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Site Walter da Silveira traz acervo raro e remonta formação do cinema moderno brasileiro

Walter da Silveira em sua tela pessoal, a qualquer dia e horário. Esta nova realidade estará acessível gratuitamente a partir de abril, com o lançamento do website walterdasilveira.com.br, o qual reunirá e disponibilizará uma parte consistente do acervo do militante político, professor, historiador, cineclubista, ensaísta, advogado e um dos mais importantes críticos de cinema brasileiro, o baiano Walter da Silveira. 

O lançamento oficial da plataforma acontece no próximo dia 10 de abril, às 19h, e contará com uma mesa solene, transmitida ao vivo pelo canal do YouTube da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) – ( https://bit.ly/2QrXfLK ), entidade que possui a salvaguarda do acervo físico de Silveira. 

Para ser lançado ao público, a equipe fez um mergulho prévio no acervo se Silveira e catalogou, restaurou e digitalizou 355 imagens, entre fotos de filmes e do arquivo pessoal, além de 98 correspondências.  Os tipos documentais destacados têm forte significado para a história do cinema brasileiro, com destaque para as correspondências com Glauber Rocha, Alex Viany e Paulo Emílio Sales Gomes, trocadas entre 1950 e 1966, e que permitem acompanhar a formação do cinema moderno no Brasil.

O projeto é idealizado pela doutora em Artes e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Cyntia Nogueira, autora do livro Walter da Silveira e o Cinema Brasileiro. A coordenação é da museóloga Renata Ramos, que atua na área de conservação e restauração documental e é responsável pelo Museu de Imprensa da ABI. Integra também o projeto o historiador e doutor em Cinema, Adilson Mendes, atuando como pesquisador responsável pelo projeto. 

Para Renata Ramos, além da possibilidade de trabalhar a documentação que estava parada há algum tempo, o maior ganho que o projeto dá conta é a divulgação da própria história e importância de Walter da Silveira. 

“As peças são muito importantes para a história da Bahia e para o cinema baiano e brasileiro. E foi isso o que nos motivou trabalhar esse material. Poucas pessoas na Bahia conhecem Walter da Silveira como um dos especialistas do cinema brasileiro e, principalmente, do cinema baiano. Nosso ganho é a divulgação dessa documentação, que é muito importante para a sociedade como um todo. Walter é conhecido internacionalmente, mas nem todos os jovens pesquisadores do cinema tem essa referência dele como um dos principais críticos”, pontua Renata. 

Adilson Mendes, na função de pesquisador responsável da proposta se dedicou ao processo de levantamento, seleção dos conteúdos mais relevantes, elaboração de metodologia de classificação, organização de peças fundamentais e outras etapas do processo que culminam com o lançamento do site. Ele classifica Walter da Silveira como “um articulador fundamental para o cinema moderno”. 

Do minucioso trabalho empreendido, Mendes destaca as fotografias, as quais, segundo ele, mostram como Walter ocupava um lugar central para o cinema brasileiro. 

“Ele articulava, participava como líder em festivais, publicava na imprensa. Então, quando as pessoas lançavam seus filmes ou estavam produzindo, mandavam para ele fotos, imagens, quase que para pedir uma anuência da parte dele ou mesmo para pedir favores, para ele ajudar nas filmagens na Bahia”, diz Mendes.  

A criação do site com materiais minuciosamente selecionados também objetiva fazer do local uma fonte de referência para iniciantes e iniciados na cultura audiovisual.  Ao mesmo tempo que difunde a vida e a obra de Walter da Silveira, o projeto estimula a pesquisa especializada ao favorecer a compreensão sistêmica da rede do cinema moderno, que permitiu, no caso baiano, a formação de um dos baianos mais ilustres no universo cinematográfico. 

A plataforma também reunirá depoimentos de importantes personalidades do cinema brasileiro, os quais destacam a importância de Walter da Silveira, dentre eles, Antonio Pitanga, Orlando Senna e Roque Araujo. 

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), por meio do Programa Aldir Blanc Bahia, via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

O ACERVO DE WALTER DA SILVEIRA

Desde 2015, quando assinou o termo que oficializou a doação do acervo de Walter da Silveira, feita pela família do crítico de cinema, a Associação Baiana de Imprensa detém a salvaguarda de milhares de itens, agregando as funções de preservação e de disponibilização de acesso ao acervo. As peças físicas estão disponíveis no Museu da Imprensa, criado pela ABI há 43 anos e reinaugurado em agosto de 2020, como parte da celebração de 90 anos da Associação.

A doação feita à ABI recompôs quase totalmente a biblioteca pessoal de Silveira, somando-se à parte do acervo adquirida em 1972 pela instituição, composto por obras antes disponíveis na Biblioteca Jorge Calmon. 

Serviço
O que: Lançamento website walterdasilveria.com.br
Quando: 10 de abril, a partir das 19h
Onde: Canal da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) no Youtube: https://bit.ly/2QrXfLK

Mari Leal
Assessoria de Imprensa
(71) 99277-5034

ABI BAHIANA

ABI e UniRuy avançam nas negociações para restaurar acervo do Museu Casa de Ruy Barbosa

Em visita técnica realizada ao Museu Casa de Ruy Barbosa, na manhã desta quarta-feira (10), o professor José Dirson Argolo, restaurador de obras de arte e especialista em preservação de monumentos e bens históricos, avaliou o estado do acervo do equipamento cultural. A iniciativa faz parte dos esforços da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e do Centro Universitário UniRuy para dimensionar os custos de um projeto de restauro das obras e da Casa. O vice-presidente da instituição, Luís Guilherme Pontes Tavares, e a museóloga Renata Ramos, responsável pelo Museu de Imprensa da ABI, receberam o docente no local.

O Museu Casa de Ruy Barbosa foi erguido sobre a casa onde, em 1849, nasceu Ruy Barbosa, na Rua dos Capitães (atual Rua Ruy Barbosa), Centro Histórico de Salvador. O imóvel original encontrava-se em ruínas quando foi adquirido pela ABI, através de uma campanha de subscrição popular liderada pelo jornalista Simões Filho (1886-1957). O Museu é administrado desde 1998 por meio de um convênio firmado com a Faculdade Ruy Barbosa, instituição pertencente à outra empresa, que posteriormente recebeu o status de centro universitário. Em 2021, o UniRuy e a ABI retomaram as negociações que viabilizarão um acordo para a restauração do Museu e seu acervo.

O acervo é constituído por peças em metal, louça, tecido e gesso, além de estatuetas, telas, mobiliário, livros e documentos diversos que se referem à vida, obra e trajetória de Ruy Barbosa (1849-1923). O “Águia de Haia”, como ficou conhecido, teve uma atuação marcante em mais de cinco décadas da história do Brasil, como jurista, diplomata, jornalista, escritor e político. Alguns desses itens foram subtraídos do imóvel durante o furto ocorrido em setembro de 2018.

O UniRuy se propôs a custear os reparos no imóvel, começando pelo telhado e o inventário, bem como remoção do acervo para um local escolhido pela ABI. Por indicação da ABI, foram contratadas as bibliotecárias Ana Lúcia Albano e Graça Catolino, que coordenarão a equipe técnica responsável pelo inventário. O trabalho começa na próxima segunda-feira, dia 15, e deverá se estender por mais trinta dias, liberando o imóvel para intervenções na estrutura física.

O UniRuy avalia ainda a possibilidade de assumir os custos da restauração das obras de arte e demais itens do acervo museológico. Os entendimentos avançam em reuniões semanais. O objetivo é que o espaço logo esteja em condições de ser reaberto ao público e passe a exercer a sua finalidade, de receber visitantes e principalmente ser um centro de atividades, estudos, pesquisas e divulgação sobre Ruy Barbosa e sua obra.

“Estamos empenhando nossos esforços, juntamente com a ABI, para promover as condições favoráveis à reabertura do Museu, bem como assegurar sua longevidade”, enfatiza Rodrigo Vecchi, Reitor do UniRuy.

Acervo danificado

De acordo com José Dirson Argolo, o tempo fechado e sem manutenção expôs o acervo e o imóvel. Ele comparou as obras com fotos feitas há dois anos, quando realizou levantamento e apresentou orçamento para a restauração e conservação do material. “Encontrei a Casa em condição complicada. Quando fiz a primeira avaliação, as peças estavam em um estado que ainda possibilitava um bom restauro”, lamentou. Uma das obras mais danificadas, segundo ele, é um retrato da esposa de Ruy Barbosa, Maria Augusta Viana Bandeira. “A gente pode limpar, mas a camada de carvão que era o desenho do artista está borrada, porque alguém fez uma limpeza de forma indevida, provavelmente utilizando flanela e álcool. Podemos fixar o que salvou dele, mas não voltará ao que era”, analisou.

“O acervo precisa ser deslocado daqui. E que se providencie a sua restauração, para que possamos conservar para a posteridade esse acervo tão importante sobre Ruy”, alertou. Com os dados coletados hoje, o restaurador vai atualizar e concluir o projeto, revisando os orçamentos que serão encaminhados ao UniRuy.

Artigos Imprensa e História

Ruy Barbosa despedaçado

Das imagens que fiz durante a breve visita, na tarde de 20 janeiro de 2021, ao sobrado em que nasceu o jornalista, advogado e político Ruy Barbosa (1849-1923), é esta que ilustra o texto, a que mais me comoveu. A figura do ilustre baiano mercando exemplares de jornal com outra, no formato de boneco mamulengo, prostrada e despedaçada. Tomei-as como síntese da visita que não pudéramos fazer antes devido a inconsistente querela entre a ABI (Associação Bahiana de Imprensa) e o Yduqs, grupo educacional, de capital aberto, de que faz parte a UniRuy, outrora parceira que assumira a responsabilidade de manter o museu de portas abertas.

É provável que quem nos ler agora tenha conhecimento de que a ABI, que é proprietária do Museu Casa de Ruy Barbosa (MCRB), penou nos últimos meses para ter acesso ao sobrado do Centro Antigo (rua Ruy Barbosa, 12) por causa da intransigência dos substitutos da Faculdade Ruy Barbosa, nossa parceira desde o final da década de 1990, instituição criada pelo professor Antonio de Pádua Carneiro e sócios e vendida por eles a investidores estrangeiros.

Depois dessa operação financeira, os problemas materiais e relacionais se multiplicaram e o sobrado perdeu o viço que tinha quando a ABI o entregou à faculdade baiana. O diálogo empobreceu, sobretudo depois que a casa foi assaltada no final de 2018. A UniRuy fora vítima porque não zelara com o devido rigor o patrimônio que estava sob os cuidados dela. No meio do ano seguinte, a parceria se esgarçou de modo grave com a pretensão de devolver o imóvel lesado e em estado aquém daquele que a ABI dera acesso e que nos permitiria adjetivá-lo como se brinco fosse.

Tomemos os três parágrafos anteriores como preâmbulo e alcancemos o que importa e que possa explicar o título deste artigo. E o que importa é Ruy Barbosa, baiano extraordinário, de quem ouço elogios desde a infância e a quem conheci melhor quando auxiliei numa nova edição da biografia do jurista escrita pelo político baiano, mas nascido na França, Luiz Viana Filho (1908-1990), patrocinada pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia como parte das festividades do centenário desse autor, comemorado em 2008.

Ruy Barbosa recebeu da Bahia extraordinárias homenagens, sobretudo no seu centenário de nascimento, em 05 de novembro de 1949. Seus restos mortais foram transladados do Rio de Janeiro, onde permanecera desde o sepultamento em 01 de março de 1923, para a cripta no novo fórum baiano, que ostenta o seu nome, no Campo da Pólvora. Foi também em 1949 que a ABI inaugurou o Museu Casa de Ruy Barbosa, na antiga Rua dos Capitães, que adotou o nome do jurista quando quando Ruy era ministro das Finanças do Governo Rodrigues Alves, em 1903. Se o fórum foi levantado com os recursos públicos, o museu e o seu acervo são obra de doações identificadas, o que o torna mais do patrimônio da Bahia do que da ABI.

E é em nome dos baianos que erguemos nossa indignação com o que está ocorrendo. Dou-lhes, pois, conta de que o imóvel requer obras diversas para restabelecer, sobretudo, a segurança que ostentava desde o telhado, passando pelo primeiro piso e o térreo rente à rua (em Portugal, se diria ao rés do chão). Mas a preocupação maior é com os bens móveis – documentos, livros, telas, objetos e móveis – afins com Ruy Barbosa. Tudo doado pela sociedade – personalidades e instituições – da Bahia e do Brasil. Exigimos a imediata transferência para o prédio da ABI (Edifício Ranulpho Oliveira, na esquina da Praça da Sé) face ao perigo que é a permanência num imóvel avariado.

Desconheço quem teria doado as duas figuras que estão na foto, mas o mamulengo exige imediata restauração e que essa coincida com a solução da querela entre a ABI e a Yduqs, de modo que relações maduras e construtivas permitam que o museu volte a funcionar e que o boneco que representa Ruy volte a se erguer e passe a representar não mais o personagem prostrado de despedaçado, mas aquele que admiramos, respeitamos e que é modelo de brasileiro para a nossa e as gerações deste e dos próximos séculos.

A Bahia não pode abandonar seu filho exemplar.

Viva, pois, Ruy Barbosa!

*Jornalista, produtor editorial e professor universitário. É 1º vice-presidente da ABI. [email protected]

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

Notícias

Jornalista Valber Carvalho lança biografia de Irmã Dulce

Pouco mais de um ano depois da canonização de Irmã Dulce, chega às mãos dos leitores a esperada biografia “Além da Fé – A vida de Irmã Dulce”, escrita pelo jornalista Valber Carvalho, membro do Conselho Consultivo da Associação Bahiana de Imprensa (ABI). A obra será lançada nesta quinta-feira (10), às 16h, no Shopping Barra, com tarde de autógrafos e música. O livro traz histórias e relatos inéditos de Santa Dulce Dos Pobres, resultado de um extenso trabalho de pesquisa do autor que realizou mais de 500 entrevistas e estudou 13 mil documentos para escrever a obra de 624 páginas, amplamente ilustrada com fotos, charges e reprodução de matérias de jornal. Exemplares estarão à venda no stand no L4 Norte, do dia do lançamento até o dia 24 de dezembro, durante todo o horário de funcionamento do shopping.

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“Milhares de documentos escritos foram lidos e catalogados, informações primárias oficiais – de dentro e de fora da Igreja – ou outras publicadas em jornais de todo o país, serviram para embasar as informações valiosíssimas de centenas de relatos orais gravados, muitos deles completamente inéditos”, ressalta no texto “Uma biografia da Santa Irmã Dulce”, publicado pela ABI. No artigo (leia aqui), o autor descreve o árduo percurso de produção da obra, o que motivou a escolha da personagem e revela algumas fontes. A surpresa neste lançamento fica por conta da capa do livro, que só será conhecida no dia do evento. O local escolhido para a tarde de autógrafos, o Shopping Barra, exibe em sua fachada a imagem de Santa Dulce, num painel especial assinado pelo artista Eduardo Kobra.

Para inspirar

Os leitores terão a oportunidade de saber um pouco mais da vida e da personalidade da primeira Santa da Igreja Católica nascida em solo brasileiro, como também conhecer o contexto histórico e econômico da Bahia e do Brasil nos principais acontecimentos que marcaram a sua trajetória. A biografia começa antes de seu nascimento, a partir da história dos antepassados da sua família, passando pela influência de seu pai Augusto Lopes Pontes, a vocação desde cedo para as causas sociais, a iniciação religiosa e os principais momentos de sua vida até o ano de 1952, quando o “Anjo Azul dos Alagados” tinha 39 anos. Os outros anos de sua história, serão contados no segundo volume a ser lançado. 

Para o autor, essa é uma obra que vai inspirar as pessoas, principalmente nessa época do ano, em tempos desafiadores. “As pessoas precisam conhecer a alma nobre de Irmã Dulce. Quanto mais descobrirmos sobre ela, mais vamos ser gratos por ter esse exemplo de amor e solidariedade na nossa história”, afirma Valber Carvalho.

Irmã Dulce morreu em 13 de março de 1992, aos 77 anos. A causa da Canonização de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro de 2000. Foi beatificada pelo Papa Bento XVI, no dia 10 de dezembro de 2010, passando a ser reconhecida com o título de “Bem-aventurada Dulce dos Pobres”. Em maio de 2019, o Vaticano anunciou que Irmã Dulce se tornaria santa, com a conclusão do processo de canonização no dia 13 de outubro de 2019.

Serviço:

Tarde de Autógrafos para lançamento do livro Além da Fé – A vida de Irmã Dulce, do jornalista e escritor Valber Carvalho

Quando: quinta-feira, 10 de dezembro, 16h

Onde: shopping Barra, piso L4 Norte