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Poesia nordestina marca nova edição da Série Lunar

Com entrada gratuita, o compositor juazeirense Marcos Roriz apresenta, na quarta-feira (23), o recital poético-musical “Solfejando Sosígenes Costa”, na nova edição da Série Lunar, no auditório da Associação Bahiana de Imprensa (ABI). Em uma apresentação intimista, com voz e violão, o artista transforma em melodia versos de Sosígenes Costa (1901-1968), um dos grandes nomes da literatura baiana.

O recital propõe uma aproximação entre poesia e música a partir dos versos de Sosígenes, em uma sonoridade que entrelaça palavra e melodia, sem que uma se sobreponha à outra. O resultado é uma experiência de escuta que aproxima passado e presente e oferece ao público a oportunidade de conhecer a obra do poeta por meio de uma leitura musical contemporânea.

Nascido em Belmonte, em 1901, e profundamente ligado a Ilhéus, Sosígenes Costa foi poeta, jornalista e professor. Integrante da Academia dos Rebeldes, grupo que reuniu importantes figuras da literatura baiana, entre eles Jorge Amado, desenvolveu uma obra de forte personalidade estética, atravessada pelo Modernismo e por ressonâncias simbolistas e parnasianas, sem perder o diálogo com a cultura popular e o imaginário da Bahia.

Sua produção alcançou reconhecimento nacional com “Obra Poética”, publicada em 1959 e vencedora do Prêmio Jabuti de Poesia em 1960. Décadas depois, seus versos continuam a provocar novas leituras e a encontrar diferentes formas de expressão, revelando uma obra que permanece aberta à reinvenção.

Cantor, violonista e violoncelista, Marcos Roriz é músico aposentado da Escola de Música da UFBA, onde integrou o Madrigal e colaborou com a Orquestra Sinfônica (OSUFBA). Ao longo de sua trajetória, também atuou como violoncelista convidado ao lado de artistas como Elomar, Xangai, Carlinhos Brown e Wilson Café, entre outros.

Com trajetória já marcada por diferentes palcos e espaços de difusão cultural, “Solfejando Sosígenes Costa” foi apresentado em três temporadas no Teatro Gamboa, em Salvador, além de integrar a Fligê – Feira Literária de Mucugê, em 2023, e passar pelas cidades baianas de Belmonte, Maragojipe e Juazeiro.

A apresentação integra a programação da Série Lunar, projeto que nasceu da parceria entre a ABI e a Emus/UFBA. Desde 2019, a iniciativa promove concertos com professores, servidores técnico-administrativos e estudantes ligados à instituição, transformando o Auditório Samuel Celestino em espaço de encontro entre a produção acadêmica, a cena musical e o público de Salvador. Em 2026, o projeto tem o apoio da Associação Cultural Brasil–Estados Unidos (ACBEU), parceira que tem contribuído para a manutenção da programação.

SERVIÇO

Série Lunar 2026 – Marcos Roriz “Solfejando Sosígenes Costa”
Dia: 23 de Setembro | 19h00
Local: Auditório Samuel Celestino – 8° andar do Edifício Ranulfo Oliveira, Rua Guedes de Brito, 1 – Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador Entrada gratuita

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“Entre a Caneta e o Poder” leva a memória de jornalistas baianas ao FestCine Pedra Azul

Texto de Jaciara Santos 

Das redações baianas a partir dos anos 1970 às telas de um festival de cinema nas montanhas capixabas, há uma distância que não se mede apenas em quilômetros. É também uma travessia no tempo.

O documentário “Entre a Caneta e o Poder: Mulheres no Jornalismo da Bahia”, dirigido pelo cineasta Daniel Talento, foi selecionado para o 8º FestCine Pedra Azul, que acontece nos dias 25 e 26 de setembro, em Pedra Azul, distrito de Domingos Martins, na região serrana do Espírito Santo. O filme será exibido no sábado (26), na mostra de documentários, a partir das 9h, na Sala Malu Mader, no Hotel Vista Azul.

Produzido pela Tia Maria Filmes, em coprodução com a Arpoador Audiovisual, o longa volta às redações baianas a partir da década de 1970 para contar uma história que durante muito tempo permaneceu dispersa em lembranças, arquivos e experiências individuais: a das mulheres que avançaram sobre espaços profissionais até então ocupados majoritariamente por homens.

Daniel Talento mira a lente em uma história que conhece de perto. Filho dos jornalistas Carmela Talento e Antônio Jorge Moura, encontrou na trajetória da mãe o ponto de partida afetivo e narrativo do projeto. A partir daí, a memória individual se alarga e encontra outras histórias. O documentário reúne as vozes de Carmela Talento, Mariluce Moura, Joana D’Arck, Isabel Santos, Mônica Bichara e Jaciara Santos, além da participação especial do jornalista e escritor Emiliano José.

Na imagem, o elenco reunido no dia de estreia em Salvador. Foto: Divulgação.

Em pleno regime militar, essas mulheres tiveram de lidar com a censura que atingia a imprensa e, dentro das próprias redações, com outra espécie de fronteira. Editorias como política, polícia, esporte e economia eram territórios predominantemente masculinos. Ocupá-los significava disputar pautas, funções e espaços num ambiente profissional em transformação.

É desse encontro entre a história do país e as histórias particulares de cada uma que o filme se alimenta. Memórias, episódios de redação, enfrentamentos, conquistas e imagens de arquivo recompõem um período em que fazer jornalismo também significava abrir caminho.

Em Pedra Azul, parte dessa memória estará fora da tela. Joana D’Arck, Isabel Santos, Mônica Bichara e Jaciara Santos estarão no festival, acompanhando a participação do documentário e o encontro dessas histórias com um novo público.

Na imagem: Joana D’Arck, Isabel Santos, Mônica Bichara e Jaciara Santos. Foto: Divulgação.
Mariluce Moura, uma das jornalistas retratadas no documentário. Foto: Divulgação.

Trajetória

A passagem pelo FestCine acrescenta mais um capítulo à circulação do longa. Em maio, “Entre a Caneta e o Poder” foi selecionado para o ICJ International Film Award 2026, na Ucrânia, entre mais de 2.500 obras inscritas de diferentes países. O documentário também passou a integrar o programa Cinema nas Escolas, com exibições previstas em cem instituições de ensino ucranianas.

No Brasil, foi selecionado para o Panorama Estadual da 9ª Mostra SESC de Cinema, representando a Bahia. Agora, chega à mostra competitiva do FestCine Pedra Azul, onde os documentários dividem a programação com curtas e longas-metragens de diferentes origens.

Para Daniel Talento, a circulação amplia o alcance de uma história nascida na Bahia. “Ver o filme circular em grandes festivais nacionais é a validação de que o cinema documental focado na verdade e na memória tem uma força universal. Queremos levar a identidade do audiovisual baiano e a história dessas mulheres cada vez mais longe”, afirma o diretor.

O trabalho se insere numa trajetória marcada pelo interesse de Talento pela memória e pela cultura baianas. Ele assina também documentários como “Guitarra Baiana: A Voz do Carnaval”, que recebeu Menção Honrosa no Los Angeles Brazilian Film Festival, e “Armandinho: Muito Mais que o Azul de Zanzibar”, dedicado à trajetória e à musicalidade de Armandinho Macêdo. Atua ainda como diretor de fotografia em produções para cinema e televisão.

Agora, a caneta que dá nome ao filme atravessa mais uma fronteira.

Em Pedra Azul, diante de espectadores que não viveram aquelas redações nem necessariamente conhecem seus personagens, histórias nascidas entre máquinas de escrever, telefones, laudas, censores e fechamentos ganham outra tela — e novos olhares.

O cenário mudou. As redações também.

As vozes, não.

SERVIÇO

8º FestCine Pedra Azul

Quando: 25 e 26 de setembro de 2026

Onde: Hotel Vista Azul — Pedra Azul, Domingos Martins (ES)

Exibição de documentários: sábado, 26 de setembro, a partir das 9h

Local: Sala Malu Mader

Premiação e encerramento: sábado, às 20h, na Sala Jackson Antunes, com entrega do Troféu Rota do Lagarto aos vencedores, pocket show de Douglas Lopes e coquetel.

Paisagem do Hotel Vista Azul.

Entre a Caneta e o Poder: Mulheres no Jornalismo da Bahia

Gênero: documentário / longa-metragem

Direção e roteiro: Daniel Talento

Direção de fotografia: Daniel Talento e Ruan Souza

Produção executiva: Karen Zardi

Produção: Roger Cunha

Montagem: Evodio Jr.

Trilha sonora: Bob Bastos

Produtora: Tia Maria Filmes

Coprodutora: Arpoador Audiovisual

Pôster do longa-metragem “Entre a caneta e o poder”. Foto: Divulgação.
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Blog das vidas

Morre Pacheco Maia, jornalista de destacada trajetória na comunicação baiana

A Associação Bahiana de Imprensa lamenta a morte do jornalista José Pacheco Maia Filho, conhecido como Pacheco Maia. Aos 60 anos, o profissional morreu em Salvador, nesta sexta-feira (18), após complicações decorrentes do tratamento de um câncer na medula. A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), que manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão.

Formado em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Pacheco Maia construiu uma carreira marcada pela atuação em diferentes campos da comunicação. Passou por veículos como A Tarde, Jornal da Bahia, Bahia Hoje, Gazeta Mercantil e Rádio Transamérica, além de ter trabalhado em assessorias de comunicação e no jornalismo político.

Na comunicação pública, esteve à frente da Assessoria da Presidência da Câmara Municipal de Salvador e, em 2018, assumiu a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Salvador, durante a gestão do então prefeito ACM Neto. No período, sua atuação incluiu um dos momentos mais desafiadores da comunicação pública municipal, marcado pela pandemia de Covid-19.

Em 2021, Pacheco Maia assumiu a direção-geral da Fundação Paulo Jackson, responsável pela Rádio e TV ALBA. Em 2023, passou a atuar na Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado, como coordenador-geral de jornalismo.

Além da atuação profissional, Pacheco também se dedicou à produção de textos e crônicas. Em 2025, participou como mediador do projeto Café com História, da Ademi-BA, voltado ao registro de memórias do mercado imobiliário baiano. Também colaborou com o Bahia Notícias em artigos sobre Raul Seixas, artista pelo qual nutria especial admiração e cuja obra pesquisava.

A notícia de sua morte repercutiu entre jornalistas e profissionais da comunicação. O jornalista André Curvello lamentou a perda do amigo e destacou a lacuna deixada por Pacheco no universo da comunicação. O atual secretário de Comunicação do Estado, Luciano Suedde, também prestou homenagem ao profissional, lembrando sua trajetória marcada pelo trabalho, amizade e generosidade.

O Sinjorba também destacou a passagem de Pacheco Maia pelo jornalismo baiano, pelo marketing político e pelo serviço público, ressaltando sua contribuição profissional em diferentes áreas da comunicação.

As informações sobre o velório e o sepultamento ainda não haviam sido divulgadas até a publicação desta matéria.

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Abertura da Mostra de Cinemas Africanos acontece na Sala Walter da Silveira

Na 9° edição, a Mostra de Cinemas Africanos retorna a Salvador com abertura na Sala Walter da Silveira nesta quinta-feira, às 19h, exibindo o filme “Memória da Princesa Mumbi (Memory of Princess Mumbi)”, dirigido por Damien Hauser (Quênia), que esteve presente na ocasião. A programação estará disponível ao público até a próxima quarta-feira, 23 de Setembro.

O festival ocupará, entre os dias 17 a 23 de setembro, a Sala Walter da Silveira e o Cine Lankiana, com uma seleção de produções recentes e inéditas no Brasil que transitam pela ficção científica, comédia, musical, romance, aventura e thriller psicológico. Esse ano, o festival traz o cinema de gênero como recorte temático da curadoria das obras cinematográficas.

O objetivo do projeto é afastar visões estereotipadas sobre as telas africanas, as quais reúnem 12 longas-metragens e 10 curtas, entre ficções e documentários, provenientes do Quênia, Senegal, Gana, Chade, Marrocos, Burkina Faso, Nigéria, Sudão, Tunísia, Benin e República Democrática do Congo. O uso da Inteligência Artificial no cinema de baixo orçamento e narrativas urbanas em grandes cidades africanas serão temas presentes na programação.

Há 9 anos a Mostra de Cinemas Africanos (MCA) se dedica a exibir, de forma exclusiva, obras africanas contemporâneos no Brasil. Fundado em 2018 pela produtora cultural e pesquisadora brasileira Ana Camila Esteves, juntamente com a curadora e pesquisadora espanhola Beatriz Leal-Riesco, a MCA surgiu como uma forma de preencher uma lacuna observada no mercado: a escassez de plataformas que exibem filmes africanos recém-lançados no país.

A Sala Walter da Silveira e o Acervo Digital

A Sala Walter da Silveira é um tradicional cinema público de Salvador, localizado no subsolo da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, nos Barris. Sob gestão da Diretoria do Audiovisual (DIMAS) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), ligada à Secretaria de Cultura (SecultBA), o equipamento funciona como um meio de resistência e difusão da sétima arte.

Com foco em mostras temáticas, festivais, produções independentes, clássicos e cinema não hegemônico, a Sala oferece sessões com entrada gratuita. Ainda hoje, ela segue como uma das principais referências de espaço para exibição de filmes fora do circuito comercial padrão.

O nome do equipamento é uma homenagem a Walter da Silveira, renomado crítico de cinema, cineclubista, advogado e imortal da Academia de Letras da Bahia, que exerceu papel fundamental na formação da cultura cinematográfica moderna no estado.

Com mais de 5.000 itens documentais, o Acervo Digital Walter da Silveira também é um projeto, nascido em 2020, com o objetivo inicial de digitalizar a documentação sobre Arte Cinematográfica que consta no acervo do crítico baiano. Parte significativa desse acervo ficou guardada durante décadas no apartamento da família Silveira, no bairro da Graça, em Salvador. Até 2013, quando foi organizado a partir de um inventário coordenado por Paulo Ivan da Silveira, neto de Walter.

Em 2015, o acervo documental foi transferido para o Museu de Imprensa da ABI (Associação Bahiana de Imprensa). Ao receber o acervo, a associação assumiu a responsabilidade em conservar, restaurar e compartilhar os documentos que o crítico cuidadosamente guardou ao longo da vida.

O Acervo está disponível ao público em https://walterdasilveira.com.br/.

Divulgação / Mostra de Cinemas Africanos
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