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Jornalista armênia é processada por se recusar a revelar fonte

A Organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) manifestou sua indignação com o processo contra a jornalista Kristine Khanumian, editora do site de notícias Ilur.am, após ela se recusar a cumprir uma ordem judicial para revelar a fonte de uma reportagem sobre um caso de abuso policial em junho de 2014. Segundo a entidade, esta é a primeira vez que um jornalista é processado por se recusar a revelar uma fonte na Armênia. A imprensa local informou que a ação é movida pelo Serviço de Investigação Especial. Ela pode pegar até dois anos de prisão.

Em junho do ano passado, um tribunal ordenou que a repórter e o jornal Hraparak revelassem as fontes para denúncias de que um policial havia agredido dois irmãos, um deles era um conhecido lutador.

“A acusação constitui um precedente perigoso para a liberdade de imprensa”, disse Johann Bihr, representante da entidade na Europa Oriental e Ásia Central. Diversos veículos de comunicação do país emitiram uma declaração conjunta contra a repressão.

*As informações são do Portal IMPRENSA

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Segurança: Manaus registra 38 execuções após morte de PM

Uma onda de violência deixou 38 mortos em Manaus, apenas no último final de semana. A polícia trabalha com as hipóteses de briga entre facções criminosas ou grupo de extermínio formado por policiais. Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado do Amazonas, Sérgio Fontes, a investigação não descarta a hipótese de que parte dos crimes possa estar relacionada à vingança pelo assassinato recente de um policial militar. Um grupo de PMs teria formado uma espécie de esquadrão de justiceiros para vingar o colega, inclusive atacando outros supostos criminosos. Nas ruas, o movimento da polícia foi intensificado para conter os assassinatos em série. Mesmo assim, a população está assustada.

De sexta-feira para sábado foram 22 mortes. Mais quatro no domingo. E de domingo para segunda-feira outras 12 pessoas foram executadas – número é sete vezes mais que o registrado no fim de semana anterior. As execuções começaram depois da morte do sargento Afonso Camacho, da Polícia Militar, durante um assalto. “Isso nunca aconteceu, uma quantidade de crimes praticados, boa parte deles da mesma forma, talvez por um mesmo grupo”, afirma delegado geral Orlando Amaral. Pelo menos, 17 assassinatos foram com armas de uso exclusivo da polícia. Por isso, a participação de policiais está sendo investigada, além de uma disputa entre traficantes.

Leia também: MP-BA pede prisão de PMs acusados por chacina no Cabula

Quem atira normalmente está em um carro ou em dupla em uma moto. E o que chamou a atenção foi o fato da maior parte dos assassinatos ter acontecido em horários aproximados e em pontos diferentes da cidade. Foram 11 homicídios na Zona Oeste, seis na Zona Norte, 11 na Zona Leste, uma das mais populosas, oito na Zona Sul e dois na Zona Centro-Sul da capital. Apenas em um bairro foram cometidos cinco homicídios.

A secretaria de Segurança do Amazonas informou que quase todas as vítimas têm ficha na polícia. E que os criminosos estão usando armas iguais às usadas por policiais. A polícia já tem pistas, mas mantém sigilo. “A enorme quantidade de munição usada, toda ponto quarenta é um indicativo de que podem ter policiais militares envolvidos”, afirma o Sérgio Fontes, secretário de Segurança do Amazonas.

*Informações do jornal Bom Dia Brasil e de A Crítica (Manaus)

 

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Justiça suspende reportagem sobre relatórios da Fundação Casa

A Justiça de SP suspendeu a publicação de um reportagem da Folha de S.Paulo no último domingo (19/7) sobre relatórios psicossociais elaborados por profissionais da Fundação Casa, que avaliam a situação dos adolescentes na instituição. A decisão argumenta que a reportagem, produzida pelo jornalista Reynaldo Turollo Jr., teve acesso a informações sigilosas cuja divulgação pode ser contrária ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). De acordo com o jornal, a juíza Luciana Antunes Ribeiro Crocomo, corregedora do Departamento de Execuções da Infância e da Juventude (Deij), alegou que “qualquer divulgação do conteúdo dos relatórios obtidos ilegalmente, a que título for, ensejará incidência em infração administrativa” cuja pena pode ir de multa até a apreensão da publicação.

Foi a própria instituição que recorreu à Justiça depois de um pedido de informações enviado pelo repórter para que a Fundação comentasse como são feitos os documentos. O Estatuto proíbe a identificação de menores de idade infratores. No entanto, na solicitação, Turollo Jr. se comprometeu a não divulgar nomes nem informações que pudessem identificar os adolescentes.

A Folha foi alertada da decisão na noite da última sexta-feira (17/7), por telefone e por e-mail. A juíza é responsável pelo departamento que avalia os relatórios vindos da Fundação Casa e que decide pela internação ou pela liberação dos jovens. O advogado da publicação, Luís Francisco Carvalho Filho, qualificou a suspensão da reportagem como “uma tentativa de censura lamentável”.”Há processos sigilosos, não há Justiça secreta, capaz de esconder seus atos e critérios da imprensa e da opinião pública”, acrescentou.

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos (Abraji) consideraram a iniciativa uma investida contra a liberdade de imprensa e de expressão e defenderam o exercício do jornalismo com respeito ao que prevê o ECA. “A censura prévia a qualquer reportagem que trate do assunto é prejudicial não apenas ao direito à informação, garantido pela Constituição, como ao papel do jornalista de fiscalizar o poder público no que diz respeito ao que o próprio ECA garante, que é a atenção à infância e à juventude como prioridade absoluta das políticas públicas”, completou a Abraji.

*Informações do Portal IMPRENSA

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Charlie Hebdo não voltará a publicar caricaturas de Maomé

Mais de sete meses depois do atentado que dizimou a redação do semanário satírico Charlie Hebdo em Paris, o novo diretor anuncia que a publicação francesa não voltará a publicar caricaturas do Profeta dos muçulmanos. “Desenhamos Maomé para defender o princípio de que se pode desenhar o que se quiser”, diz Laurent Sourisseau, argumentando que esse trabalho está feito. Riss, como assina o também cartunista, defendeu numa entrevista à revista alemã Stern que o Charlie Hebdo não foi monopolizado pela crítica aos fundamentalistas muçulmanos, como aqueles que estiveram por trás do ataque de 7 de Janeiro, que fez 12 mortos . “Os erros que apontamos ao islão também se encontram nas outras religiões. Fizemos o nosso trabalho. Defendemos o direito à caricatura. É estranho, espera-se que exerçamos uma liberdade de expressão que mais ninguém se atreve a exercer”, concluiu Riss.

O anúncio do fim das caricaturas de Maomé nas páginas do Charlie Hebdo segue-se à decisão do principal cartunista do semanário, Luz, de não voltar a desenhar o Profeta e de abandonar o jornal. É de Luz a primeira página que se seguiu aos atentados, onde Maomé surgia com um cartaz escrito “Je Suis Charlie” (Eu Sou Charlie), o slogan adotado por todo o mundo em solidariedade com as vítimas, debaixo da frase “tudo está perdoado”. Foram impressos oito milhões de exemplares, quando o jornal vendia habitualmente 60 mil. Depois de meses de trabalho sem os seus colegas, Luz concluiu não ter condições para continuar: numa entrevista ao Libération – que acolheu o Charlie Hebdo nas suas instalações –, anunciou que deixará o jornal satírico em Setembro. “Por razões muito pessoais”, explicou, “para poder reconstruir-me e recuperar o controle sobre mim mesmo”.

Novo estatuto

Os últimos meses têm sido marcados por divisões entre os jornalistas e cartunistas sobre a gestão do jornal, que é agora detido por Sourisseau (70%) e pelo diretor financeiro Eric Portheault (40%), depois de ambos terem comprado os 40% detidos pela família de Charb, o antigo diretor. De acordo com Sourisseau, o Charlie Hebdo vai se tornar o primeiro jornal a adotar o novo estatuto de “empresa solidária de imprensa”, criado por uma lei de abril, na sequência dos ataques. Assim, a empresa passa a ser obrigada a reinvestir 70% dos seus lucros anuais – os acionistas decidiram que não receberão dividendos dos restantes 30%, que ficarão bloqueados num fundo.

Transformado num símbolo mundial da liberdade de imprensa, o semanário satírico tem recebido milhões de euros de doações, para além de ter aumentado para 210 mil o número de subscritores e de estar a vender 100 mil em banca. Mais do que suficiente para ter uma “tesouraria positiva”, explica Sourisseau. Será preciso gastar dinheiro numa nova redação e em novas medidas de segurança, no momento em que colaboradores do Charlie pedem, muitas vezes, para publicar sob anonimato. “Quando vendíamos menos, estávamos mais tranquilos”, diz Sourisseau. “Agora, toda a gente olha para nós, tantas pessoas esperem que desempenhemos um papel, e é possível que tudo se repita. Mas não podemos abandonar este jornal. Se parássemos seria uma catástrofe para a democracia.”

*As informações são do Público (Portugal), com agências.

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