Bairro da Paz, Salvador, Bahia | Foto: Paulo de Almeida Filho
A Associação Bahiana de Imprensa, por meio da Diretoria de Defesa da Liberdade de Informação e Direitos Humanos, vem a público manifestar o mais veemente repúdio às declarações violentas proferidas pelo presidente do Partido Missão na Bahia. Em discurso recente, o dirigente partidário defendeu abertamente a realização de massacres em comunidades soteropolitanas, ao afirmar que “tem que ter uma chacina no Bairro da Paz” e “em Planeta dos Macacos”, incitando expressamente um “banho de sangue”. É absolutamente inaceitável que uma liderança política utilize o espaço público para pregar o extermínio de populações periféricas e a barbárie institucionalizada sob o pretexto de combater a criminalidade. A incitação à violência e a apologia a chacinas não são propostas de segurança pública; são crimes previstos no Código Penal Brasileiro e violam frontalmente a Constituição Federal e os Tratados Internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário.
As periferias de Salvador — majoritariamente habitadas por trabalhadores, famílias e jovens negros — não podem ser tratadas como palco para o derramamento de sangue ou como moeda de troca eleitoral. A segurança pública deve ser construída com inteligência, respeito à vida, inclusão social e estrito cumprimento da lei, e não com a aniquilação de comunidades inteiras. Diante da gravidade dos fatos, exigimos:
Investigação imediata por parte do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e das autoridades policiais para a apuração de crimes de incitação à violência e apologia ao crime. Posicionamento e responsabilização por parte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) e das instâncias éticas do próprio Partido Missão diante de conduta tão incompatível com o regime democrático. Garantia de proteção e segurança para os moradores do Bairro da Paz, de Planeta dos Macacos e de todas as comunidades ameaçadas pelo discurso de ódio. A democracia e a paz social não coexistem com a barbárie. Não aceitaremos que o ódio e a apologia ao crime tentem se impor sobre o direito fundamental à vida.
A exposição “A Bahia pelo Olhar do Autismo” chega ao Museu de Arte da Bahia (MAB) no dia 24 de setembro, às 19h. Realizada pela Associação Projeto Fantástico Mundo Autista (FAMA), o projeto reúne fotografias e produções artísticas de jovens e adultos autistas, desenvolvidas ao longo de mais de um ano durante oficinas formativas em Fotografia. A entrada é gratuita e estará aberta ao público de 25 de setembro a 15 de novembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Durante a formação, os participantes percorreram diferentes espaços do território baiano, presenciando diversas manifestações culturais e religiosas, paisagens, pessoas, culinárias e outros elementos que atravessam a identidade do estado.
O objetivo do projeto é transformar as perspectivas de adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista sobre trabalho, pertencimento e oportunidade. “A gente está usando a arte, a cultura e a formação como caminhos para desenvolver as habilidades, trazer autonomia e novas perspectivas de inclusão produtiva e geração de renda para essas pessoas”, defendeu a presidente do FAMA, Patrícia Teodolina.
Todos os envolvidos também tiveram contato com design gráfico, mídias digitais, serigrafia, sublimação, corte e costura, além de atividades relacionadas a empreendedorismo, marketing digital, educação financeira e economia solidária.
“‘A Bahia pelo Olhar do Autismo’ parte de outra perspectiva: a ideia de utilizar a fotografia como ferramenta de inclusão, mas também de formação e de expressão. [A fotografia] acabou sendo apenas o ponto de partida do projeto. Depois virou arte, estampa, peça, conteúdo digital. Foi um processo de transformar a experiência em criação e possibilidade”, Rumenil Pimentel, coordenador de comunicação e de oficinas do Projeto Fama.
A iniciativa envolveu mais de 400 pessoas, entre jovens autistas e cuidadoras, além de alcançar centenas de pessoas em diferentes municípios baianos.
Sobre o FAMA
Com 12 anos de atuação, a Associação Projeto Fantástico Mundo Autista – FAMA é uma organização sem fins lucrativos dedicada à inclusão responsável de jovens e adultos autistas. A instituição desenvolve atividades artísticas, culturais, esportivas e formativas voltadas ao reconhecimento e desenvolvimento das potencialidades de cada participante.
“A Bahia pelo Olhar do Autismo” é uma iniciativa da FAMA, financiada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), por meio do Fundo de Promoção do Trabalho Decente (FUNTRAD), contemplada no Edital de Chamamento Público nº 005/2024.
Novas seleções estão previstas para o primeiro semestre de 2027 a partir de uma lista de espera disponível no site do Fama, que é www.projetofama.org.
SERVIÇO Exposição: A Bahia pelo Olhar do Autismo Realização: Associação Projeto Fantástico Mundo Autista – FAMA Visitação: 25 de setembro a 15 de novembro de 2026 Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 18h Local: Museu de Arte da Bahia (MAB), Av. Sete de Setembro, 2340 – Corredor da Vitória, Salvador (BA) Entrada gratuita
Na noite de quarta-feira (23), o salão principal da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) viu a poesia de Sosígenes Costa encontrar no violão e na voz de Marcos Roriz maneiras de atravessar o tempo. Com o recital “Solfejando Sosígenes Costa”, o músico juazeirense estreou na Série Lunar, fazendo uma aproximação delicada entre literatura e música.
A obra de Sosígenes Costa, poeta, jornalista e professor, guarda essa capacidade de transitar por diferentes formas e registros. Nascido em Belmonte, em 1901, e ligado à vida cultural de Ilhéus, o escritor construiu uma produção marcada pelo apuro formal, pelo imaginário baiano e pela conversa permanente com o seu tempo.
Foto: Marina Silva
Foi o rigor da forma que ocupou parte da reflexão de Marcos Roriz durante a apresentação. Com uma sequência de banners em lona, ele musicou poemas e crônicas de Sosígenes. Ao falar sobre sonetos, o músico chamou atenção para a arquitetura de uma composição que atravessou séculos sem perder sua estrutura fundamental. São dois quartetos e dois tercetos, 14 versos nos quais o poeta precisa acomodar ritmo, rima, pensamento e narrativa.
“Em 14 versos, você tem a obrigação de contar a sua história, queira ou não”, observou Roriz. Para ele, a força do soneto está também nesse “apuro matemático”, na capacidade de construir uma escritura inteira dentro de uma moldura precisa.
Talvez seja essa mesma ideia de construção que aproxime o poeta do músico. Roriz falou sobre o trabalho do luthier, profissional que dedica cuidado minucioso à construção e ao acabamento de um instrumento. A comparação levou a uma reflexão sobre educação e arte, entendidas como trabalhos que exigem tempo, precisão e dedicação.
“O verniz de uma pátria é a educação”
Marcos Roriz
A frase sintetiza uma das ideias que atravessaram o recital. Para Roriz, assim como a nobreza de um luthier está em construir bem o instrumento que chegará às mãos do músico, a educação e a arte participam da construção de uma sociedade capaz de reconhecer, preservar e produzir conhecimento.
Cantor, violonista e violoncelista, Marcos Roriz é músico aposentado da Escola de Música da UFBA, onde integrou o Madrigal e colaborou com a Orquestra Sinfônica (OSUFBA). Ao longo de sua trajetória, também atuou como violoncelista convidado ao lado de artistas como Elomar, Xangai, Carlinhos Brown e Wilson Café, entre outros.
O poeta e o jornal
Ao apresentar a obra de Sosígenes, Roriz também percorreu um capítulo menos lembrado de sua trajetória, a relação do poeta com o jornalismo.
Segundo o músico, depois de deixar Belmonte e se estabelecer em Ilhéus, Sosígenes assumiu, por concurso, o cargo de telegrafista. Já com o sustento garantido, foi possível se dedicar à cultura e ao domínio das letras.
Roriz contou que a sociedade ilheense percebeu naquele homem culto uma possibilidade de contribuição em diferentes áreas. Vieram, então, trabalhos ligados à imprensa e à comunicação, entre eles uma colaboração para o jornal A Tarde, além de uma atuação junto à Associação Comercial de Ilhéus, em um período de grande movimentação econômica provocada pelo ciclo do cacau.
A narrativa devolve Sosígenes a uma dimensão particularmente próxima da própria casa que recebeu o recital. Antes de ser eternizado como nome da literatura baiana, ele também foi homem de seu tempo, profissional da palavra, alguém que precisou fazer da escrita um ofício e da linguagem uma forma de trabalho.
Do papel ao som
O projeto de Roriz nasceu desse desejo de manter a obra em movimento. Cada caderno de seu trabalho reúne 12 sonetos musicados. Três já foram produzidos. O músico pretende chegar ao quarto.
“Peço a Deus que me dê vida”, disse, ao falar do desejo de continuar o trabalho.
Há algo de profundamente artesanal nessa permanência. O poeta escreve, o músico lê, interpreta, mede o verso, procura sua respiração e devolve a palavra em outra linguagem. O que estava no papel ganha melodia. O que nasceu há décadas encontra novos ouvidos.
Sosígenes Costa morreu em 1968. Sua obra, contudo, continua a encontrar quem a leia, estude, cante e reinvente. “Obra Poética”, publicada em 1959, recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia no ano seguinte. Décadas depois, seus versos ainda oferecem matéria para novas criações.
Na Série Lunar, a poesia não apareceu como peça de museu. Esteve viva, em voz, cordas e imagens. Entre um verso e outro, Marcos Roriz apresentou ao público uma obra que resiste porque continua capaz de produzir encontros.
A apresentação integrou a programação da Série Lunar, projeto que nasceu da parceria entre a ABI e a Emus/UFBA. Desde 2019, a iniciativa promove concertos com professores, servidores técnico-administrativos e estudantes ligados à instituição, transformando a ABI em espaço de encontro entre a produção acadêmica, a cena musical e o público de Salvador. Em 2026, o projeto tem o apoio da Associação Cultural Brasil–Estados Unidos (ACBEU), parceira que tem contribuído para a manutenção da programação.
O Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) promove nesta quinta-feira (24), às 14h, o Workshop de Gestão de Crise, ministrado pela jornalista e publicitária Sandra Barroca. O encontro acontece na sala de Metodologias Ativas e propõe uma imersão prática em um dos campos mais estratégicos da comunicação contemporânea: a proteção da reputação de organizações em momentos críticos.
Com 20 anos de experiência em Comunicação Corporativa, Reputação e Gestão de Crises, Sandra construiu sua trajetória em empresas de grande porte, com ênfase no setor de mineração. Ela atuou em organizações como BHP e Samarco, e participou da gestão de crise após os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, episódios que mobilizaram a opinião pública e redefiniram o debate sobre responsabilidade corporativa no país.
Há quatro anos, é head de Comunicação Corporativa da mineradora BAMIN, em Salvador. Formada em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda, Sandra é mestre em Comunicação Social e Interações Midiáticas, com especialização em teorias da Comunicação de Crise. Na docência, leciona a disciplina Reputação Corporativa e Gestão de Crises na pós-graduação em Gestão de Imagem e Reputação e Comunicação de Crise da PUC Minas.
Durante o workshop, os participantes terão contato com ferramentas e estratégias para prevenir, identificar e responder a situações de crise, além de conhecer os bastidores de casos reais conduzidos pela palestrante. A proposta une repertório teórico e vivência de mercado, aproximando estudantes da rotina de quem precisa tomar decisões sob pressão e com alto nível de exposição pública.
O evento é gratuito e dá direito a certificado de três horas complementares. As vagas são limitadas. Interessados devem enviar e-mail para [email protected] para garantir a participação.