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Emiliano José lança livro autobiográfico no Congresso da UFBA

Um mergulho nos tempos do terror. Talvez seja esta a melhor definição de “O cão morde a noite”, décimo quinto livro do jornalista e escritor Emiliano José. São mais de 400 páginas, onde a ditadura militar, nascida em 1964, aparece de corpo inteiro, com prisões, torturas, o arbítrio em estado puro. O livro publicado pela Edufba, editora da Universidade Federal da Bahia, tem prefácio assinado pelo filósofo João Carlos Salles, reitor da instituição de ensino. O lançamento ocorre virtualmente, durante o Congresso da UFBA, nesta terça-feira (23), às 16h30, com participações de Salles, dos jornalistas Adilson Borges e Mônica Bichara, e do próprio autor. O evento abre o 31º Festival de Livros e Autores da UFBA. (Confira ao vivo pelo canal da Edufba no Youtube)

Escrito em primeira pessoa, a obra se diferencia dos outros 14 livros já publicados pelo escritor, autor de muitas biografias: Carlos Lamarca, Carlos Marighella, padre Renzo Rossi e a última, sobre Waldir Pires, em dois volumes. Mas, apesar de ser autobiográfica, está longe de ser relato exclusivo da vida do autor. “É uma outra natureza. Nesse 15º livro, eu inauguro um caminho de falar em primeira pessoa, e de revelar-me mais, segundo as minhas memórias e lembranças. É diferente de todo o resto que produzi até hoje, e onde portanto abro o coração. Falo aquilo que penso e dialogando permanentemente com o leitor, numa espécie de roda de conversa à beira de fogueira lá no sertão”, adianta Emiliano José.

Segundo ele, esse livro dá a chance de o leitor conhecer o autor. “Tento revelar mais da minha subjetividade. Revelo rapidamente um bocado da minha formação teórica, de como nasceu a minha militância política, de como eu era um cristão conservador e passar à militância revolucionária a partir de certas influências. O leitor agora vai conhecer mais o autor dos 14 livros anteriores, conhecer também a minha família, suas desditas e suas belezas”, destaca o jornalista.

Um livro em transe

“O cão morde a noite” não aborda apenas a década de 60, ele invade a década de 70, que é quando Emiliano é preso e solto, em finais de 1974. “Eu analiso esse período, um período duro, de terror, do AI-5, período em que o filho chorava e a mãe não via, e que vai de 13 de dezembro de 1968 até a assunção do general Ernesto Geisel, que assume em 1974, com a promessa da distenção lenta e gradual, mas no entanto continua a matar”, conta Emiliano. Para o autor, seu mais novo livro relata e recorda tanto os sonhos, esperanças e utopias de uma geração quanto o terror, a ditadura, as mortes, as prisões, os sequestros e os desaparecimentos. “É um livro que toca numa ferida, a existência de uma ditadura que não podemos esquecer e cujo espectro nos ronda até hoje, não só pelas lembranças em todos nós sobreviventes, mas pelas posições declaradas desde a campanha pelo atual presidente, um admirador da morte, da tortura e da ditadura”, observa.

“O texto de Emiliano é com um tecido em transe, corpos correndo, corpos sendo afogados, sangue no pulso e na boca. Grito e silêncio. Transe. O trato feito consigo mesmo de nada delatar é como um pacto com a história, e ora se afirma, ora se vê desafiado. No caso de Emiliano, nunca se afrouxa. Morto, vivo, desmaiado, acordado – transe. Como tudo tem nome, tem data, no texto cinematográfico de Emiliano!”, elogia João Carlos Salles.

“É como se ele pudesse nos reconstituir cada cena e cada personagem chamando-as pelo nome. Em alguns momentos, tão intensa a trama e a narrativa que chegamos a sentir-lhes o cheiro. Esse livro, então, assim meio em transe, como um filho de cinema novo, como um Corisco que não se entrega, é um canto que marca muros e mentes, assim como um dia, em Salvador (e em parte, para protegê-lo, tornando pública sua prisão), apareceu a pichação ‘Liberdade para Emiliano’.”, registra o reitor no prefácio.

Serviço

Lançamento do livro “O cão morde a noite”

Dia 23/02 (terça-feira), às 16h30

Congresso Virtual UFBA 2021

Ao vivo pelo canal da Edufba no Youtube (clique aqui)

>> JOSÉ, Emiliano. O cão morde a noite / Emiliano José. – Salvador: EDUFBA, 2020. 426 p.

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Emiliano José é o novo imortal da Academia de Letras da Bahia

O jornalista Emiliano José é o mais novo imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB). Eleito pelos pares na quinta-feira (10) por maioria absoluta, com 21 votos e cinco em branco, ele irá ocupar a cadeira de número 1, que pertencia ao historiador Luís Henrique Dias Tavares. Reconhecido pelos acadêmicos por sua trajetória e obra, Emiliano José conta que, desde a indicação, sente-se comovido e honrado.

Aos 74 anos de idade e com 16 livros publicados, Emiliano acredita que foi o jornalismo que o gabaritou para assumir a posição. A profissão, que virou “uma paixão permanente”, serviu de ponto de partida para a escrita e, por isso, ele sente que deve dividir o reconhecimento com os colegas. “Quem chega à Academia, neste caso, são os jornalistas junto comigo. Esse é um reconhecimento de minha trajetória como homem da palavra e da escrita, não está em causa o parlamentar ou nada disso, mas a minha tradução das palavras como homem da escrita”, afirma.  

Obra reconhecida
Emiliano, que já participou de muitas eleições na vida, conta que a da ALB foi completamente diferente. “Não precisei brigar”, brinca. O jornalista revela que, dos bastidores à formalização da candidatura, o principal esforço foi do arquiabade do Mosteiro de São Bento, dom Emanuel d’Able do Amaral, também membro da Academia. De acordo com Amaral, o nome de Emiliano já vinha sendo cogitado dentro da ALB e a candidatura se fortaleceu pela importância da obra do jornalista. 

“O livro sobre o Padre Renzo, de Florença, por exemplo, que visitava os cárceres; ou a biografia de Waldir Pires, que eu fiz a orelha, também é excelente. Emiliano preencheu uma lacuna da história política contemporânea com muitos detalhes da ditadura que as pessoas não sabem e a história oficial não conta”, destaca dom Emanuel. Segundo Emiliano, outras possíveis candidaturas foram retiradas com sua indicação, tornando-se candidato único para o pleito. 

Quem também acreditou na trajetória de emiliano foi o professor, poeta e jornalista Florisvaldo Mattos. Ocupante da cadeira 31 da ALB, Mattos é um dos votos declarados em Emiliano. “Por ele ser jornalista, pela sua qualidade como profissional, e, como escritor, ser o biógrafo do ex-governador Waldir Pires”, justifica. 

Emiliano é um dos maiores intelectuais na historiografia política contemporânea da Bahia, senão o maior.

Luís Antonio Cajazeiras Ramos, poeta

Legado e continuidade
Já Luís Antonio Cajazeira Ramos vê semelhança nas trajetórias do jornalista e do seu antecessor na cadeira de número 1. Ele defende que a escolha do jornalista honra o legado de Luís Henrique Dias Tavares. “Lamentamos muito o falecimento de Luís Henrique, mas é de uma felicidade ímpar ele ser substituído por Emiliano, ambos são homens originalmente de esquerda, da comunicação, da história, foram presos políticos da ditadura, tem muita coisa parecida em suas trajetórias”, afirma o poeta. 

Filho de Luís Henrique Dias Tavares, o vice-presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Luís Guilherme Pontes Tavares, concorda que Emiliano é um nome de peso para ocupar a cadeira, mesmo revelando não ter nenhuma preferência antes da indicação. Ele conta que, assim que houve o anúncio do resultado da eleição, Emiliano procurou sua família em um ato de respeito e solicitou informações e livros para o discurso de posse, entre eles a última edição de História da Bahia e o livro Sedição Intentada na Bahia em 1798, escritos por seu pai.

“Além de ambos cultivarem o diálogo de longo prazo, o professor [Luís Henrique] era eleitor de Emiliano. Ambos são jornalistas, professores e pesquisadores e têm uma obra voltada para a história (um para a história contemporânea, o outro para a história da Bahia). O outro ponto de convergência, e que dá um sentido de continuidade, é o compromisso com a liberdade. Emiliano tem o compromisso com o povo e o respeito ao povo”, avalia Luís Guilherme. Emiliano afirmou que ocupar a cadeira deixada pelo historiador Dias Tavares, morto em  junho deste ano, é motivo de honra e de responsabilidade.

Orgulho da Bahia
Embora tenha nascido no estado de São Paulo, Emiliano é sobretudo um jornalista baiano. Aos 28 anos de idade, lembra ele, chegava como ‘foca’ no jornal Tribuna da Bahia, sua primeira casa, anos depois de deixar a prisão no período da ditadura. Suas contribuições para a área, no entanto, não têm fronteiras. É o que acredita Ernesto Marques, presidente da ABI. “Sua produção literária no campo acadêmico compõe uma bela contribuição para o jornalismo brasileiro por trazer reflexões preciosas sobre o papel da comunicação”, pontua.

Ernesto lembra que a decisão da ALB ocorre em um momento oportuno. “A poucos meses do cinquentenário do assassinato de Lamarca, em solo baiano, a eleição do autor de O Capitão da Guerrilha, escrito em parceria com Oldack de Miranda, é um justo reconhecimento ao seu valor como escritor e uma prova de vitalidade e contemporaneidade da Academia de Letras da Bahia”, afirma.

Hoje aposentado, Emiliano é responsável pela formação de gerações de jornalistas e escritores baianos, por sua atuação de mais de 20 anos na Faculdade de Comunicação da UFBA (Facom). Entre os alunos e alunas está a jornalista Suzana Barbosa, atualmente diretora da unidade. “Emiliano é um motivo de orgulho para a Facom e para a UFBA, sempre foi muito presente e atuante na instituição. Formado pela antiga EBC [Escola de Biblioteconomia e Comunicação], ele também fez seu mestrado e doutorado no programa de pós-graduação da Faculdade de Comunicação”, lembra Suzana. “Essa indicação só nos mostra essa figura comprometida que é Emiliano, com sua trajetória no jornalismo e na militância, a favor da democracia e com obras de referência para a nossa história atual”, completa a diretora da Facom. 

Emiliano no lançamento da Biografia do colega Waldir Pires | Foto: Divulgação

‘Eu escrevo todos os dias’
Breve, será possível conhecer mais capítulos da história de Emiliano contada por ele mesmo. O escritor revela que “já está rodando” a editoração de O Cão Morde a Noite, livro autobiográfico que escreveu e que conta com prefácio do reitor da UFBA, João Carlos Salles. Ainda sem data definida de lançamento, a obra é de responsabilidade da Edufba com apoio da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O jornalista diz que já prepara a sexta edição de Galeria F: Lembranças do Mar Cinzento, uma série dedicada às histórias e aos personagens que sofreram à ditadura brasileira. 

Atento aos novos tempos, Emiliano também escreve em seu perfil do Facebook uma série #MemóriasJornalismoEmiliano, contando bastidores, histórias e perfilando profissionais da imprensa baiana. “Eu escrevo todos os dias”, revela Emiliano. 

História de escrita e luta
Além de jornalista e escritor, Emiliano é reconhecido por sua atuação política. Emiliano foi militante estudantil, chegou a ser preso político na ditadura, período em que escreveu Memórias do Mar Sem Fim. Filiado ao Partido dos Trabalhadores, também vivenciou à política assumindo mandatos como vereador por Salvador, deputado estadual e federal. É biógrafo com livros publicados sobre Carlos Marighela e Carlos Lamarca e, em 2019, lançou o segundo volume de sua biografia do colega Waldir Pires pela Edufba. 

*Colaborou Simone Ribeiro

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Emiliano José lança segundo volume da biografia de Waldir Pires

Pouco mais de um ano depois do lançamento do primeiro volume, o jornalista e escritor Emiliano José entrega ao público a obra “Waldir Pires, Biografia –Volume 2”, fruto de cerca de sete anos de pesquisa e entrevistas. O novo livro será lançado no dia 15 de agosto, às 17h, no Palácio Rio Branco (Centro). “A partir de 17h, eu estarei lá autografando”, avisa Emiliano José. Em entrevista à Associação Bahiana de Imprensa (ABI), o autor disse que a importância da biografia de Waldir está relacionada à luta pela democracia no Brasil.

“Porque ele é um exemplo de extraordinário combatente pela democracia. Ele insistia nisso não só como regime de eleições, mas como regime que garante, sustenta e luta pela igualdade entre as pessoas”, afirma o jornalista. Emiliano falou sobre a experiência de escrever sobre o político falecido em junho de 2018, aos 91 anos, após parada cardiorrespiratória. “Uma honra retratar essa trajetória de vida extraordinária, uma missão de homem que amava o povo baiano, o povo brasileiro, que amava a humanidade. Ele tinha ideais muito elevados”, falou, emocionado.

Emiliano também refletiu sobre o atual panorama político brasileiro. “Vivemos um momento em que precisamos de homens assim, momento de muita dificuldade, supressão de direitos e liberdades no Brasil, com o novo governo que se instala no ano passado e vem na esteira do golpe de 2016”, analisa. “Waldir era um homem necessário para esta conjuntura e infelizmente nós o perdemos”, destaca Emiliano.

Para ele, o lançamento é parte desse processo. “É o momento de congregar pessoas com esse espírito de luta pela democracia. Essa luta implica diversidade, multiplicidade de visões, de pensamentos e olhares. Waldir sempre insistiu nisso”, conclui. Em junho do ano passado, a diretoria da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) aprovou uma moção de congratulação a Emiliano José, pelo trabalho que conta a história de um dos políticos mais influentes do Brasil.

Volume 2 – A primeira parte do livro aborda o nascimento em Acajutiba e segue até o fim da jornada de Waldir Pires no Rio de Janeiro e retorno à Bahia vindo do Rio de Janeiro, em 1978, com o fim da vigência do Ato Institucional nº 5. Já o segundo volume, a ser lançado no próximo dia 15, conta a partir de 12 de janeiro de 1979 e descreve a caminhada de Waldir Pires na resistência democrática, a ousadia da candidatura ao Senado em 1982. Retrata a construção do PMDB, a campanha das Diretas Já, a vitória eleitoral em 1986, a polêmica renúncia. Relata também a eleição a deputado federal em 1990, pelo PDT, a filiação ao PT, sua reeleição a deputado federal e fim da carreira política, com seu mandato de vereador.

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Jornalista Emiliano José lança biografia de Waldir Pires

Depois de quase seis anos de pesquisa e entrevistas, o jornalista e escritor Emiliano José lança um novo livro, nesta quinta-feira (14), às 17h, Palácio Rio Branco (Centro). A obra “Waldir Pires, Biografia – 1º volume” retrata desde o nascimento do político baiano, em 1926, até seu retorno à Bahia vindo do Rio de Janeiro, em 1978, com o fim da vigência do Ato Institucional nº 5. “Escrevo sobre a longa experiência de um político de impressionante coerência democrática”, destaca Emiliano.

Na manhã de hoje (13), a diretoria da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) aprovou uma moção de congratulação a Emiliano José, pelo trabalho que conta a história de um dos políticos mais influentes do Brasil. Emiliano agradeceu aos diretores e, em entrevista à ABI, disse que se “sente muito honrado com o gesto de reconhecimento”. O jornalista adiantou que o segundo volume da biografia já foi enviado para edição.

Volume 1 – Nessa primeira parte, a linha do tempo é iniciada em Acajutiba, segue por Amargosa, Nazaré das Farinhas, Colégio Central e Faculdade de Direito, na turma de 1949. O livro traz conta a história de Waldir Pires (91) como secretário do governo Régis Pacheco, aos 24 anos de idade; deputado estadual em 1954, federal em 1958; candidato ao governo da Bahia em 1962; professor da UnB; Consultor geral do governo Goulart; além da época do golpe de 1964, a fuga, o exílio e o retorno ao Rio em 1970, em plena ditadura Médici.

Já o segundo volume, que vai de 1979 aos dias atuais, descreve a caminhada de Waldir Pires na resistência democrática, a ousadia da candidatura ao Senado em 1982, ao lado de Roberto Santos, candidato ao governo da Bahia com Rômulo Almeida, como vice. Retrata a paciente construção do PMDB, a campanha das Diretas Já, Tancredo Neves, a vitória eleitoral em 1986, a polêmica renúncia. Descreve a eleição a deputado federal em 1990, pelo PDT, a fraude na apuração da disputa ao Senado em 1994, a saída do PSDB que caminhou para a direita, a filiação ao PT e sua reeleição a deputado federal. Será ministro da Previdência com Sarney, titular da Controladoria Geral da União e ministro da Defesa com Lula. A história política de Waldir Pires termina com seu mandato de vereador, em 2016.

*Com informações do site Bahia Já.

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