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Panorama ‘Coisa de Cinema’ homenageia Walter da Silveira

Um dos maiores pensadores do cinema na Bahia, Walter da Silveira será homenageado durante o XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro, nos municípios de Salvador e Cachoeira. O crítico baiano, que via o cinema como fato cultural desde a década de 1940, celebraria seu centenário em 2015 e será lembrado através de uma programação especial, com o Seminário 100 anos de Walter da Silveira e com a mostra Matinê Clube de Cinema da Bahia. Em Salvador, os filmes serão apresentados no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha. Já em Cachoeira, serão exibidos Cine Theatro Cachoeirano.

Walter da Silveira começou a escrever sobre cinema com apenas 12 anos de idade. Eram comentários e informações sobre os filmes que entravam em cartaz, publicados no jornal O Imparcial, onde seu pai trabalhava. Aos 20 anos, em 1936, escreve sua primeira crítica, sobre “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin. Já nos anos 40, o filósofo do cinema brasileiro antecipou pensamentos que só ocupariam o centro dos debates cinematográficos dez anos depois. Na avaliação do jornalista e sociólogo Gilberto Vasconcelos, “nenhum outro intelectual brasileiro refletiu com tanta intensidade sobre a posição que ocupa o filme na sociedade contemporânea”.

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A sessão de abertura do Panorama acontece na próxima quarta (28), às 20h. Depois da exibição do filme “Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado, está programada uma conversa entre o diretor e os atores Lázaro Ramos, Kaique de Jesus e Elzio Vieira e o produtor Fabiano Gullane. Os filmes serão exibidos em sessões seguidas por debates entre os realizadores e o público. Além das produções baianas, o evento reúne filmes do Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Paraná, todas em primeira exibição no estado.

Mostra competitiva – De acordo com o cineasta Cláudio Marques, idealizador do “Coisa de Cinema”, quatorze filmes produzidos na Bahia participam das mostras competitivas, que chega ao fim no dia 4 de novembro. São três longas-metragens e 11 curtas, com diversas linguagens. O diretor destaca que incentivos do governo federal, como os editais para produção de filmes, aumentaram o número de filmes feitos no Brasil nos últimos 20 anos. Em 1995, foram lançados 14 longas brasileiros, contra os 120 lançados em 2014. Mas, ele criticou o momento do setor no estado e o relacionou à falta de financiamento. “A produção baiana está muito tímida, nossa participação é muito pequena, muito aquém do nosso potencial”, opinou em entrevista ao site Bahia Notícias. Um dos motivos para isso seria a falta de olhar do poder público do estado para as produções audiovisuais, pois, segundo ele, a pequena produção baiana não dá conta das possibilidades que o estado tem.

Confira a programação de Salvador: http://bit.ly/1QNefRz

Confira a programação de Cachoeira: http://bit.ly/1Gf6bZC

Serviço
XI Panorama Internacional Coisa de Cinema
Quando: De 28 de outubro a 04 de novembro
Onde: Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha (Salvador) e Cine Theatro Cachoeirano (Cachoeira).

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ABI é homenageada na ALBA pela atuação em defesa das liberdades democráticas

Para lembrar os 85 anos da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), comemorados em 17 de agosto, a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) recebeu, na manhã desta quinta-feira (8), diretores da entidade, autoridades, jornalistas, representações políticas, culturais e movimentos sociais, que lotaram o plenário do Palácio Dep. Luis Eduardo Magalhães, no CAB. A sessão especial conduzida pelo presidente da ALBA, deputado Marcelo Nilo, destacou a atuação da ABI em defesa da liberdade de imprensa e de expressão, e a importância da atividade jornalística para a manutenção da democracia.

“É uma honra para a ABI ter a chance de completar 85 anos sendo homenageada pelo Poder Legislativo. A consciência de que, sem imprensa, não há democracia tem que ser mantida e alimentada o tempo inteiro”, defende o presidente da ABI, Walter Pinheiro. O dirigente lembrou episódios em que foi decisiva a atuação dos jornalistas, como nos recentes casos de corrupção, em que a produção jornalística teve destacado papel na garantia da transparência.

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Diretores da ABI – Foto: Joseanne Guedes/ABI

Para o dirigente, é uma data importante não apenas para a entidade da qual ele é integrante desde 1986, mas para toda a sociedade. “A ABI está atenta ao cenário que se apresenta e temos a doce esperança e otimismo de acreditar nas potencialidades do nosso país”. Ele reforçou o compromisso da ABI no combate a qualquer ato que compreenda censura ou possa impedir os profissionais da comunicação de exercerem a atividade.

Neta de Demócrito Gomes de Carvalho, ex-dirigente da Associação Tipográphica da Bahia, a deputada estadual Fabíola Mansur foi responsável por articular a homenagem à ABI. Em um discurso contundente, a parlamentar parabenizou a entidade que se manteve atuante, mesmo quando o direito à informação esteve na mira do poder econômico ou político. “Sem imprensa livre, muitos problemas da sociedade seriam invisíveis. Quando, muitas vezes, o Estado não chega, o jornalista está lá”. A parlamentar elogiou a postura da ABI quando da retratação pública da instituição sobre suas omissões no período da ditadura. “Um gesto de grandeza”.

No papel de orador, o jornalista e pesquisador Nelson Varón Cadena reconstituiu a linha do tempo da ABI. Ele é autor do levantamento histórico da instituição, através das atas de diretoria e outros documentos, e prossegue estudando o tema. Segundo o historiador, a ABI não foi mais atuante no enfrentamento dos regimes ditatoriais porque as circunstâncias não permitiam. Cadena ressalta que a ABI atuou de forma protocolar, como as demais associações de imprensa do país.

“Na ditadura Vargas, fez ofícios e diligências junto aos interventores, solicitando a revogação da prisão de jornalistas e também solicitando o fim das penalidades que impediram a circulação por períodos de O Imparcial, Diário de Notícias e A Tarde”. Ainda nesse período, de acordo com o pesquisador, a entidade pediu ao Ministério da Justiça para apurar as circunstâncias do empastelamento do jornal A Cachoeira. “Na ditadura militar, atuou de igual forma. Mas, condenou o atentado de abril de 1965 ao O Estado de São Paulo e se manifestou contra a Lei de Imprensa de 1967”.

O presidente Walter Pinheiro esteve acompanhado do presidente da Assembleia Geral da ABI, Samuel Celestino, e dos diretores da entidade: Luís Guilherme Pontes Tavares, Raimundo Marinho, Pedro Daltro, Valter Lessa, Romário Gomes, Agostinho Muniz, Antonio Matos, Luiz Hermano Abbehusen, Nelson de Carvalho e Antonio Jorge Moura. A sessão foi prestigiada pelo governador em exercício, João Leão; secretário de Comunicação, André Curvello; a diretora da Faculdade de Comunicação, Susana Barbosa; a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia, Marjorie Moura; desembargador Lindivaldo Brito; presidente da Academia de Letras da Bahia, Joaci Goes; presidente da Associação Comercial da Bahia, Luiz Fernando Queiroz; presidente da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo.

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Sessão especial na ABI homenageia cineasta Guido Araújo

Uma sessão especial realizada na tarde desta quarta (7) homenageou o diretor de cinema e professor aposentado da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Guido Araújo. A Sala de Exibição Cinematográfica Roberto Pires, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), recebeu pesquisadores, professores da UFBA e representantes da Secult, para a exibição do curta “Feira da Banana” (1972/73) – um dos filmes do cineasta que formam a trilogia do recôncavo. Depois da sessão, foi promovida uma mesa redonda, com a presença de Guido. O evento, que foi apoiado pela ABI, é uma iniciativa da professora da UNEB, Izabel de Fátima Cruz Melo, e da professora Laura Bezerra, coordenadora do Cineclube Guido Araújo, que funciona no Cecult-UFRB, no Campus de Santo Amaro.

A professora Izabel de Fátima Cruz ressaltou a trajetória de Guido na cultura cinematográfica baiana, especialmente no tocante à Jornada e sua contribuição no debate cultural baiano e brasileiro dos anos 70, como porto seguro para diretores, críticos e todas as pessoas interessadas em cinema. “A jornada também era um espaço de resistência cultural durante a ditadura militar, abrigando debates e filmes que dificilmente seriam exibidos em outros espaços”. Para ela, “Feira da Banana” funciona como um registro antropológico da região do recôncavo nos anos 72/73, pelas características econômicas e culturais abordadas pela obra.

Guido Araújo reflete sobre as circunstâncias de produção do curta "Feira da Banana" - Foto: ABI
Guido Araújo reflete sobre as circunstâncias de produção do curta “Feira da Banana” – Foto: ABI

Há mais de cinco décadas lutando e contribuindo para a afirmação da cultura na Bahia e no Brasil, Guido Araújo é uma força viva do cineclubismo e do cinema nacional. Sua trajetória foi iniciada em junho de 1950, quando participou da primeira sessão do Clube de Cinema da Bahia, cineclube fundado por Walter da Silveira. Formador de gerações de cineastas baianos, Guido Araújo idealizou e sustentou por 39 edições a Jornada Internacional de Cinema da Bahia, que se tornou um dos acontecimentos cinematográficos mais importantes do país, dando visibilidade aos filmes de curta metragem e às produções locais.

Durante o debate, Guido falou sobre as circunstâncias de realização de “Feira da Banana” e destacou a participação do fotógrafo, professor, produtor e diretor de cinema Thomas Farkas (1924-2011), um dos pioneiros da moderna fotografia do Brasil. Ele lembrou que, no período da ditadura, muitas reuniões da Jornada eram realizadas na ABI e reforçou sua relação com a entidade. “Eu tenho uma ligação muito grande com a Associação, praticamente desde a sua fundação. Também tive participação na aquisição da biblioteca de Walter da Silveira, na época da gestão de Jorge Calmon. É uma honra ser homenageado aqui”.

Ativo e participante, o cineasta destacou a importância de reconhecer as pessoas enquanto elas estão vivas. “É muito mais difícil se fazer um trabalho de pesquisa depois que a mola propulsora já faleceu. Eu acho importante e fico grato pela oportunidade. Espero ainda ter forças e memória para ajudar a muitos outros pesquisadores que procuram resgatar o meu trabalho, ao longo desses 50 anos aqui na Bahia”.

Sinopse “Feira da Banana” – Na margem esquerda do rio Jaguaribe, que atravessa a cidade baiana de Nazaré, tem lugar as quartas feiras a tradicional Feira da Banana. Neste dia da semana, Nazaré se transforma num entreposto de banana de todo o Recôncavo. O escoamento da mercadoria para a capital do Estado é feito em saveiros, que em números de algumas dezenas partem carregados do porto fluvial de Nazaré, com destino a Salvador. O aspecto geoeconômico da cultura da banana na região, sua comercialização e transporte para o mercado consumidor. Maior destaque é dado ao processo de mutação nos meios de transporte, com a chegada do ferry-boat e o surgimento de novas rodovias, ameaçando o saveiro na sua função econômica e a própria existência da Feira da Banana. (Resumo de Embrafilme/Arquivo CGV).

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ABI recebe homenagem da Assembleia Legislativa na manhã desta quinta (8)

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) será homenageada pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), nesta quinta (8), em alusão ao aniversário de 85 anos da entidade, comemorados no dia 17 de agosto. A sessão especial será realizada às 9h30, no Palácio Dep. Luis Eduardo Magalhães. Para o presidente da ABI, Walter Pinheiro, é um momento de relembrar todos os importantes integrantes da história dessa instituição que surge em 1930, exatamente para lutar pelas liberdades de expressão e de imprensa, e zelar pelo respeito às leis estabelecidas. “Quando a Assembleia Legislativa, que é o poder que vem do povo, presta a homenagem a ABI, nós nos sentimos também avalizados por essa manifestação popular. Isso é a causa de todo o orgulho, toda a honra e alegria que sentimos”. O jornalista e pesquisador Nelson Varón Cadena será o orador convidado. Ele é autor de levantamento histórico da instituição e prossegue estudando o tema.

Foto_Joseanne Guedes/ABI
Sede da ABI, na Praça da Sé

Walter Pinheiro reforça o compromisso da entidade na luta para que a verdade, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e os direitos humanos se mantenham vivos. “Evidente que envolve todos aqueles que já passaram pela ABI e que estão na ABI. Pessoas marcantes, como foram seus fundadores e presidentes”. De acordo com o presidente, reeleito para mais um biênio, a instituição se mostra mais amadurecida, fortalecida e consciente da importância do seu papel histórico na consolidação da democracia no país.

Integrante da diretoria desde 1986, ele esteve à frente da Tesouraria até ser eleito presidente em 2011 e assegura que permanece “preocupado com o combate a qualquer ato que compreenda censura ou possa caracterizar garroteamento aos profissionais da comunicação em expressar suas opiniões”. Ele enfatiza que a função da ABI funciona como “um baluarte, tanto na defesa dos jornalistas quanto da cidadania e do Estado como um todo”.

A solenidade é fruto da articulação da deputada Fabíola Mansur, que destaca a natureza democrática da ABI, segundo ela, uma instituição “nascida em ambiente politicamente conturbado e reconhecida nacionalmente por levar destacado conteúdo jornalístico ao leitor baiano”. A parlamentar explica que o objetivo é valorizar a contribuição da ABI, para que a história de luta da instituição não seja esquecida. “Quando se instaurou no Brasil um estado de sítio, a ABI manteve-se sempre nas trincheiras contra a opressão e a censura”.

Ela distingue dirigentes, como o ex-presidente Samuel Celestino, que não se calaram, mesmo quando o direito à informação esteve na mira do poder econômico ou político. “O atual presidente da entidade, o jornalista Walter Pinheiro, vem dando uma enorme contribuição ao jornalismo baiano, também fazendo jus à história da instituição, com uma postura altiva, engajado na defesa da democracia”, conclui.

*Com informações da Tribuna da Bahia e Ascom/Fabíola Mansur