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Um ano após morte de cinegrafista da Band, esposa e filha cobram justiça

DEU NO PORTAL IMPRENSA – Um ano após a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, completado na última segunda-feira (9/2), a esposa e a filha pedem que a justiça seja feita para honrar a memória do profissional. Enquanto isso, a defesa dos acusados tenta acelerar o julgamento de pedidos de liberdade provisória. De acordo com o G1, Arlita Andrade, esposa do repórter cinematográfico, relatou que, dias antes de ele ser atingido pelo rojão, ambos conversaram sobre doação de órgãos. “Eu comentei que doaria meus órgãos em caso de morrer. Ele riu e falou: ‘Quem sabe eu vou embora antes de você?'”, relembrou. Os órgãos de Santiago salvaram cinco vidas. Arlita diz que continua em contato com ele. “Eu falo como foi meu dia, conto como está a vida. E ele sempre responde. Tenho essa comunicação com ele. E sei que ele está lá de cima, filmando a gente”, declarou.

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Vanessa Andrade, a filha de Santiago, afirma que nunca trata o pai no passado. “Ele está sempre presente comigo, acordo pensando nele e converso sempre com ele”, relata. Também jornalista, ela cobra a punição dos envolvidos: Caio Silva de Souza e Fábio Raposo. “Os dois são assassinos e têm que responder por isso. Que pessoas são essas que dizem que defendem os meus direitos mas escondem o rosto?”, questionou durante a reinauguração da creche Cruzada pela Infância do Leme, na zona sul do Rio de Janeiro (RJ).

Na cidade, uma rua em Itaipuaçu, na Região dos Lagos, e uma Nave do Conhecimento da prefeitura em Triagem, zona norte, foram batizadas com o nome do cinegrafista. Caio e Fábio estão detidos desde fevereiro de 2014 no Complexo de Gericinó, zona oeste do RJ. Uma decisão de setembro da 3ª Câmara Criminal determinou que ambos irão a júri popular, em data ainda não definida.

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Cinegrafista palestino morre durante ataque à Faixa de Gaza

DEU NA ABI – Associação Brasileira de Imprensa

Por Igor Waltz*

Um repórter cinematográfico palestino morreu neste domingo, 20 de julho, junto ao motorista de uma ambulância, em um bombardeio israelense contra o bairro de Shahiya, um dos mais populosos da Faixa de Gaza. Khaled Hamad é o primeiro jornalista morto desde o início da ofensiva à região, no dia 8 de julho. De acordo com um oficial de saúde palestino, Hamad, de 25 anos, morreu enquanto cobria as operações do Exército israelense. Ele trabalhava como freelancer para a Continue TV Production, segundo informações do Sindicato Palestino de Jornalistas (PJS, na sigla em inglês), e vestia um colete claramente identificado como “Press”. O PJS também informou que outro jornalista, Kareem Tartouhi, foi ferido em outro ataque, e que a casa de terceiro jornalista, Mahmoud al-louh, que trabalha para a estação de rádio Al-Ashab, foi bombardeada.

Khaled Hamad vestia um colete claramente identificado como “Press” - Foto Reprodução/islamic invitation
Khaled Hamad vestia um colete claramente identificado como “Press” – Foto: Reprodução/islamic invitation

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) condenou a morte do cinegrafista. “Enviamos nossas condolências aos familiares, amigos e colegas de Khaled Hamad, que foi morto enquanto fazia o seu trabalho para garantir que a verdade é dita”, disse o presidente da entidade, Jim Boumelha, por meio de nota. “O que estamos vendo em Gaza é chocante e horrível. Jornalistas devem ser autorizados a informar o que está acontecendo e não serem alvejados pelos militares por fazerem seu trabalho. Apelamos a Israel para parar os ataques imediatamente”, completou.

Ofensiva

A morte de Hamad aconteceu poucas horas depois que o governo israelense enviou uma mensagem aos jornalistas nos quais lhes advertia que não se responsabiliza da segurança dos comunicadores estrangeiros que estejam no interior de Gaza. O aviso chegou ao mesmo tempo que o Exército israelense decidiu ampliar sua incursão terrestre na região, onde intensificou seus bombardeios por terra, mar e ar. “Gaza e as áreas próximas são um campo de batalha. Cobrir as hostilidades põe os jornalistas em risco para suas vidas”, explicou uma nota. “Em nenhum caso, Israel é responsável por ferimentos e pelos danos que possa acontecer como resultado de informar no terreno”, acrescentou.

Mais de 500 palestinos, a maioria, civis, e 20 israelenses, sendo 13 soldados, morreram desde o começo do conflito. Um veículo identificado como sendo de imprensa já havia sido atingido por um projétil israelense, o que resultou na morte do motorista. Oito pessoas ficaram feridas.

O direito internacional humanitário estipula que, além da população civil, as partes em conflito em uma guerra são obrigadas a proteger o pessoal médico, humanitário e a imprensa que trabalha. Além disso, os jornalistas estrangeiros que estão em Gaza desde o início das hostilidades entraram na Faixa com a credenciamento dado pelo governo israelense e com autorização prévia do Exército israelense, para quem se devia enviar um e-mail com todos os dados do profissional.

*Com informações da agência EFE e do jornal The Guardian.

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Março inicia com atentado a cinegrafista. Em fevereiro, sete jornalistas foram assassinados

O cinegrafista Hilton Costa Brito, de 36 anos, funcionário de uma afiliada da TV Bandeirantes, foi atingido por três tiros, dois na perna e um no abdômen, na tarde desta terça-feira, dia 4, em Pedreiras, a 245 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão. Ele foi submetido a uma cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Graças, e seu estado de saúde é grave, apesar de não correr mais risco de morte. O caso está sendo investigado pela delegacia de polícia de Pedreiras (MA), mas, até o momento, nenhum suspeito foi preso. A Polícia Civil desconhece os motivos e a autoria, mas suspeita de crime de encomenda.

Hilton Costa Brito foi baleado na frente da emissora enquanto filmava blocos carnavalescos/ Foto: Reprodução-TV Globo

O câmera estava em frente à emissora onde trabalha para fazer imagens de blocos de carnaval, quando um veículo com três pessoas parou no local. Em seguida, um dos ocupantes do carro teria saído e efetuado os disparos contra o cinegrafista. “Devem ter me confundido com alguém. Por que minha única explicação é essa. Os disparos são foram efetuados em minha direção mesmo, coisa que não entendo ainda, porque sou um cara que nunca me envolvi em brigas”, afirmou ao G1.

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) manifestou repúdio, por meio de nota, ao atentado sofrido pelo cinegrafista: “É extremamente preocupante a escalada de violência contra jornalistas que, desde o início deste ano (2014), vitimou seis profissionais. A Abert apela às autoridades do estado do Maranhão para que apurem mais este crime, que não pode ficar impune”, diz trecho da nota.

Violência

O mês de fevereiro de 2014 foi o mais letal para a imprensa nacional. Em três semanas, foram registrados sete assassinatos de jornalistas, além de casos de agressão. O Brasil se tornou o país com o maior número de jornalistas mortos nas Américas, segundo o relatório anual da organização Repórteres Sem Fronteiras (RFS). Em 2013, cinco jornalistas mortos no País; já em 2014, sete jornalistas foram mortos em apenas 20 dias.

No último dia 27 (quinta-feira), o corpo do jornalista Hélton Souza, de 28 anos, foi encontrado com sinais de estrangulamento, no Centro de Exposições da cidade de Valentim Gentil, região de Fernandópolis, no interior de São Paulo. O crime de latrocínio (roubo seguido de morte) já foi descartado pela Polícia Civil.

No mesmo dia, o jornalista e radialista Geolino Lopes Xavier, conhecido como Geo Lopes, de 44 anos, foi morto a tiros, por volta das 21h, na região  central de Teixeira de Freitas, cidade localizada a 900 km de Salvador (BA). Geo Lopes deixa mulher e um filho, o também jornalista Joris Xavier Bento. Geo Lopes era um dos diretores do portal N3 e foi assassinado no interior de seu veículo, que apresentava o logotipo do portal. Os criminosos atiraram de dentro de um carro, e ainda não foram identificados.

No dia 6 de fevereiro, o cinegrafista da Band Santiago Andrade, foi atingido por um rojão na cabeça, quando fazia a cobertura de manifestação contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro. O profissional teve morte cerebral.

Violência contra profissionais da imprensa cresce e intensifica debate sobre prevenção e o uso de equipamentos de segurança/ Foto: Fernando Frazão

O locutor de rádio Carlos Dias, e o proprietário de uma sucata foram assassinados a tiros no início da tarde do dia 17 de fevereiro, em Patu, no Rio Grande do Norte. O delegado titular da delegacia de Patu informou que os dois foram atingidos por vários disparos de armas de fogo vindos de um carro que passava na avenida principal da cidade.

Em 11 de fevereiro, o radialista Edy Wilson da Silva Dias, 34 anos, foi morto a tiros por dois adolescentes, durante o apagão que atingiu a cidade de Pinheiros, no Espírito Santo.  Edy era locutor na Rádio Explosão Jovem FM, em Pinheiros. Dois menores que foram identificados como os assassinos tinham registro na Polícia por roubo, furto e tráfico de drogas. A polícia investiga agora o mandante e a motivação do crime.

Em 13 de fevereiro, o jornalista Pedro Palma, de 47 anos, foi morto com três tiros, na porta de casa, quando chegava do trabalho. Dois homens passaram em uma moto, chamaram por ele e fizeram os disparos, acertando dois tiros no peito e um no ombro da vítima. Pedro Palma era dono e único repórter do jornal semanal “Panorama Regional”, que circula em dez municípios do Centro-Sul Fluminense. Nos últimos cinco meses, o jornal passou a fazer oposição à gestão do prefeito de Miguel Pereira.

Outro crime registrado em fevereiro foi o do câmera da TV Cabo Mossoró (TCM), José Lacerda da Silva, 50 anos,  morto a tiros na noite de domingo, dia 16, no bairro Belo Horizonte, em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Relatório e medidas de proteção

O governo brasileiro vai anunciar um pacote de medidas para a proteção de jornalistas, inclusive no âmbito dos protestos que ocorrem pelo País. A defesa de jornalistas foi um dos pontos destacados no discurso da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), Maria do Rosário, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, na manhã de ontem (5). A ministra está em Genebra para reuniões na ONU, que vem criticando de forma permanente a violência contra jornalistas no Brasil e apontando para a impunidade como um dos fatores agravantes.

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A ideia é criar um protocolo de proteção a comunicadores, que vai incluir ações e recomendações para o governo, polícia e meios de comunicação. Um dos principais pontos do protocolo é o treinamento das polícias para garantir a proteção de comunicadores. Outra medida será a proibição de que as polícias confisquem ou destruam materiais de jornalistas, seja câmeras de vídeo, fotografia ou gravadores. Mas as recomendações também são direcionadas para os meios de comunicação, que serão orientados a garantir equipamentos aos jornalistas para que possam cobrir as manifestações.

A ministra informou que pretende lançar, ainda neste mês de março, um relatório que reunirá mais de 200 casos de agressões contra os profissionais de imprensa no Brasil. A SDH pretende criar um observatório para acompanhar os casos de violência contra os profissionais. Os dados do relatório sobre a violência estão sendo apurados pela SDH, em conjunto com o Grupo de Trabalho Comunicadores, do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH).

Informações da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), G1/MA, TV Mirante e O Estado de S. Paulo

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Após reunião com entidades, Ministério da Justiça vai lançar manual para jornalistas em manifestações

Nesta terça-feira (18), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e entidades ligadas à imprensa se reuniram para discutir medidas de proteção para os profissionais da comunicação. O encontro é resultado da pressão exercida por representantes de entidades jornalísticas, que demonstraram preocupação com o aumento de agressões contra a classe e cobraram providências após o caso do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes. Após a reunião, o ministro defendeu a possibilidade de federalização dos crimes contra jornalistas.

Foto: Correio Braziliense

Foi o primeiro encontro do grupo de trabalho formulado no último dia 11 de fevereiro como consequência da morte do cinegrafista Santiago Andrade, morto enquanto cobria uma manifestação no centro do Rio de Janeiro. Na ocasião, representantes das entidades jornalísticas brasileiras entregaram um relatório detalhando os casos de agressões a jornalistas durante os protestos. O objetivo do grupo seria estabelecer políticas de Estado na área de segurança pública, para a proteção de profissionais na área de comunicação em geral.

Além do ministro da Justiça, participaram do encontro o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Thomas Traumann, e representantes da Associação Brasileira de Rádio e TV (Abert) e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). De acordo com o ministro, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) vai fazer um estudo sobre os equipamentos necessários para a proteção dos jornalistas, que receberão instruções sobre a maneira mais segura de fazer a cobertura de manifestações de rua no Brasil.

Cardozo declarou que é importante que todas as atividades profissionais envolvidas nas manifestações, como jornalistas e policiais, façam um treinamento específico para saber como atuar nesses eventos. Para tanto, revelou que será lançado um manual para padronizar a atuação conjunta desses profissionais.

Federalização 

Fotógrafos realizam ato em protesto contra agressões a profissionais da imprensa durante manifestações e em defesa da liberdade de imprensa na região central de São Paulo/Foto: Reprodução

Após reunião com entidades ligadas à imprensa, o ministro defendeu a possibilidade de federalizar investigações de crimes contra repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, entre outros profissionais de comunicação. A ideia deverá ser discutida com o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, e com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, entre outros interlocutores do governo interessados na questão. Ainda não há consenso se a legislação em vigor permite a federalização das investigações de crimes contra jornalistas ou se seria necessário uma modificação na lei sobre o tema.

Será definido nos próximos dias o texto final do manual de procedimentos das polícias militares em grandes manifestações, que deverá conter um capítulo especial sobre a relação dos policiais com jornalistas. Deverá ser proibido que a polícia apreenda câmeras ou celulares que registrem imagens das manifestações. Também deverá ser criado um Observatório, uma comissão especial encarregada de acompanhar de perto agressões contra jornalistas em qualquer parte do país. Uma das ideias é que o Observatório tenha a atribuição de propor a federalização das investigações de crimes contra jornalistas.

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Para o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slavieiro, a federalização seria uma medida muito importante para diminuir a impunidade e, com isso, reduzir a violência contra profissionais da imprensa. Segundo ele, hoje muitos crimes contra jornalistas não são devidamente investigados porque a apuração dos casos quase sempre fica a cargos das polícias que são alvos das investigações. A partir da federalização, a Polícia Federal poderia assumir o controle das investigações que, hoje, ficam a cargo das polícias civis. “Com o aparato da inteligência da Polícia Federal você tem uma força maior para identificar agressores”, disse Slavieiro.

Ação do Exército e mudanças na legislação 

Na busca pelo controle das manifestações, a presidente Dilma Roussef disse na manhã de hoje (19) que, quando necessário, o governo usará as Forças Armadas para coibir manifestações anti-Copa. A presidente também defendeu mudanças na legislação para conter atos de violência durante as manifestações. O Planalto teme que protestos contra a realização da Copa voltem a se espalhar pelo Brasil durante o evento. “É preciso reformar a lei e aplicar a Constituição. A Constituição garante a liberdade de expressão, a liberdade de manifestação do pensamento, mas ela veda o anonimato. Então, nós estamos trabalhando numa legislação para coibir toda forma de violência nas manifestações”, afirmou Dilma.

O Congresso já discute um projeto de lei que pode enquadrar manifestantes e movimentos sociais como terroristas. O governo, porém, teme que a proposta abra brecha para a criminalização de movimento sociais. O texto deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional em regime de urgência para que seja aprovado e possa entrar em vigor “o quanto antes”. Nesta terça-feira (18), o Ministério da Justiça confirmou que irá propor um endurecimento das penas aplicadas aos condenados por crimes previstos no Código Penal que forem cometidos durante protestos, como os que, desde junho de 2013, tomaram as ruas das principais cidades do país.

Informações de O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Estado de Minas e Associação Brasileira de Imprensa (ABI)