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Indonésia deporta equipe de reportagem da Rede Globo

O repórter Márcio Gomes e um cinegrafista da Rede Globo foram deportados pelo governo da Indonésia, de acordo com informação confirmada pelo setor de comunicação da emissora. No país para acompanhar a execução do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira (53) – condenado à morte e executado a tiros pelo crime de tráfico de drogas – dupla chegou a ser detida no sábado, 17, na cidade de Cilacap. Os profissionais foram liberados, mas os passaportes ficaram retidos. Autoridades da Indonésia afirmaram que eles entraram no país com visto de turista.

Leia também:Jornalista e cinegrafista da Globo têm passaportes apreendidos na Indonésia

Nesta segunda-feira (19), segundo a Globo, Gomes e o cinegrafista foram transportados pela polícia para a capital, Jacarta. O acompanhamento foi necessário porque eles estavam sem passaporte. Eles ficaram em um hotel onde aguardaram o voo para Tóquio, no Japão, onde Gomes atua como correspondente.O Itamaraty não quis comentar o caso. No sábado, a reportagem da Folha também foi ameaçada de deportação.

*Com informações da Folha de S. Paulo e Bem Paraná.

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MP quer impedir cobrança de direitos de transmissão para rádios na Copa

O Ministério Público Federal de Novo Hamburgo (RS) entrou com uma ação na Justiça Federal, nesta segunda (27), contra a cobrança dos direitos de transmissão da Fifa às emissoras de rádio na Copa do Mundo de 2014. De acordo com o órgão, a cobrança dos direitos restringe a liberdade de comunicação, pois fere “o direito à informação e expressão da cidadania por meio da comunicação social”. Segundo o autor da ação, o procurador público Celso Tres, as rádios que quiserem cobrir os jogos durante o Mundial a partir da transmissão da televisão (“off tube”, como é chamado), não podem ser cobradas por direitos de transmissão como as TVs, pois isso indicaria censura.

Foto: Folhapress

O MPF sustenta que a cobrança dos direitos de transmissão (arena/imagem) cerceia a liberdade da comunicação social, citando o precedente do Supremo Tribunal Federal, que extinguiu a Lei de Imprensa, precisamente sob o argumento que nenhuma restrição, mesmo de natureza pecuniária, ao exercício da comunicação social pode ser oposta em qualquer lei.

Para o procurador gaúcho, as emissoras de rádio foram efetivamente censuradas durante a Copa das Confederações. Tres pondera também que o futebol é patrimônio cultural brasileiro, sendo obrigatória a transmissão dos jogos da seleção em televisão aberta, gratuita, assim como nas rádios. “No Estado do Rio Grande do Sul, há apenas a Rádio Gaúcha credenciada. Mesmo pagando, houve restrições, negativa pura e simples de outorga, a exemplo das emissoras vinculadas à Record, organização adversária da Globo”, afirma o procurador, lembrando que na Copa das Confederações 2013 as rádios foram proibidas de produzir qualquer cobertura jornalística.

“Chegou-se ao absurdo de ser vedada qualquer referência noticiosa dos acontecimentos, traduzindo-se em censura sob a forma de cobrança, lembrando os sombrios anos de chumbo, ditadura padecida pelo Brasil a partir de 1964. Mesmo nesse período, a radiofonia esportiva exerceu livremente o jornalismo”, diz o texto do processo.

Faltará transmissão por rádio

A Fifa confirmou a lista de rádios que estão habilitadas a fazer a cobertura da Copa do Mundo, que será realizada no ano entre junho e julho no Brasil. Ao todo, são 21 emissoras no Brasil (duas na Bahia) adquiriram o direito de transmissão da competição. A maioria das rádios dispostas a pagar pelos direitos de transmitir o mundial está no estado de São Paulo (com cinco). Algumas sedes de jogos, como Brasília, Mato Grosso, Amazonas e Rio Grande do Norte não cadastraram sequer uma emissora.

As emissoras autorizadas adquiriram a permissão de transmissão junto à GloboSat (Rede Globo), que detém os direitos. De acordo com as informações, as cotas de transmissões custaram cerca de US$ 850 mil dólares (aproximadamente R$ 1,5 milhão de reais), quase o triplo do valor cobrado na última Copa do Mundo, em 2010, realizada na África do Sul. O valor total das vendas está na casa dos bilhões de reais.

A Fifa confirmou em seu site que a TV Globo além dos direitos da Copa de 2014, também é a detentora dos direitos de transmissão das Copas de 2018 na Rússia e 2022 no Catar, tanto para a TV aberta quanto para tv fechada, satélite, plataformas móveis e internet. A cobrança gerou revolta em algumas rádios brasileiras, a exemplo da Jovem Pan, que divulgou nota em que afirma que direitos de transmissão da Copa custam “uma fortuna”. “A faraônica quantia por emissora, para que as rádios brasileiras possam estar presentes e transmitir a Copa do Mundo em nosso país, talvez, seja para impedir que as emissoras possam fazer frente, mais uma vez, à própria TV Globo”.

Levantamento do Sindicato Nacional de Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) aponta o Brasil como o campeão de gastos com Copa em todos os tempos. Para reforma ou construção dos 12 estádios chegamos a R$ 8 bilhões (US$ 3,4 bilhões).

Para impedir que mais despesas sejam bancadas com recursos públicos pelos governos federal, estadual ou municipal, o MPF apresentou, em outubro, duas ações à Justiça para obrigar a Fifa a assumir as despesas correspondentes à transmissão por televisão da Copa do Mundo de 2014 e a montagem de estruturas provisórias para serviços de telecomunicações nos estádios. O órgão alega que a transmissão dos jogos e a montagem das estruturas de telecomunicações, com um custo de R$ 1,2 bilhão, não têm interesse público nem deveriam ser custeados pelo governo, como pretende a Fifa.

Lei Geral da Copa

A Lei Geral da Copa, aprovada em 2012 no Congresso Nacional, garante à Fifa o direito de cobrar pelas transmissões das partidas da Copa, em qualquer meio de comunicação. “A União, quem titula o serviço público de radiodifusão delegando-o às emissoras, sendo responsável pela liberdade de seu exercício, não pode, seja qual for o instrumento (legislação, ato administrativo, contrato patrocínio, direito de imagem-som/transmissão, financiamento, etc.) restringir a comunicação social”, diz o procurador, complementando que a União é quem contratou com a Fifa a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, assumindo todas as obrigações.

Nesta terça-feira (28), foi expedida a intimação para a Fifa e o Ministério do Esporte tomarem conhecimento da causa (o procurador incluiu ambos como réus na ação civil pública). Após correr o prazo para se manifestarem, caberá à 1 ª Vara Federal de Novo Hamburgo decidir se o pedido do procurador faz sentido ou não. A ação civil pública pode ser consultada na Justiça Federal através do protocolo nº 5002721-13.2014.404.7108

Com informações do MPF, Portal Imprensa e Portal Comunique-se.

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A verdade é dura. A Globo apoiou a Ditadura

Esta manchete tem origem nos cartazes dos recentes movimentos de rua que se espalharam por  quase todas as grandes e médias cidades do país. Lá estava mais que uma frase, uma advertência que calou fundo nas Organizações Globo. “A verdade é dura. A Globo apoiou a ditadura”. A pressão popular no mundo sensível da informação e da comunicação provocou senão acelerou um mea culpa em gestação  interna nas Organizações Globo.

Quase cinquenta anos depois o jornal O Globo faz um mea culpa pelo apoio ao movimento militar de 1964 que desaguou na ditadura por longos vinte e quatro anos. O mea culpa, certamente mais que um erro editorial, veio no bojo do Projeto Memória que relata os 88 anos do Globo, destacando especialmente a digitalização do jornal e uso de novas tecnologias.
Para dar ressonância ao mea culpa pelo apoio ao golpe  em editorial de 01/O9 e lastrear a envergadura do Projeto Memória,  o Globo entrevistou lideranças políticas e representantes da sociedade civil.  Além da relevância desta iniciativa no uso de tecnologias da comunicação, o mais importante foi o reconhecimento do jornal no apoio ao golpe militar de 1964, considerado um erro editorial do Globo, e assim dar um passo importante num acerto de contas com a História do país.

Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o reconhecimento do erro sobre o golpe de 64 foi “algo digno de aplauso”:

— Foi uma postura muito madura, admirável, do Globo, ao tocar numa questão importante sobre a trajetória do jornal e do país.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) acrescentou que usar a tecnologia para permitir o acesso ao conhecimento é um exemplo a ser seguido. Sobre o apoio ao golpe, disse que a abordagem do caso pelo jornal merece ser ressaltado:

— A revisão de conceitos engrandece a história do Globo.

Historiador, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) disse que aprendeu que os jornais são os diários da humanidade, e sua leitura é imprescindível.

— Mostrar o registro diário dos fatos do Brasil e do mundo, nesses 88 anos, com a tecnologia que hoje nos favorece, é uma coisa espetacular. Como fui preso em 1986, fui lá olhar o que o jornal dizia. Tenho um arquivo enorme de recortes de jornais, que agora vai começar a ser substituído — disse Alencar .

Acrescentou ainda que a iniciativa do GLOBO deveria servir de exemplo:

— Para que a “resposta ao clamor das ruas” não seja mero discurso, assim como O Globo reconhece o coro “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura” e admite que errou ao louvar o golpe que ano que vem completa meio século, as instituições políticas também precisam ouvir o “Não me representa” e mudar radicalmente de postura.

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), que militou contra a ditadura, acredita que o olhar crítico sobre o próprio passado tem um papel de relevância histórica. Para o senador, é importante o reconhecimento de erros em posições tomadas no passado.

— O Globo tem razão em reconhecer seu erro. Eu fui contra o golpe, então acho importante, depois dessa reflexão, o jornal ter concluído que foi realmente um erro ter apoiado uma sublevação militar contra um governo democraticamente eleito. Tem um interesse histórico nisso. Eu saúdo essa iniciativa — disse o senador.

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, também elogiou a postura do jornal ao comentar o golpe:

— O jornal tomou uma atitude corajosa ao admitir que cometeu um equívoco editorial. Algo que até hoje não foi feito por outros veículos de comunicação de expressão nacional, que também se manifestaram a favor dos militares.

Para o historiador Nereu Cavalcanti, o posicionamento do Globo sobre episódios do passado serve de lição permanente para a cobertura jornalística do presente e do futuro:

— É uma reflexão para que o jornal sempre que for tratar de questões que envolvam políticas de governos, seja União, estados ou municípios, também busque saber o que a sociedade pensa sobre os temas, não ficando apenas com o lado oficial.

No site Observatório da Imprensa,  o jornalista Alberto Dines salienta

“Impensável, mas aconteceu. Com destaque, solenidade e brio, sem justificativas mornas, dubiedades ou disfarces, o Globo, carro-chefe das Organizações Globo, o maior grupo de mídia do Brasil e um dos mais importantes do mundo, admitiu – depois de discussões internas que duraram anos – que o apoio ao golpe militar de 1964 foi um equívoco. Também o apoio à ditadura que se seguiu ao longo dos 21 anos seguintes. Não foi a única confissão. O jornal também reconheceu a tíbia cobertura das Diretas Já resultou de um erro de avaliação político-jornalístico. Porém contestou as acusações de ter conspirado para derrubar Getúlio Vargas em 1954 e de tentar a manipulação dos resultados da eleição de Leonel Brizola para o governo do Rio, em 1982 Não foi a única confissão. O jornal também reconheceu que a tíbia cobertura da campanha (Caso Proconsult).

O jornal pretendia lançar o Projeto Memória meses atrás, antes dos protestos de junho, mas assume que o clamor das ruas veio provar que o reconhecimento do erro era necessário. “A lembrança [do apoio aos militares] é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História”.

Abaixo o editorial do jornal o Globo sobre o erro editorial

Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro

Reproduzido do Globo.com, 31/8/2013

Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.

Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.

Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.

Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.

Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.

De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:

Fontes: O Globo 01/09/2013 – Dines, Alberto. Observatório da Imprensa, ed. 03/09