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Nova etapa: Projeto amplia acesso ao legado de Walter da Silveira e do Clube de Cinema da Bahia

Nesta quarta-feira (22), dia do aniversário de Walter da Silveira (1915-1970), um dos principais críticos e ensaístas do cinema brasileiro, a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) sediou o lançamento da segunda etapa do projeto Acervo Digital Walter da Silveira. O evento aconteceu no Auditório Samuel Celestino, na sede da entidade, na Praça da Sé, e marcou a apresentação da nova versão do site www.walterdasilveira.com.br, que reúne cerca de 1,3 mil documentos do acervo do crítico baiano, com destaque para a documentação do Clube de Cinema da Bahia e a trajetória de Walter como cineclubista.

O projeto Acervo Digital Walter da Silveira propõe higienizar, restaurar, classificar, catalogar, digitalizar e disponibilizar de forma on-line milhares de itens documentais que constituem o acervo do crítico baiano, sob a salvaguarda do Museu de Imprensa da ABI. 

O encontro reuniu pesquisadores, estudantes, profissionais da preservação documental e demais interessados na memória do cinema baiano. A programação contou com a apresentação do novo portal e a conferência “A história do cinema vista pelo cineclubismo: Clube de Cinema da Bahia, arquivos e cultura cinematográfica”, que abordou as relações entre memória, história, cinema e arquivo e destacou a importância da preservação documental para a pesquisa e a valorização do patrimônio cultural.

Na abertura, Yara Vasku, diretora de Cultura da ABI, iniciou o lançamento apresentando aspectos do projeto e convidando para compor a mesa Ernesto Marques, ex-presidente da ABI e um dos responsáveis pela idealização do site; Suely Temporal, presidente da ABI; e Daiane Silva, diretora de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia, apoiadora da iniciativa.

Suely Temporal destacou a importância de celebrar a conclusão da segunda etapa de digitalização do acervo e ressaltou o papel dos editais culturais para a realização de projetos de preservação e acesso à memória. A presidente também comentou sobre a importância de tornar a documentação acessível ao público.

Ernesto Marques, um dos idealizadores do projeto, falou sobre o surgimento da iniciativa e os desafios enfrentados ao longo dos anos. Segundo ele, a ideia ganhou força após a criação da Sala de Exibição Cinematográfica Roberto Pires, localizada no segundo andar da ABI, cuja inauguração reuniu importantes nomes do audiovisual e familiares do cineasta homenageado. Coube à cineasta Márcia Nunes, amiga da família, apresentar Ernesto à filha de Walter, Kátia da Silveira. A aproximação contribuiu para que, posteriormente, o acervo fosse doado à ABI, com a proposta de preservá-lo e garantir sua disponibilização ao público. 

“Este é um passo gigantesco para nós e para a importância do acervo. É pequeno perto do desafio que temos, que é restaurar, mas, pela resposta da família e dos nossos colegas do audiovisual, vale a pena explorar a memória e a preservação em todos os usos que este acervo vai ter para a memória da Bahia”, afirmou Ernesto.

Daiane Silva também destacou a relevância da conclusão da nova etapa do projeto. “Para nós, é importante ver um projeto sendo consolidado. Isso reafirma o compromisso que a Fundação Cultural e a Diretoria do Audiovisual têm com o fomento à memória e à preservação. Vida longa ao projeto!”, declarou. Ela também ressaltou a expectativa de que outras iniciativas de digitalização de acervos possam ser impulsionadas por meio de políticas públicas.

Segunda etapa

O acervo completo de Walter da Silveira é composto por mais de 5 mil itens documentais, que abrangem diferentes áreas de atuação do crítico e intelectual baiano. Em 2015, o acervo foi doado pela família Silveira para o Museu de Imprensa da ABI. Em 2020, surgiu o projeto Acervo Digital Walter da Silveira, com o objetivo inicial de digitalizar a documentação sobre arte cinematográfica.

Na primeira etapa, em 2021, foram disponibilizados 317 itens documentais (cartas e fotografias do cinema brasileiro). A partir de 2024, ampliou-se o recorte documental a ser digitalizado. Idealizado e coordenado por Cyntia Nogueira, professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e organizadora do livro “Walter da Silveira e o cinema moderno no Brasil: críticas, artigos, cartas, documentos” (2020), o projeto teve em sua segunda etapa a consultoria técnica do preservador Hernani Heffner, gerente da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e de Maíra Salles, professora de Arquivologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Dada a importância da documentação relacionada ao cineclubismo no Brasil, foi criado um banco de dados específico para o Clube de Cinema da Bahia, fundado em 1950 por Walter da Silveira e Carlos Coqueijo da Costa, com a disponibilização de 799 itens documentais desse acervo, além de 376 fotografias e cartões-postais do cinema internacional e 202 fotografias do cinema brasileiro. Com isso, o projeto passa a reunir e disponibilizar on-line 1.377 documentos, acessíveis por meio do site www.walterdasilveira.com.br.

Durante o lançamento, Cyntia Nogueira, professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e coordenadora do projeto, apresentou o processo de desenvolvimento da segunda etapa. A pesquisadora explicou que os documentos passaram por procedimentos de conservação e restauro no Laboratório de Conservação e Restauro da ABI antes de serem digitalizados, seguindo equipamentos e padrões específicos de preservação digital. 

Cyntia também parabenizou os profissionais envolvidos na realização do projeto. As ações de conservação foram coordenadas por Renata Santos, museóloga da ABI, e Marilene Rosa, restauradora. A etapa de catalogação, classificação e digitalização foi realizada pela arquivista Marygloria Santos; Anna Bella Almeida, estagiária de Arquivologia; Adolfo Gomes, pesquisador; e Pablo Sousa, pesquisador e assistente do Museu de Imprensa da ABI. O site foi desenvolvido por Vinícius Souza, responsável pela programação e acessibilidade, e Eduarda Dellamagna, responsável pela direção de arte, com produção de conteúdo do jornalista e pesquisador Euclides Santos Mendes.

De acordo com Renata Santos, a conclusão da segunda etapa representa um avanço no processo de preservação e democratização do acesso à memória do cinema baiano, mas o trabalho continua. “Ainda há documentos do acervo de Walter da Silveira para passar por processos de conservação, restauração, digitalização e disponibilização ao público”, adianta a museóloga.

Conferência

A conferência “A história do cinema vista pelo cineclubismo: Clube de Cinema da Bahia, arquivos e cultura cinematográfica” foi ministrada pela pesquisadora Izabel de Fátima Cruz Melo, professora do curso de História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autora do livro Cinema, circuitos culturais e espaços formativos – novas sociabilidades e ambiência na Bahia (1968-1978). Durante a palestra, a docente estabeleceu relações entre sua trajetória de pesquisa, a história e a memória do cinema baiano e a importância dos arquivos para a compreensão desse percurso.

A família de Walter da Silveira também prestigiou o evento. Para Paulo Ivan da Silveira, neto do crítico, participar do lançamento teve duas importantes dimensões. “Do ponto de vista pessoal, é muito emocionante estar aqui. E, do ponto de vista ético, uma vez que participamos dessa cadeia de resgate e disponibilização desse material, foi uma responsabilidade de memória coletiva sendo cumprida”, afirmou. Tânia Mara da Silveira, nora de Walter, também agradeceu o trabalho realizado pela equipe responsável pelo projeto. “Agradeço o trabalho e o acolhimento que vocês deram a este acervo tão valioso para a memória de todos nós”, declarou.

Marie Rebouças e Lyan Santana, estudantes de Museologia que acompanharam o lançamento, destacaram o tamanho e a relevância do acervo. Para Lyan, foi emocionante acompanhar uma palestra sobre a trajetória de uma personalidade fundamental para a memória da capital baiana.

A segunda etapa do projeto Acervo Digital Walter da Silveira foi contemplada nos Editais da Lei Paulo Gustavo Bahia. O projeto conta com o apoio financeiro do governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo Federal, no âmbito da Lei Complementar nº 195/2022.

(Com informações de Euclides Mendes/Assessoria do projeto Acervo Digital Walter da Silveira)

*Catarina Gramosa é estagiária de Jornalismo da ABI, sob a supervisão de Joseanne Guedes. 

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