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Florisvaldo Mattos anuncia segunda edição de livro sobre a Revolta dos Búzios

O professor, poeta e jornalista Florisvaldo Mattos participou da reunião da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), nesta quarta-feira (8), para homenagear o transcurso dos 220 anos de um movimento emancipacionista que agitou a então capitania da Bahia, na última década do século XVIII: a Revolta dos Búzios, também chamada de Conjuração Baiana, Revolta dos Alfaiates ou Revolta das Argolinhas. Durante a palestra, Mattos anunciou a segunda edição de seu livro intitulado “A comunicação social na Revolução dos Alfaiates”, de 1998. A obra será lançada pela Assembleia Legislativa da Bahia, às 18 horas do dia 24 de agosto, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB).

A obra registra o pioneirismo baiano na utilização da comunicação pública como instrumento de mobilização política, no que o autor chamou de “terremoto sociopolítico que há justos 220 anos abalou o cenário colonial e urbano da então Cidade da Bahia”. Mattos explicou que o livro é fruto de uma dissertação de Mestrado em Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia. “Foi meu orientador um dos altos luminares dos estudos históricos baianos, o saudoso professor e folclorista José Calasans”, destaca.

Jornalista Florisvaldo Mattos palestra na reunião de Diretoria da ABI – Foto: Joseanne Guedes/ABI

“Deixando a parte essencialmente histórica à reconhecida competência dos historiadores, entre eles o professor Luís Henrique Dias Tavares, a meu ver, seu mais destacado estudioso, preferi abordar, talvez pioneiramente, um ponto crucial que consistia em definir o papel da comunicação social na dita insurreição”, ressalta o autor, que revelou ter optado pela designação mais repetida entre os estudiosos do movimento hoje popularmente chamado de Revolta dos Búzios.

O convite para reeditar o livro surgiu durante a sessão que comemorou os 219 anos da Revolta, na Assembleia Legislativa. “A maior da parte das pessoas que estavam na mesa e na plateia [da Assembleia Legislativa] era composta por negros e os que falaram mais eram do movimento negro. Por aí eu deduzi que o empenho político para fazer aquela reunião e comemoração vinha do movimento negro, que tinha abraçado o movimento como sendo parte da sua história”. O autor explicou que, hoje, o movimento é lembrado principalmente pelos movimentos negros organizados que marcam presença nas comemorações da data, pela identificação com a luta contra a escravidão e a associação com as origens africanas. A designação Revolta dos Búzios, inclusive, se deve ao fato de alguns revoltosos usarem um búzio preso a uma pulseira para facilitar a identificação entre si.

O movimento – Segundo Florisvaldo Mattos, o levante reuniu principalmente pessoas das classes sociais mais baixas, como negros escravizados, alforriados, alfaiates e soldados investidos dos ideais libertários e de igualdade da Revolução Francesa, no intuito de “libertar o Brasil-colônia do jugo colonizador de Portugal”. Eles espalharam, a partir de 12 de agosto de 1798, os seus chamados “boletins sediciosos” por locais de grande afluência pública na Cidade da Bahia colonial, como portas de igrejas e quartéis, cais do porto, mercados de peixe e açougues, tendas de alfaiates, oficinas de artesãos, feiras, e outros locais.

Dentre as bandeiras defendidas pelo movimento composto, em sua maioria, por pobres e analfabetos estavam “independência da capitania, implantação da república, abolição da escravatura, igualdade para todos, livre comércio com as nações do mundo, interrupção do vínculo da igreja com o Vaticano, instituição do trabalho remunerado, melhoria do soldo militar, garantias para os plantadores de cana, fumo e mandioca, assim como para os comerciantes”, afirmou Mattos.

A propagação das ideias do movimento conduziu à morte quatro dos envolvidos denunciados ao governador. A sentença incluiu enforcamento e esquartejamento, com a subsequente exposição dos corpos espalhados por vários pontos da cidade. Entre os sentenciados estavam dois soldados, Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas do Amorim Torres, os artesãos João de Deus do Nascimento, mestre alfaiate, e Manoel Faustino dos Santos Lira, então oficial alfaiate, um ex-escravo. Luiz Pires é o quinto personagem que escapou da morte fugindo sem deixar rastro.

*Texto de Fernando Franco e Joseanne Guedes

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Programa de Biaggio Talento traz depoimento do jornalista e escritor Carlos Navarro

“Quando a lenda se torna realidade, publica-se a lenda”. A célebre frase dita pelo editor do “Shinbone Star” no filme “O Homem Que Matou o Facínora” (1961), de John Ford, inspirou o jornalista Biaggio Talento na criação de um canal no Youtube, o Publique-se a Lenda!. Lá, Talento e sua esposa Helenita Monte de Hollanda acabam de lançar um projeto especial sobre as “lendas” do jornalismo baiano. Coube a ninguém menos que o jornalista Carlos Navarro Filho a tarefa de ser a primeira personagem a contar sua história.

O programa foi dividido em duas partes: Na primeira, Navarro relembra seu início no jornalismo – como repórter do extinto Jornal da Bahia –, e narra sua trajetória como editor chefe com passagem por grandes redações. Ele também aborda as mudanças na rotina jornalística e as recentes transformações proporcionadas pela tecnologia. Entre fatos históricos e relatos engraçados, Navarro recorda o período de 30 anos em que comandou a sucursal do jornal O Estado de São Paulo na Bahia. Ele contribuiu para a ampliação da sucursal, além de ter ajudado o Grupo Estado a lançar os produtos do jornalismo online. “Jornalismo naquela época era, além de dar o fato, tinha que ter a chamada ‘cor local’. O jornalista era uma testemunha. Eu aprendi assim”, afirma.

Na segunda parte, o jornalista fala sobre seu mais novo livro, o romance “Boquira”, a ser lançado no dia 5 de julho, na cidade que dá nome à obra e está localizada no sudoeste da Bahia. O livro é sobre um episódio ocorrido no estado, anos 1950, quando um povoado foi desapropriado pelo governo estadual e cedido a uma mineradora multinacional. De acordo com Carlos Navarro, a história é contada “pela ótica dos trabalhadores rurais que perderam as terras e foram controlados a ferro e fogo pela empresa até o início dos anos 1990”.

Autor do livro “A Sucursal: 30 anos do Estadão na Bahia” (Bureau, 2004), Biaggio Talento explica a razão para começar a série com o depoimento de Navarro. “Foi meu grande chefe, meu orientador. Com ele, eu aprendi tudo. Ele me viu numa entrevista em 1986 e me propôs uma experiência de um mês, para ver se me aproveitava em uma vaga. Permaneci por 19 anos no Estadão”. Segundo ele, o vídeo é um projeto antigo. “Regularmente encontro os antigos colegas da época do jornal. Nos reunimos em um bar para relembrar fatos e sempre quis fazer vídeos com esse grupo de dinossauros. Minha esperança é que, depois de Navarro aceitar, os outros se animem a falar”, destacou ele, em referência aos demais membros da confraria formada por “jornalistas jurássicos” da Bahia, profissionais que escreveram seus nomes na história.

Registrando a História

O canal Publique-se a Lenda! surgiu da intenção de construir um espaço vinculado apenas ao jornalismo, uma vez que Biaggio Talento mantém desde 2016 o Canal Cultura Popular Brasileira, também no Youtube. A estreia do canal foi um vídeo com o fotógrafo Lúcio Távora, autor da famosa foto do ex-presidente Lula com o isopor na praia de Inema, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. “Ele havia sido demitido de A Tarde. Resolvi fazer um vídeo para homenageá-lo. Aí fizemos uma série com grandes fotógrafos chamada ‘Fotografando a História’”.

Confira a seguir o depoimento de Carlos Navarro:

Parte 1 – O Jornalista

Parte 2 – Boquira

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Site reúne trajetória do jornalista e professor Sérgio Mattos

As memórias pessoais e históricas do professor, poeta e jornalista Sérgio Mattos já estão disponíveis em seu recém-lançado site (acesse aqui), como parte da celebração dos seus 70 anos, no próximo dia 1º de julho. Segundo Mattos, diretor da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), a intenção era montar um espaço para reunir sua produção acadêmica e literária ao longo de quase cinco décadas de atuação profissional no mundo jornalístico, artístico e cultural. Lá é possível acessar livros, poesias, músicas, entrevistas, vídeos e outros conteúdos que representam uma significativa contribuição à sociedade baiana, bem como para o campo do pensamento comunicacional e da literatura brasileira.

“O cearense que conquistou a cidadania baiana por méritos indiscutíveis” – para usar as palavras do professor José Marques de Melo, falecido no último dia 20 – é doutor em Comunicação pela Universidade do Texas (1982) e realiza pesquisas sobre o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa no Brasil desde a década de 1970. O jornalista é autor de trabalhos acadêmicos, tendo escrito dezenas de artigos, capítulos de livros e livros na área da comunicação, publicados no Brasil e no exterior.

Seus textos [auto]biográficos auxiliam no entendimento do passado, como no livro “A vida privada no contexto público” (Quarteto Editora, 2015), onde Sérgio Mattos conta sua própria história tendo como pano de fundo o contexto histórico baiano e brasileiro. A obra, como outras escritas por ele, apresenta detalhes de fatos ocorridos há pelo menos 50 anos, passando pela expansão comercial da capital baiana, a crescimento do turismo e mesmo o surgimento do jornal Tribuna da Bahia.

No campo literário, além de participar de várias antologias poéticas e de ter veiculado sua produção em revistas, jornais e na internet, publicou diversos livros individuais. Como compositor/letrista possui músicas em parceria, gravadas por inúmeros interpretes, além de possuir quatro CDs individuais.

Mattos é professor aposentado da UFBA e a partir de agosto de 2008 passou a integrar o quadro docente da UFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Atualmente é professor associado no curso de Jornalismo/Publicidade e desde 2010 exerce a função de superintendente da Editora da UFRB, da qual foi o responsável pelo projeto de implantação.

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Jornalista Emiliano José lança biografia de Waldir Pires

Depois de quase seis anos de pesquisa e entrevistas, o jornalista e escritor Emiliano José lança um novo livro, nesta quinta-feira (14), às 17h, Palácio Rio Branco (Centro). A obra “Waldir Pires, Biografia – 1º volume” retrata desde o nascimento do político baiano, em 1926, até seu retorno à Bahia vindo do Rio de Janeiro, em 1978, com o fim da vigência do Ato Institucional nº 5. “Escrevo sobre a longa experiência de um político de impressionante coerência democrática”, destaca Emiliano.

Na manhã de hoje (13), a diretoria da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) aprovou uma moção de congratulação a Emiliano José, pelo trabalho que conta a história de um dos políticos mais influentes do Brasil. Emiliano agradeceu aos diretores e, em entrevista à ABI, disse que se “sente muito honrado com o gesto de reconhecimento”. O jornalista adiantou que o segundo volume da biografia já foi enviado para edição.

Volume 1 – Nessa primeira parte, a linha do tempo é iniciada em Acajutiba, segue por Amargosa, Nazaré das Farinhas, Colégio Central e Faculdade de Direito, na turma de 1949. O livro traz conta a história de Waldir Pires (91) como secretário do governo Régis Pacheco, aos 24 anos de idade; deputado estadual em 1954, federal em 1958; candidato ao governo da Bahia em 1962; professor da UnB; Consultor geral do governo Goulart; além da época do golpe de 1964, a fuga, o exílio e o retorno ao Rio em 1970, em plena ditadura Médici.

Já o segundo volume, que vai de 1979 aos dias atuais, descreve a caminhada de Waldir Pires na resistência democrática, a ousadia da candidatura ao Senado em 1982, ao lado de Roberto Santos, candidato ao governo da Bahia com Rômulo Almeida, como vice. Retrata a paciente construção do PMDB, a campanha das Diretas Já, Tancredo Neves, a vitória eleitoral em 1986, a polêmica renúncia. Descreve a eleição a deputado federal em 1990, pelo PDT, a fraude na apuração da disputa ao Senado em 1994, a saída do PSDB que caminhou para a direita, a filiação ao PT e sua reeleição a deputado federal. Será ministro da Previdência com Sarney, titular da Controladoria Geral da União e ministro da Defesa com Lula. A história política de Waldir Pires termina com seu mandato de vereador, em 2016.

*Com informações do site Bahia Já.