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Programa de Biaggio Talento traz depoimento do jornalista e escritor Carlos Navarro

“Quando a lenda se torna realidade, publica-se a lenda”. A célebre frase dita pelo editor do “Shinbone Star” no filme “O Homem Que Matou o Facínora” (1961), de John Ford, inspirou o jornalista Biaggio Talento na criação de um canal no Youtube, o Publique-se a Lenda!. Lá, Talento e sua esposa Helenita Monte de Hollanda acabam de lançar um projeto especial sobre as “lendas” do jornalismo baiano. Coube a ninguém menos que o jornalista Carlos Navarro Filho a tarefa de ser a primeira personagem a contar sua história.

O programa foi dividido em duas partes: Na primeira, Navarro relembra seu início no jornalismo – como repórter do extinto Jornal da Bahia –, e narra sua trajetória como editor chefe com passagem por grandes redações. Ele também aborda as mudanças na rotina jornalística e as recentes transformações proporcionadas pela tecnologia. Entre fatos históricos e relatos engraçados, Navarro recorda o período de 30 anos em que comandou a sucursal do jornal O Estado de São Paulo na Bahia. Ele contribuiu para a ampliação da sucursal, além de ter ajudado o Grupo Estado a lançar os produtos do jornalismo online. “Jornalismo naquela época era, além de dar o fato, tinha que ter a chamada ‘cor local’. O jornalista era uma testemunha. Eu aprendi assim”, afirma.

Na segunda parte, o jornalista fala sobre seu mais novo livro, o romance “Boquira”, a ser lançado no dia 5 de julho, na cidade que dá nome à obra e está localizada no sudoeste da Bahia. O livro é sobre um episódio ocorrido no estado, anos 1950, quando um povoado foi desapropriado pelo governo estadual e cedido a uma mineradora multinacional. De acordo com Carlos Navarro, a história é contada “pela ótica dos trabalhadores rurais que perderam as terras e foram controlados a ferro e fogo pela empresa até o início dos anos 1990”.

Autor do livro “A Sucursal: 30 anos do Estadão na Bahia” (Bureau, 2004), Biaggio Talento explica a razão para começar a série com o depoimento de Navarro. “Foi meu grande chefe, meu orientador. Com ele, eu aprendi tudo. Ele me viu numa entrevista em 1986 e me propôs uma experiência de um mês, para ver se me aproveitava em uma vaga. Permaneci por 19 anos no Estadão”. Segundo ele, o vídeo é um projeto antigo. “Regularmente encontro os antigos colegas da época do jornal. Nos reunimos em um bar para relembrar fatos e sempre quis fazer vídeos com esse grupo de dinossauros. Minha esperança é que, depois de Navarro aceitar, os outros se animem a falar”, destacou ele, em referência aos demais membros da confraria formada por “jornalistas jurássicos” da Bahia, profissionais que escreveram seus nomes na história.

Registrando a História

O canal Publique-se a Lenda! surgiu da intenção de construir um espaço vinculado apenas ao jornalismo, uma vez que Biaggio Talento mantém desde 2016 o Canal Cultura Popular Brasileira, também no Youtube. A estreia do canal foi um vídeo com o fotógrafo Lúcio Távora, autor da famosa foto do ex-presidente Lula com o isopor na praia de Inema, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. “Ele havia sido demitido de A Tarde. Resolvi fazer um vídeo para homenageá-lo. Aí fizemos uma série com grandes fotógrafos chamada ‘Fotografando a História’”.

Confira a seguir o depoimento de Carlos Navarro:

Parte 1 – O Jornalista

Parte 2 – Boquira

ABI BAHIANA

ABI lamenta a morte do jornalista e professor José Marques de Melo

José Marques de Melo, um dos principais teóricos da Comunicação no Brasil, faleceu em São Paulo nesta quarta-feira (20), vítima de um enfarto fulminante. A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) se junta a dezenas de instituições, no sentimento de pesar pela passagem do jornalista e renomado professor alagoano, aos 75 anos. Zé Marques, como era chamado pelos amigos, foi o primeiro doutor em jornalismo titulado por uma universidade brasileira, em 1973. Para o presidente da ABI, Antonio Walter Pinheiro, Melo deixa inestimável legado para o pensamento comunicacional, com ênfase na comunicação na América Latina e no Brasil. Ao longo de sua trajetória acadêmica, ele publicou cerca de 50 livros e coletâneas sobre estudos na área.

A perda causou grande comoção nas instituições que tiveram a história marcada pela atuação do pesquisador e entre estudiosos da comunicação. A Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (FACOM/UFBA) expressou em nota “profundo pesar e tristeza pelo falecimento” e apresentou condolências à família.

José Marques de Melo e Sergio Mattos no Congresso da Intercom – Foto: Reprodução

O professor Sérgio Mattos, amigo de José Marques e autor de sua biografia “O Guerreiro Midiático” (disponível aqui), publicou uma nota emocionada no Facebook. “Estou sem palavras para registrar a perda do amigo, do líder, do homem dinâmico, predestinado, aglutinador e incansável que foi José Marques de Melo, ou simplesmente Zé Marques. Só sei que ele continuará vivo, entre nós, no legado que nos deixou, tais como instituições que criou, livros que escreveu, nos ex-alunos e principalmente em suas ideias, uma fonte de referências permanente. Meus sentimentos aos familiares e a todos nós do campo da comunicação, pois ficamos órfãos”, lamentou Mattos, que também integra a diretoria da ABI.

José Marques foi o responsável por idealizar e fundar, em 1977, a Intercom –Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, onde atuava como presidente de honra e membro do Conselho Curador. Atualmente, era Titular da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional na Universidade Metodista de São Paulo. “A Intercom, em nome de toda a comunidade acadêmica e profissional das Ciências da Comunicação, oferece sua solidariedade à família e celebra a vida e a obra deste que foi um de seus mais importantes representantes”, diz nota divulgada pela instituição.

Ele também foi docente-fundador da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). O professor da ECA, Eugênio Bucci, disse ao jornal Estado de S.Paulo que Marques de Melo foi “pioneiro na projeção de uma ponte entre a universidade e a cultura profissional”. “Os estudos dele têm uma forma forte influência na consolidação do repertório acadêmico, mas também conquistou muito respeito entre jornalistas profissionais experientes. O trabalho dele sobre a história e as práticas jornalísticas também foi essencial”, disse.

Bio

José Marques de Melo nasceu em Palmeira dos Índios, em 1943, e se mudou para a vizinha Santana do Ipanema, de onde saiu na adolescência para estudar em Maceió e no Recife. Ele se formou em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco, durante a década de 1960, antes de se transferir para São Paulo. Na capital, fundou o Centro de Pesquisas da Comunicação Social, da Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, e foi docente-fundador da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde obteve os títulos de doutor em Ciências da Comunicação, livre-docente e professor catedrático de jornalismo.

Impedido por anos de exercer a docência em universidades públicas em razão da ditadura militar, ele reassumiu sua cátedra na USP após a anistia. Em 1989, foi escolhido pela comunidade acadêmica para exercer o cargo de diretor da ECA, função ocupada até 1993, quando se aposentou na instituição. Em 2009, coordenou o processo de revisão das diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo, que foi implementada pelo então ministro da Educação Fernando Haddad (PT).

*Com informações do Estadão e da Intercom.

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Após escândalo do uso político de dados, Facebook “se preocupa” com as eleições no Brasil

Em meio ao escândalo do uso político de dados que derrubou o valor de mercado do Facebook, o presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, afirmou em entrevista à rede americana CNN que as eleições de 2018 no Brasil “são uma de suas preocupações”. Zuckerberg disse lamentar o que classificou como “enorme quebra de confiança” e assegurou que a rede social vai trabalhar para impedir interferência em próximas eleições, como na Índia e no Brasil. O Facebook está investigando o vazamento de dados provocado por uma empresa britânica que trabalhou para a campanha de 2016 do presidente americano, Donald Trump.

Trata-se da empresa de consultoria Cambridge Analytica, que manipulou informação de mais de 50 milhões de usuários da rede social nos Estados Unidos. A companhia obteve as informações em 2014 e as usou para construir uma aplicação destinada a prever as decisões dos eleitores e influenciar sobre elas, segundo revelaram neste sábado os jornais “London Observer” e “New York Times”. Ex-sócio da Cambridge Analytica no Brasil, André Torretta, diz que empresa não tinha banco de dados de brasileiros.

Segundo Zuckerberg, será necessário um trabalho “muito duro” para dificultar que nações como a Rússia interfiram em eleições e que trolls espalhem notícias falsas. “Temos a responsabilidade de fazer isso, não só para as eleições de meio de mandato nos EUA. Há uma grande eleição na Índia nesse ano, há uma grande eleição no Brasil. Pode apostar que estamos muito comprometidos em fazer tudo o que pudermos para garantir a integridade”. Questionado sobre o impacto do Facebook na eleição presidencial de 2016 nos EUA, Zuckerberg disse que não consegue fazer uma avaliação sobre o tamanho do impacto que teve.

Consequências

Após dias de queda de suas ações na bolsa dos Estados Unidos, o Facebook perdeu mais de US$ 49 bilhões em valor de mercado em dois dias. Parlamentares do Reino Unidos convocaram Mark Zuckerberg para prestar esclarecimentos sobre o vazamento de dados de 50 milhões de usuários.

Este é um dos maiores vazamentos de dados na história do Facebook. Além da queda na Bolsa, a revelação do acesso indevido de dados já provoca repercussões em outros campos. Legisladores britânicos e americanos pediram explicações à empresa. A procuradora-geral do estado de Massachusetts, Maura Healey, abriu uma investigação contra a empresa. O caso poderia gerar também uma multa multimilionária ao Facebook. A suspeita é que a empresa teria violado uma regulação da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) que protege a privacidade dos usuários de redes sociais.

O vazamento

Segundo a rede social, Aleksandr Kogan, um professor de psicologia russo-americano da Universidade de Cambridge, acessou os perfis de milhões de usuários que baixaram um aplicativo para o Facebook chamado “This is your digital life” e que oferecia um serviço de prognóstico da personalidade.

Com esse acesso, ele encaminhou mais de 50 milhões de perfis à Cambridge Analytica. Desses, 30 milhões deles tinham informações suficientes para serem exploradas com fins políticos. Ele conseguiu esses dados apesar de somente 270 mil usuários terem dado seu consentimento para que o aplicativo acessasse sua informação pessoal, segundo o “NYT”. Ao compartilhar esses dados com a empresa e com um dos seus fundadores, Christopher Wylie, Kogan violou as regras do Facebook, que eliminou o aplicativo em 2015 e exigiu a todos os envolvidos que destruíssem os dados coletados.

Entre os investidores na Cambridge Analytica estão o ex-estrategista-chefe de Trump e ex-chefe da sua campanha eleitoral em 2016, Steve Bannon, e um destacado doador republicano, Robert Mercer. A campanha eleitoral de Trump contratou a Cambridge Analytica em junho de 2016 e pagou mais de US$ 6 milhões a ela.

*Com informações da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

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Jornalistas lançam canal online com foco em economia e política

Um time de jornalistas prepara a estreia de um novo canal online de jornalismo no Youtube, o MyNews. A grade do MyNews já conta com três programas fixos: A primeira transmissão do canal, nesta segunda-feira (12), será a atração “Segunda Chamada”, a partir das 20h30. O “Economia É Genial” irá ao ar às quintas e será focado em educação financeira. Já o “É Pessoal” receberá empresários todas as sextas. Os programas serão gravados nos estúdios do YouTube Space, no centro do Rio de Janeiro. A iniciativa também prevê a apresentação de um telejornal ao vivo e de um programa sobre finanças para jovens.

O projeto foi idealizado por Mara Luquet, jornalista e especialista em economia e finanças, e pelo publicitário Antonio Tabet, fundador dos canais Porta dos Fundos. Além deles, o MyNews é formado por Cristina Serra, que deixou a TV Globo recentemente , Thaís Heredia, ex-GloboNews, Mariliz Pereira Jorge, colunista da Folha de S.Paulo, Gabriel Azevedo, e mais dois jornalistas vindos da CBN: João Carlos Santana e Daniela Braun. Ontem, também foi anunciado o nome de Nelson Garrone, que deixou o cargo de editor executivo do “Em Pauta”, da GloboNews, para dirigir o núcleo que será responsável pela cobertura das eleições.

Segundo Mara Luquet, o grupo quer fazer algo totalmente diferente do que já é feito na plataforma. “A expectativa com relação à estreia é imensa. Estamos trabalhando muito. O que vamos fazer não é TV, nem rádio, nem impresso. É um bicho totalmente novo e com uma proposta diferente do que já tem no YouTube. Eu adoro os youtubers, mas nossa linguagem e proposta são outras”, diz a jornalista. A patrocinadora do canal é a Genial Investimentos, do Banco Brasil Plural.

*Com informações do Portal IMPRENSA