 2015 e abril deste ano, e que foram deletados no início do mês, tratam de vazamentos de informações, supostamente, por parte de delegados e procuradores, além de grampos nas celas e dependências de detentos. A defesa do jornalista impetrou um mandado de segurança na Turma Recursal dos Juizados Especiais na semana passada para que as reportagens voltem a ser publicadas no blog, mas o pedido foi indeferido nesta segunda-feira (30). Auler pretende recorrer agora ao Supremo Tribunal Federal (STF).

As decisões atendem processo movido pelos delegados da Polícia Federal Erika Marena e Mauricio Moscardi Grillo, da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Paraná. As sentenças do juiz Nei Roberto Guimarães, 8º Juizado, e da juíza Vanessa Bassini, do 12º Juizado, são do final de março e do início de maio, respectivamente. Os dois são citados nas reportagens do blog de Auler, criado há 11 meses, com textos principalmente sobre política. A delegada Erika Marena argumentou que duas das matérias “colocam em dúvida sua seriedade de caráter enquanto delegada da Polícia Federal atuante no Grupo de Trabalho da Operação Lava-Jato”. Além da retirada do conteúdo, a Justiça proibiu que novas reportagens fossem publicadas “com o conteúdo capaz de ser interpretado como ofensivo ao reclamante”.

Os textos removidos por ordem judicial fazem críticas à conduta da PF, por exemplo, no episódio de suposta escuta encontrada na cela de Alberto Youssef e quanto aos custos para a reforma de uma unidade da PF em Curitiba. Em outra reportagem, Auler afirma que a delegada Erika Marena fez vazamentos seletivos de delações premiadas da Lava Jato. A advogada que representa os dois delegados da PF, Márcia Marena, afirma que não foi determinado pelo Judiciário que se retirassem reportagens sobre a Lava Jato, mas que se “retirasse conteúdo considerado ofensivo”.

Marcelo Auler - Foto: Reprodução
Marcelo Auler – Foto: Reprodução

Auler, que recorre da decisão, reclamou que as matérias foram censuradas antes que prestasse qualquer esclarecimento. “Sem me ouvir ou verificar os argumentos, documentos e depoimentos em que me baseei para publicá-las”. No blog, ele informou que, por meio de um Mandado de Segurança impetrado junto à Turma Recursal dos Juizados Especiais do Estado do Paraná, seus defensores pedem a cassação da liminar do 12º Juizado Especial que pedem a cassação da liminar do 12º Juizado Especial que obriga a retirar as matérias do ar. Com 42 anos de carreira, o jornalista tem passagens por alguns dos principais veículos de comunicação do país e foi ganhador de prêmios como o Esso de Jornalismo em 1993 por reportagem publicada na revista Veja.

“De maneira clara e acintosa, o blog do Impetrante está sendo alvo de censura, inclusive na modalidade de censura prévia, quando proíbe a publicação de novas matérias envolvendo o Requerente (delegado Maurício Moscardi Grillo), vulnerando de maneira acintosa os princípios da liberdade de imprensa”, afirma o advogado Rogério Bueno, que defende o jornalista. Uma das sentenças determina que o blog deve se abster de divulgar novas matérias, diz a sentença, “com conteúdo capaz de ser interpretado como ofensivo ao reclamante”.

*Informações do site Paraná Online, Folha de S. Paulo e Portal IMPRENSA.

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Panama Papers mostra que colaboração é o futuro do jornalismo investigativo, diz ICIJ

Uma dupla de jornalistas alemães tinha em mãos cerca de 11,5 milhões de documentos e recorreram ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) para dar visibilidade mundial aos papéis. O órgão disponibilizou ferramentas para impulsionar a investigação e fazê-la chegar à sua rede de sócios. Mais de quatrocentos profissionais ao redor do mundo ajudaram a tornar público o escândalo dos “Panama Papers”, considerado o maior vazamento da história da imprensa. Para o Consórcio, o futuro do jornalismo investigativo é a colaboração.

Segundo o coordenador do ICIJ, Will FitzGibbon, hoje “há um maior entendimento de jornalistas de todo mundo que você pode ter uma notícia exclusiva, mas que ela pode se tornar mais valiosa e global se houver colaboração”. A subdiretora do órgão, Marina Walker, ressalta que os comunicadores estavam atrasados utilizando o modelo de “lobo solitário” e que o caso mostrou o potencial e o poder da colaboração. “É crucial que o jornalismo crie sua própria tecnologia para compartilhar dados. Esse é um modelo eficiente utilizado por agências de segurança, pesquisadores, economistas e, inclusive, organizações criminosas”.

Os Panama Papers expuseram um sistema que utilizava offshores para sonegar impostos, criado pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. Mais de 140 chefes de Estado e políticos foram expostos no escândalo, dezenas de investigações foram abertas e reformas legais foram iniciadas para impedir a ocultação de fortunas.

Fonte: Portal IMPRENSA